Wendel completa 700 jogos na carreira diante do Sport nessa quinta-feira (27) e fala sobre sua trajetória no futebol, que o levou à titularidade da Ponte nessa temporada

 

Foto: PontePress/RodrigoCeregatti

O volante Wendel chegou na Ponte no meio da temporada 2016 e conseguiu, com seu talento e experiência, agregar e muito ao time da Macaca. Titular com Eduardo Baptista, o volante da Ponte atinge uma marca importante na sua carreira nesta quinta-feira (27). Ao pisar no gramado da Ilha do Retiro contra o Sport Recife, o meio campista, que atuou entre outros times, por Cruzeiro, Santos, Bordeaux, Vasco e também pelo rival da noite, ira completar 700 jogos na carreira. “E hoje visto essa camisa que é tão importante, que é a da Ponte Preta. Feliz por tudo aquilo que vivi, vivenciei e ainda espero mais uns dois ou três anos para encerrar, porque acho que ainda tenho lenha para queimar”, afirma.

 

Apesar de tanta história no futebol, Wendel diz que ainda aprende muito com o esporte e vê que cada lição que teve até hoje, o fez chegar nessa marca relevante. “São 17 anos de carreira, com 18 títulos conquistados. Cada dia nós aprendemos coisas novas. Esse ano eu trabalhei com o Enderson Moreira e ele me falou uma frase que me marcou: “Hoje em dia se comenta que o jogador tem que ser profissional. Mas não é só ter que ser. Isso é uma obrigação do atleta. Ser profissional, chegar no horário, fazer o que o treinador pede é um dever”. Me identifiquei muito com essas palavras dele, onde trabalhamos juntos no Goiás e é isso que carrego para a minha carreira. Desde o começo eu nunca extrapolei, nunca fui de fará, sou muito família e sempre dedicado nos treinamentos e nos jogos. Acho que isso me fez chegar nessa marca de 700 jogos. Se eu pudesse hoje dar uma palavra para quem está iniciando, é não apenas querer ser um profissional, seja um cidadão, um cara correto, treine forte, que você vai conquistar seus objetivos. Foi isso que foquei na minha carreira e fico feliz de atingir essa marca tão difícil no mundo do futebol”, reforça o atleta, que classifica a passagem de cinco temporadas pelo Bordeaux/FRA, como extremamente positiva.

 

“Principalmente para os meus filhos. Aprenderam uma outra língua e isso foi muito importante. Ter uma cultura diferente. É um país em que tudo funciona. Saúde, transporte, educação. E aprender um outro idioma é fundamental para qualquer pessoa que tenha a possibilidade. Foi onde vivi meu melhor momento, não coletivamente, mas individualmente foi sim na França. Fui eleito um dos melhores jogadores do campeonato em 2009, ficando atrás apenas do Benzema na ocasião. Esportivamente foi o país que as coisas aconteceram muito bem para mim e principalmente para minha família em termos de ganho cultural. Tenho um carinho muito grande por lá”, revela o atleta, que pelo Bordeaux atuou em 198 jogos e fez 44 gols.

 

Voltando ao presente, o volante acredita em um bom jogo da Ponte contra o Sport. “Eu espero que nós façamos um bom jogo. Que consigamos trazer os três pontos contra o Sport, que é o nosso próximo adversário, e principalmente espero que terminemos a temporada bem. Até porque estamos fazendo um campeonato correto, como o Eduardo sempre diz e temos que valorizar o que fizemos até hoje. O orçamento da Ponte Preta, em relação ao dos primeiros colocados, com certeza tem uma diferença astronômica e o que estamos fazendo hoje, como diz o Roger, é digno de aplausos. Lógico que pecamos em alguns jogos, mas em comparação financeira com os líderes, estamos fazendo um campeonato correto. Esperamos terminar da melhor maneira”, afirma o jogador, que apesar de atuar mais no setor defensivo, já fez mais gols que muitos atacantes e recorda um especial, feito esse ano.

 

“Não posso deixar de comentar o gol aqui pela Ponte contra o Internacional. Foi o gol de número 80 e para um volante é uma marca interessante”, reforça o atleta, que além de fazer muitos gols, pela posição, tomou poucos cartões vermelhos. Apenas 8 em toda a carreira. “Cada 100 jogo um expulsão. Para volante eu acho que é uma média boa. Significa às vezes que não há deslealdade, porque se tratando da posição de volante, há muitas expulsões. É uma marca interessante e mostra que sempre procurei ser correto não só dentro de campo, mas fora também”, destaca.

 

Wendel também mostra muita gratidão à sua família, que apoiou o sonho de se tornar um atleta desde criança. “Eu sai de casa com 11 para 12 anos. Os meus pais foram meus maiores incentivadores. Minha mãe no começo não queria muito, porque deixar o filho sair de casa é complicado. Eu tenho um filho de 11 anos e não vejo de forma alguma me desvinculando e deixando ele se separar de mim nessa idade. Foi muito duro para os meus pais na ocasião. Mas depois que acabei passando nos testes do Cruzeiro, eles foram meus maiores incentivadores. Minha mãe acabou falecendo em 2008. Meu pai estava presente no jogo contra o Vitória e foi uma satisfação muito grande porque acabei fazendo gol e meu irmão também estava no estádio. Hoje eu acredito que eles estão muito felizes e satisfeitos pelo o que consegui na carreira”, recorda o jogador, que apesar de todo o sucesso na vida, se mostra humilde com seus feitos conquistados.

 

“Eu nunca procurei ser protagonista. Até por conta da minha posição, da minha função dentro de campo. Mas eu sempre me dediquei ao máximo. Muitas vezes eu sai de campo feliz pela equipe ter vencido, indiferente se tinha tido uma boa atuação ou não. Hoje eu vejo jogadores pecarem muito nesse sentido. Se preocupam primeiro com o “eu” e esquecem o “nós”. Eu nunca tive essa vaidade de querer ser o melhor sempre. Esses 18 títulos que conquistei na carreira, eu procurei sempre ajudar, sendo titular ou não e acho que é isso que todos tem que buscar. Quando se ganha e se levanta o troféu, o clube sai valorizado, assim como sua diretoria. Os torcedores ficam contentes. Enxergo o futebol dessa forma”, ressalta o volante, que faz uma projeção sobre sua carreira como jogador e também após pendurar as chuteiras.

 

“Tenho contrato até o Paulista. Espero que a diretoria, o Eduardo consigam montar uma equipe que possamos chegar fortes, em condições de buscar esse título, que é tão sonhado por todo torcedor pontepretano, apaixonado por esse clube. A longo prazo eu espero, assim que encerrar, estudar, para que eu possa permanecer no futebol. Quem sabe assim passar o que vivenciei dentro do futebol. Gostaria de ajudar principalmente os jovens. Gosto muito de trabalhar com jogadores mais novos, para que eles sempre busquem a sua excelência. Ou seja, que se doem ao máximo, que corram os 70 minutos e levantem o braço pedindo ao treinador para sair porque se dedicou 100% dentro do campo. Muitas vezes isso não acontece. Tem jogador que prefere se poupar para o jogo seguinte, sendo que ele não deu 100%  na partida em que está. Vejo futebol dessa forma e espero assim futuramente contribuir”, completa.

 

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