Presidente Vanderlei Pereira faz balanço positivo do ano da Ponte Preta, mas avisa: quer mais e melhor em 2016

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PontePress/RodrigoCeregatti

A Ponte Preta realizou neste ano de 2015 o melhor Campeonato Brasileiro da série A em sua história nos pontos corridos, em momento algum chegou a entrar na zona de risco do rebaixamento (por sinal, foi o único dos quatro times que subiu em 2014 a se manter na elite da competição) e tudo isso com a melhor relação custo-benefício levando-se em consideração as verbas recebidas de cota de TV entre todos os times do Brasileirão. Estes números confirmam que foi um ano extremamente bom para a Macaca. Mas, tanto como torcedor quanto como dirigente, o presidente alvinegro Vanderlei Pereira quer mais.

Adepto da filosofia “fazer mais e falar menos”,  Vanderlei Pereira costuma se esquivar de entrevistas, porém abre uma exceção nesta semana para fazer um balanço do ano e responder às mais diversas perguntas sobre o time – inclusive algumas retiradas do facebook oficial da Ponte, sobre temas como, por exemplo, a Ponte Preta na Sulamericana. Confira abaixo o que diz o presidente. 

PontePress-Como o senhor viu o ano de 2015 para a Ponte Preta?
Vanderlei Pereira –
É claro que como torcedor queria um título, isso é o que sempre queremos e trabalhamos para isso: nos últimos anos bateu na trave várias vezes, mas tenho certeza que não falta muito para acertarmos a mira e conquistarmos um. Agora, independentemente disso, é inegável que tivemos um ótimo ano, principalmente em relação ao Brasileirão. Foi nosso melhor ano na história do Brasileiro em pontos corridos, fomos o único dos quatro times que subiram que conseguiu permanecer na elite e fizemos isso muito bem – os outros três caíram de volta. Tivemos chances reais de ir a Libertadores, o que infelizmente não ocorreu, e fizemos isso tudo com orçamento limitado, pagando muitas dívidas, e ainda fomos o time com mais eficiência em aplicação de recursos, com o melhor custo-benefício entre todas as equipes da competição. Um cruzamento de dados já divulgado pela mídia entre o dinheiro recebido das cotas e os pontos conquistados na competição após a classificação final mostrou que, por exemplo, o campeão deste ano somou 81 pontos, mas recebeu R$ 110 mi lhhões de reais, ou seja, cada ponto custou R$ 1,35 milhão, enquanto a Ponte, conseguiu chegar na 11ª colocação com R$ 352 mil a cada ponto somado, ou seja, se o campeão tivesse a mesma eficiência teria somado 312 pontos. O Flamengo, que terminou a competição abaixo da Ponte, recebeu o mesmo valor do 1º colocado e foi o menos eficiente, gastando seis vezes mais que a Ponte – R$ 2,24 milhões – por ponto. Ou seja, ficou provado nos números a eficiência de nossa diretoria na campanha deste ano. E tem mais: subimos para 17º lugar no ranking da CBF, com nosso desempenho deste ano somos a única equipe do Interior que está disputando no ano que vem dois campeonatos nas principais séries – Brasileiro e Paulista – e a Copa do Brasil e a Sulamericana. Não dá pra negar: 2015 foi um ano bom.

Então o senhor está satisfeito?
Com o que conseguimos, sim, mas quero mais. Não só eu como toda nossa diretoria e a torcida, tenho certeza. Então já vamos entrar no Paulista do ano que vem pra brigar para ser campeão, vamos disputar o título. Estamos montando um bom time, seguindo o modelo que vem dando certo, de observar criteriosamente atletas com bom potencial para crescerem aqui na Ponte e trazer estes jogadores, montando um bom time.No ano passado, por exemplo, muita gente nem tinha ouvido falar de Biro Biro, Pablo, Renato Chaves, Diego Oliveira… atletas que vieram e fizeram a diferença. E isso pra não mencionar outros como o Lomba, por exemplo, que no primeiro semestre muita gente disse que veio lesionado e sem chances de retomar a carreira, teve quem nos criticou muito por trazê-lo e no Brasileiro ele foi um dos melhores goleiros do campeonato, se não o melhor. E se formos retroceder outros anos veremos que essa tem sido uma constância da Ponte, com Rodinei, Bob e tantos outros. Enfim, estamos trazendo bons nomes e, se hoje já somos claramente a quinta força do Estado de São Paulo, queremos ir além. Vamos fazer uma pré-temporada caprichada, o time se apresenta no dia 4 de janeiro para exames e viaja no dia 14 pro Oscar Inn, onde fica concentrado e trabalhando duro até dia 25. O Paulista deve começar no dia 30 ou 31 de janeiro.

E quanto aos outros campeonatos, presidente? O que a Ponte pensa hoje sobre a Sulamericana do ano que vem, por exemplo?
Essa pergunta é uma sinuca de bico (rs). Se eu respondo que vamos priorizar o Brasileiro, vão dizer que não damos importância pra um campeonato importante e que a torcida ama, que ignoramos uma competição na qual fomos o único time do Interior do Brasil a chegar em uma final. Se digo que vamos priorizar, vão falar que estou falando da boca pra fora para agradar a torcida. Então eu opto por dizer a verdade, por mais que ela não seja o que as pessoas querem ouvir: no momento, hoje, não temos como prever a Sulamericana, porque ainda estamos na  montagem do time, temos um Paulista pela frente, teremos que ver como o time se encaixa, enfim, não dá pra fazer futurologia. O que dá pra fazer é o melhor planejamento possível e garantir que vamos disputar todas as competições pra valer e fazer o melhor que pudermos em casa uma delas.

Ainda sobre a Sulamericana, muita gente não gostou do que aconteceu neste ano…
Nem eu gostei, afinal sou pontepretano, queria mais uma vez chegar na final e conquistar o título. Agora, o que é preciso entender é que nós não tínhamos elenco para disputar tantas competições ao mesmo tempo. Aliás, a própria Chapecoense, por exemplo, também jogou com reservas, o Corinthians jogou mata-mata contra o Santos com reservas, diversas equipes precisaram fazer isso para não lesionar titulares. Algumas delas, diferentemente da Ponte, tinham mais dinheiro para montar um elenco mais amplo e igualmente qualificado, enquanto nós enfrentamos um ano muito difícil, tentando reequilibrar finanças. Tivemos um milhão de prejuízos em jogos, houve partida em que eu rezava pra conseguir dinheiro para pagar hotel e elenco. Felizmente a situação está se reequilibrando.

Neste sentido, muita gente está comemorando a melhora no orçamento do time, a conquista do patrocínio histórico da Schin, o aumento de cotas…
Sim,temos realmente que comemorar tudo isso, mas que ninguém ache que estamos nadando em dinheiro e vamos poder contratar um elenco estelar, porque isso é irreal. Temos dívidas a pagar e, quanto ao patrocínio da Schin, ele praticamente está todo comprometido para pagar os compromissos do  Profut, porque uma vez que aderimos a ele temos que pagar imposto, o do mês corrente e as dívidas que foram parceladas, religiosamente. É importante notar que quem não aderiu ao Profut e não pagar o que deve vai ficar sem CND (certificado de não-devedor) e sem certificado não vai mais poder disputar nenhum campeonato. E mais, se não pagar pode ser punido com rebaixamento nas competições, então o compromisso financeiro número um agora é imposto. Felizmente, fizemos um planejamento cuidadoso levando tudo isso em consideração, então estou certo que o clube vai ficar cada vez mais equilibrado financeiramente e ainda fazer sua parte em campo.

A Ponte Preta assinou um documento, junto com a Federação Paulista e outros grandes times paulistas, pedindo reformulações na CBF. Como é isso?
A Ponte está tendo uma grande parceria com a Federação Paulista, um grande apoio do presidente Reinaldo. Tivemos a melhor cota da história no Campeonato Paulista , tudo que solicitamos administrativamente foi atendido e, se ainda houve equívocos de arbitragem e isso precisa com certeza melhorar, com apoio da FPF esta foi a primeira vez que reclamamos de erro de arbitragem e houve punições . Ao mesmo tempo entendemos que a CBF precisa mudar, e que isso tem que ocorrer com participação efetiva dos times. Então nos unimos coma  FPF e todos juntos estamos nos unindo para exigir mudanças na CBF. Mudanças no calendário para 2017, na arbitragem, na parte comercial da competições e várias outras. O movimento está se iniciando, mas acredito que haverá resultados.

Presidente, uma outra questão que muita gente na torcida pergunta: a Ponte disse neste ano que estava investigando indícios de irregularidade na gestão do presidente Márcio Della Volpe. Como se encontra esta situação?
A questão agora está nas mãos da Justiça. Fechamos as investigações da Ponte, levantamos provas materiais e impetramos as ações. Ele será citado e deverá se defender. Então nós agora não falaremos mais sobre o assunto: é o Tribunal que vai se pronunciar na hora certa e confirmar ou não o que levantamos. Não vamos comentar mais nada, até por questão se sigilo de justiça.

Para finalizar, voltando ao futebol, como andam as contratações e a montagem da equipe para 2016?
De futebol eu conheço, torço, discuto e falo com os amigos, mas quem trata disso na Ponte é o diretor da área, o Hélio Kazuo, em conjunto com Departamento, muito bem gerenciado pelo Gustavo Bueno. Eu obviamente sei o que está ocorrendo e participo diretamente do planejamento, sei que as peças necessárias foram mapeadas e estão encaminhadas, mas prefiro não comentar nada. Até porque sou adepto de que só se deve falar quando as coisas estão consolidadas, para não atrapalhar nenhuma negociação nem adiantar situações que não se concretizaram, e isso vale tanto pra contratos novos quanto dispensas. Por exemplo, muita gente chegou a dizer que a Ponte devia ter homenageado e oficializado a saída do Adrianinho no último jogo em casa, no Majestoso. Só que no papel as coisas ainda dependiam de algumas definições. Como é que eu ia homenageá-lo pelo que ele fez e estava saindo, se não podia ainda oficializar a saída? Então nós já tínhamos planejado a homenagem no Soccer Camp, com toda aquela garotada, camisa, placa e tudo o mais, porque naquela data já sabíamos que tudo estaria certo. Agora, quem efetivamente tem tudo isso planejado e detalhado é o futebol, então eu participo e apoio, mas cada um cumpre o seu papel.

Mas e quanto ao Vinicius Eutrópio, que já foi oficializado pelo Departamento de Futebol como técnico, o senhor pode dar sua opinião sobre ele?
O Eutrópio  é um sujeito equilibrado, ponderado, tem muito bom senso e sabe se portar como líder perante jogadores. É um bom treinador, entende do ofício e tem know how de série A, se adequa perfeitamente à filosofia da Ponte. Então estou muito confiante na vinda dele, acredito que tem plenas condições de fazer um grande trabalho frente ao time e tem todo o apoio, meu e da diretoria, para fazer isso.

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