Um presidente de honra e glórias: Sérgio Carnielli lamenta que o título não veio, mas elogia a grande campanha e a volta da Ponte à série A

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PontePress/AlexandreBatibugli

O amor do presidente Sérgio Carnielli pela Ponte Preta é incontestável. Pouca gente sabe, porém, que ele não é de berço: surgiu por volta dos 14 anos, quando pela primeira vez o então menino Sergio conseguiu ir assistir a um jogo. “Sou de Campinas, assim como toda minha família, mas minha família não era ligada a futebol e, apesar de eu gostar e jogar desde garoto, nunca tinha ido a uma partida porque trabalhava muito e não tinha tempo”, conta.

Realmente não tinha. O árduo caminho para se tornar o grande empresário de hoje começou cedo, trabalhando logo aos sete anos na olaria do avô. Aos oito, nove anos, vendia groselha no circo sempre que havia espetáculo e nos dias de semana comercializava as verduras que a mãe plantava. Nos finais de semana, engraxava sapatos no balão do Taquaral.

Mas, quando já adolescente finalmente arrumou tempo e foi pela primeira vez ao campo, a paixão bateu com tudo. “Virar pontepretano foi fácil: comecei a ver jogos da Ponte, era apaixonante desde aquela época. As campanhas que a Ponte fazia, os caminhões de torcedores, os que iam de trem, as campanhas para subir… nos anos 60 dificilmente conseguiríamos subir, mas a gente chegava perto, e isso ajudou a montar essa torcida sofredora. Me tornei fanático”, relembra.

Foi em 1973, no entanto, que Carnielli virou conselheiro e passou a se inteirar mais da vida do clube.  Depois, pelas mão do Gilman Farah – irmão do ex-presidente da Federação Paulista de Futebol – foi alçado a diretor de futebol em 1989 e subiu a Ponte no Paulista. Em 1996, Carnielli era vice-presidente e em virtude da renúncia do então mandatário Nivaldo Baldo assumiu temporariamente o cargo e chamou eleições, tendo sido eleito presidente no ano seguinte.

Desde então, se dedicou de corpo e alma ainda mais ao time, tendo inclusive investindo milhões de reais para literalmente impedir a Ponte Preta de ser consumida pelas dívidas que tinha. Após ter sido reeleito repetidas vezes, em 2011, por força de uma decisão polêmica de primeira instância (que ainda aguarda novo julgamento na Justiça) e fortemente repelida pela instituição, Carnielli foi afastado do cargo e, por decisão do Conselho, foi nomeado presidente de honra da Ponte Preta enquanto a injustiça não é revertida.

Neste ano, Carnielli teve participação ativa na conquista do acesso à série A, inclusive incentivando pessoalmente os atletas por diversas vezes. Em entrevista ao site oficial, o presidente de honra – e glóirias – da Macaca fala sobre a alegria de ver de novo seu time de coração na elite, apesar de sem a conquista do título que todos queriam.

Presidente, qual é o seu sentimento neste momento?

Um pouco triste por termos chegado tão perto do título e não termos conquistado, mas ao mesmo tempo muito satisfeito com a bela campanha que fizemos. É preciso enaltecer o trabalho desse time, do Guto, porque conquistaram com quatro rodadas de antecedência o acesso que é de suma importância para o clube. Se permanecêssemos na série B, haveria uma decadência, começaríamos a cair mais e mais.  A Ponte fez uma excelente campanha, mas houve um desgaste grande, jogos difíceis, o time chegou ao final cansado, com contusões. Houve também um relaxamento natural, inconsciente, depois da conquista da vaga. Veio aquele sentimento de missão cumprida e não só conosco, com o Joinville foi igual, depois que ganhou da Ponte ele também decaiu.

Na sua opinião, qual o momento marcante da Ponte deste campeonato?

Não dá para eleger nenhum gol ou vitória, porque desmerece outros que foram feitos e que foram fundamentais neste resultado final. Claro que teve jogos em que a Ponte se mostrou como time de chegada, os dois contra o Bragantino, por exemplo, foram difíceis e o time soube superar. E aquele primeiro contra o Náutico, em que ganhamos com dez jogadores em muita raça. Esses marcaram bastante, mas não dá pra eleger um mais bonito.

E no elenco, algum destaque em sua opinião?

Vários jogadores se destacaram muito, mas um que para mim teve performance muito boa foi o Fernando Bob, ele fez o meio de campo da Ponte andar, defendeu, foi de grande utilidade para o futebol da Macaca.

E quanto a nosso técnico campeão, o Guto Ferreira?

É um treinador que vem crescendo, é novo ainda, não tem tantos jogos na carreira, mas vem se tornando a cada dia mais um técnico de primeira linha. Sabe muito bem mudar o time, tem dinâmica excelente, para mim está entre os melhores brasileiros.

Muita gente aponta a sua presença no CT, em um momento em que o time vacilou diante do Atlético Goianiense, como o ponto em que o time engrenou de vez. Como o senhor avalia sua influência nesta campanha?

Não posso dizer que foi minha presença lá, realmente o time que já vinha subindo de produção e se acertando. Acho que ajudou em alguma coisa porque eles estavam um pouco desesperançosos, os jogadores precisam de um pouco de carinho, um pouco de companhia. Fui naquele dia e a partir de então passei a ser companheiro deles nesta batalha, conversado com todos sem grandes cobranças, mas de perto. Quando tem um dirigente que acompanha de perto, dá um sorriso, um “vamos lá gente”, isso ajuda. Estive lá em uma hora em que o time estava precisando de alguém que desse o apoio moral, o deixasse tranquilo para jogar futebol. Isso ajudou, mas o trabalho do Guto foi sensacional, a equipe jogou muito em todos esses jogos, desde aquele jogo do Náutico, fez um campeonato extraordinário.

E o trabalho dos dirigentes alvinegros nesta campanha, como o senhor avalia?

No futebol o Kazuo foi muito bem, mas destaco em especial o Gustavo Bueno, que fez um trabalho sério, de contratação e de montagem de equipe que valeu a pena. Errou muito pouco. Quando se erra pouco, as coisas vão bem.  dos últimos dirigentes foi o melhor de todos, trouxe quem deu resultado e encaixou direitinho. O Gustavo, junto com o Guto, foi peça de importância fundamental.

E a torcida, presidente?

A torcida da Ponte nem precisa falar, é fantástica ! É em Campinas, fora de Campinas, em todo lugar, ajuda o time onde quer que vá, deixa a marca dela, sempre com grande presença e mérito.

Para finalizar, o senhor não sabe ainda se poderá assumir a presidência, mas a chapa de situação, que segue a sua ideologia, foi eleita em um pleito sem concorrentes. Como o senhor avalia isso e quais são as prioridades agora?

Acho que o fato de ter sido eleição de chapa única mostra que o trabalho que está sendo realizado é interessante para a Ponte, então não se consegue nem formar outra chapa porque a maioria pontepretana quer a continuidade do que se está sendo feito. Quanto ao ano que vem, no Paulista queremos manter a comissão técnica atual e a espinha dorsal do time atual, trazendo ainda alguns reforços pontuais e usando alguns atletas da base. São só 28 jogadores que podem ser inscritos e queremos ir o mais longe que pudermos, mas o Paulista será laboratório, com plantel reduzido, para irmos formando um bom time para a série A. Fora do campo, o foco mais destacado será a Arena, que está indo bem. Com a lei que permite a obra valendo e nós assinando em breve o acordo com os investidores, vai ser só correr para construir e aí é só alegria. 

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