Sheik diz que gol contra o Sol coroou o trabalho feito até agora: “Espero que a galera esteja gostando, porque quero continuar nessa pegada”

Foto:PontePress/FábioLeoni

Emerson Sheik avisou que o bicho ia pegar assim que chegou ao Majestoso e manteve a promessa: desde que estreou com a camisa pontepretana foi 100% dedicação em campo, correndo, dando passes e assistências, carrinhos, chapéus, às vezes até continuando a jogar após o apito final e chamando atenção dando “canetas” (há até quem o chame de ‘Shakaneta’ nas arquibancadas). Na noite de quinta, o atleta – que treina hoje com o elenco, mas não embarca para Santa Catarina por estar suspenso – marcou o primeiro gol com a camisa alvinegra e ainda levantou a torcida dando chapéu em um atleta paraguaio no finzinho do jogo. Feliz, o jogador comenta este bom momento.

“O primeiro gol veio premiar tudo aquilo que venho fazendo durante estes 40, 50 dias. Eu não estava ansioso por ele, porque já estava muito satisfeito com o que vinha fazendo no dia a dia, nos jogos, no meu entrosamento junto aos meninos. O gol veio coroar minha postura, afinco, entrega pela Ponte. Lógico que qualquer atleta fica feliz em fazer o gol, talvez seja o momento mais mágico em uma partida, mas, como disse, já estava bem contente com o que venho fazendo”, diz.

O atacante revela que a felicidade maior foi ver a alegria da torcida e compartilhar o momento com os colegas de elenco – os “meninos”, como ele diz. “A comemoração do gol pra mim ontem foi até mais especial que o gol em si, porque os meninos veem minha entrega no dia a dia e todos eles estavam torcendo mesmo para que eu fizesse, o torcedor também queria muito. Então faço um balanço positivo da minha atuação aqui na Ponte e vou continuar nessa  pegada, espero que a galera esteja mesmo gostando, porque a intenção é continuar assim até o fim do meu contrato”, pontua o atleta, que tem contrato assinado até o final do ano.

Sheik relembra que assinou por este período por ter se interessado pela proposta da Ponte, e prefere não planejar nada além disso por enquanto.”Meu foco são seis meses de plena dedicação para a Ponte e depois disso não posso falar até pra não gerar nenhum mal estar ou esperança pra mim e até pro torcedor, porque de repente daqui a pouco começo a jogar mal e vão querer que eu vá embora. Então o que quero é focar até dezembro e espero que até lá o torcedor tenha esse carinho e respeito por mim, até porque a energia e a ajuda deles é muito forte, muito grande.”

Ele faz um parêntese para falar o que o encantou no projeto apresentado pela Macaca. “Ganhei tudo pelos clubes que passei e o projeto da Ponte de fazer um ano diferente de todos os anos que já fez até hoje foi situação que me chamou a atenção. Não sei se vamos conseguir o que queremos, mas participar de um momento desse em um clube que tem esta história já é de certa forma um título diferente pata mim, talvez não um título de levantar troféu, mas de atuar bem em um time que tem um investimento ‘x’ contra outros que têm 15x. Então vou me dedicar para alcançar esta meta e sair daqui realizado e feliz por tudo o que fiz”, afirma.

Ele complementa: “Cada um tem história por onde passa, constrói sua história dia a dia, treino a treino, jogo a jogo. Tenho pouco tempo para construir uma história bacana, mas no tempo em que estiver aqui quero fazer diferente, ser lembrado com carinho e admiração pelas pessoas que ficam. Fiquei seis meses com a família num momento em que entendi que devia estar comas pessoas que mais amo no muno, mas queria voltar e voltar bem. Tinha certeza que haveria dúvida ia vir por parte de muita gente, mas quem me conhece não tinha essa duvida. A Ponte foi escolha pessoal minha, tinha muitas outras ofertas e eu quis vir pra cá, achei o projeto au interessante, independentemente de se a gente vai conseguir ou não. Falei já na coletiva de apresentação que era um desafio pessoal voltar a jogar bem, me dedicar. Tenho feito isso e vejo no semblante das pessoas que estão satisfeitas.”

O jogador finaliza o tema dizendo que não deixa que os elogios o façam perder foco. “Chega uma certa idade em que você mesmo tem que ter personalidade pra falar o que faz de bom. Futebol talvez seja um esporte muito ingrato, ora você é muito elogiado  – e eu tenho discernimento pra ver isso, vejo as matérias que eu estou tá dando carrinho, caneta – e tem hora que bem cobrança. Consigo lidar com estes dois momentos de maneira muito plena, não saio de onde acho que tenho que estar pra conquistar as coisas. Se dei ou levei uma caneta, pra mim não muda muito, continuo com foco total”, diz.

Avaí, Sula, comida japonesa e tatoos

Sobre o jogo de domingo da Ponte, no qual não atua por ter tomado o terceiro cartão amarelo. Sheik diz que, ainda que o período maior para se recuperar seja bem-vindo, gostaria de estar em campo. “São duas situações: nosso jogo pela Sulamericana foi quinta e pelo Brasileiro será no domingo. É óbvio que se eu pudesse queria jogar, até porque fiquei um semestre inteiro sem fazer isso e agora quero jogar em todas as partidas que puder, mas tem a questão da parte física. Falo não apenas como atleta de 38 anos, mas de modo geral. Teve jogo nosso com intervalo menor de 72 horas, o desgaste é muito grande para qualquer ser humano”, diz.

Mas, reforça, se não fosse a suspensão ele ia para Santa Catarina. “Queria muito estar dentro de campo pra ajudar, pois acho que as responsabilidades devem ser divididas, a parada é coletiva e não tem como mudar isso. Ainda que uma hora um faça gol, outro um chapéu, todos são responsáveis. Na quinta, por exemplo, o Aranha fez uma belíssima defesa, Bob jogou pra caramba, Lins foi guerreiro, todo mundo se dedicou, ainda que nem todos sejam citados na mídia”, avalia.

Ainda sobre a partida contra o Sol de América, Sheik diz que não se surpreendeu coma retranca e a catimba do adversário. “O nome da competição já adianta como são os jogos, então é bom estar sempre prparado pra jogos como este. Eu particularmente desconhecia o Sol, mas o respeito tem que existir porque ninguém chega nesta na competição poque tem cinco ou seis atletas bonintinhos. Eles mostraram que têm uma equipe competitiva, defesa bem postada, bem armada, dificultaram muito. Tiraram paciência do torcedor e a nossa, que esperávamos talvez um jogo mais tranquilo. Mas no final, pela insistência, saímos premiados pela vitória”, acredita.

Ele comenta ainda o chapéu dado em um dos adversário nos minutos finais. “O lance do gol para todos nós, atletas, diretoria, comissão técnica, torcedores, foi um presente pra todos nós. Aí depois tentei dar uma esfriada, como o placar estava um a zero, e quis mexer um pouco com a parte mental deles. O chapéu foi para desequilibrar um pouquinho, deixar eles um pouco mais nervosos. Qualquer provocaçãozinha irritaria porque eles tinham levado um gol que, na cabeça deles, como disse o zagueiro deles após o jogo, não mereciam perder. O chapéu apareceu naquela hora e foi feito.”

Sempre disponível e disposto a falar sobre qualquer tema quando é questionado, Sheik comenta ainda sobre o fato de preferir descansar após as partidas e até mesmo sobre as muitas tatuagens que ostenta. “Os jogadores mais velhinhos não têm como evitar dor, convivem com ela nos treinos, tem que lidar. Não sofro tanto com isso, mas o cansaço é inevitável. Não saio mais para comemorar vitória, depois do jogo de quinta, por exemplo,  cheguei em casa, pedi um japa, dormi no sofá, um amigo pegou pra mim, comi, voltei a dormir e acordei uma da tarde. Mudou muita coisa”, fala, rindo, acrescentando que mora em São Paulo e tem um motorista que o leva onde precisa ir. “Chego descansado pros treinos, às vezes durmo no carro. E não moro em Campinas, mas acho uma cidade linda.”

Por fim, perguntado sobre as tatuagens de desenho animado que faz, conta que a razão disso. “Essas tatoos têm a ver com meus filhos, sempre falo das crianças porque elas são hoje minha maior felicidade. Fiz uma viagem com eles pra Disney, tiramos fotos, vários instagram e queria deixar algo mais na pele. Fiz duas, gostei, fiz um monte, agora falta os castelinhos”, brinca, e completa revelando as favoritas dele: “A do Mestre dos Magos e a do Gorpo, que é da minha época de assistir o He-Man.”

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