Gustavo Bueno esclarece imbróglio com o atacante Roger, que teve contrato rescindido por expor a instituição ao viajar ao Rio em semana de treinos

Foto:PontePress/RodrigoCeregatti

Os últimos dias foram marcados por reviravoltas em negociações com o atacante Roger. O atleta, que voltou ao clube este ano, após o Campeonato Paulista (no qual foi artilheiro), tinha acertado por duas vezes sua permanência na Macaca em 2017 verbalmente, mas acabou assinando um pré-contrato com o Botafogo-RJ. O gerente de futebol Gustavo Bueno explicou na manhã desta quinta (3) todo o imbróglio e ressaltou que o atleta tinha todo o direito de mudar de opinião, assim como de assinar pré-contrato, algo comum no mundo do futebol. Porém, o que o jogador não podia ter feito era ter ido viajar para o Rio de Janeiro para fazer exames médicos em meio a uma semana de treino, em véspera de jogo importante.

 

“Nós estamos dizendo o tempo inteiro que o time tem que focar na próxima partida, que ainda estamos na disputa da vaga, e ao fazer isso ele expõe a instituição. Por isso nossa diretoria optou pela rescisão do contrato e conversamos com ele hoje pela manhã sobre isso. Quero ressaltar que não há nada de errado em um jogador mudar de opinião e buscar uma condição financeira melhor, nem em assinar pré-contrato. O problema foi ter ido ao Rio e submetido a Ponte à esta exposição”, diz Bueno. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

 

A negociação inicial

 

“Aproximadamente há 40 dias atrás, Roger e eu conversamos a respeito de uma renovação, de uma forma verbal nós chegamos a um acerto e a partir desse momento eu procurei a diretoria da Ponte, passei a eles que essa situação já tinha sido praticamente finalizada e que faria uma reunião com o representante do atleta para chegarmos a questão contratual. Quando me reuni com seu representante para que nós finalizássemos esse processo houve uma mudança de valores e aquele valor que havíamos discutido, e praticamente finalizado, teve uma alteração. A partir daí, em cima dessa nova proposta, eu precisei, até porque a questão financeira não compete a mim, entrar em contato com a diretoria para ver qual caminho seria traçado. Conversamos novamente, fizemos uma reunião na Ponte, eu , o Hélio Kazuo, o Roger e o representante do atleta, colocamos a situação que haveria uma mudança na proposta, mas que tentaria chegar nos valores que foram pedidos. Isso foi próximo da viagem para Recife/PE. Cheguei a comentar com ele que caso a Ponte Preta tivesse ao longo de 2017 um jogador que viesse em uma condição melhor ofertada para ele, estaria disposto a colocar uma cláusula contratual em que o valor do salário do Roger chegaria nesse patamar. Porque a Ponte trabalha dentro de um orçamento e não poderia fugir disso. O jogador, por direito dele e isso tem que ser respeitado, entendia que merecia uma valorização maior. Ao tempo em que estivemos em Recife pedi para que ele e o representante esperasse até segunda-feira (31), porque sempre soubemos da importância da representatividade do Roger no elenco, para buscamos todas as forças e limites da Ponte para chegar no que ele queria.”

 

Nova proposta

 

“Voltamos de Recife e na segunda fizemos uma reunião aqui na Ponte, na sala da comissão técnica. Fiz questão que estivesse participando da reunião o Eduardo Baptista e o Cristiano Nunes e fiz uma contraproposta para ele, dentro daquilo que ele esperava e ela foi aceita pelo Roger. E ele ficou muito feliz, contente com essa situação, que tinha chego no que esperava e no mesmo momento falei que ia ligar para o presidente, para que ele valide isso, que seja fechado e que já pensamos em você como atleta para 2017. Liguei para o presidente, que validou. A Ponte Preta fez o esforço máximo para chegar nisso, dentro dos limites que tem. O Roger falou com o presidente por telefone, agradeceu o empenho e eu saí da reunião e vim para coletiva com vocês. Deixei claro que a Ponte Preta estaria brigando até o final pela vaga na Libertadores e que estávamos em processo final de renovação do Roger. Poderia até falar que estava certo, mas como sempre esperamos a assinatura do contrato, eu fui comedido nessa situação. Encontrei o Roger atrás do vestiário, temos uma relação de amizade muito forte e que estávamos muito contentes por renovarmos o contrato.”

 

Pré-contrato

 

 “No final do dia (aquela mesma segunda, 31) ele procurou um membro da comissão técnica nossa e disse que precisava falar com o Eduardo. E aí ele colocou para o Eduardo que ele tinha se equivocado e já tinha assinado um pré-contrato com o Botafogo. A partir desse momento eu fui comunicado da situação pelo Eduardo, que pediu para que ele me ligasse e passasse isso. Aí nos pegou de surpresa. A Ponte chegou no limite dela e o jogador tem direito de escolha. Não vamos questionar e cada profissional tem que procurar o melhor para si. Quero deixar claro que o motivo do desligamento do Roger pela diretoria da Ponte, não está condicionado pelo fato de ter assinado contato com o Botafogo, pois entendemos que faz parte do futebol. Sabemos que o atleta tem que buscar o melhor para ele e para a família dele. O que realmente levou a Ponte Preta ao desligamento do Roger foi que após toda essa situação, tomamos ciência através da internet, das redes sociais, que o Roger esteve no Rio de Janeiro na terça-feira de tarde, se encontrou com membros da diretoria do Botafogo e acabou fazendo exame médico.”

 

Atitude incorreta

 

 “Por pregar a importância da semana, pelo momento que estamos vivendo, pela situação importante na competição que a Ponte vive, fora tudo isso, o mais importante, pelo Roger ainda ter uma vigência contratual com a Ponte, a diretoria entendeu que a atitude não foi correta. De expor a entidade, em um encontro no Botafogo para fazer exames médicos. Isso aconteceu. E o Botafogo ainda será nosso adversário em algumas rodadas. Esses são os fatos no cenário Ponte Preta – Roger. Volto a dizer: no período que o Roger esteve aqui foi um profissional espetacular, jogando ou não sempre teve a mesma postura. Homem de caráter, de hombridade, nesses oito meses ajudou a Ponte. Talvez tenha se equivocado em algumas decisões, alguns atos, e a diretoria entendeu pelo desligamento, muito partindo do principio que não é aceitável, com contrato em vigência com a Ponte ,fazer exames no Botafogo e conversar com a diretoria do outro time.”

 

Como funciona

 

“Antes de conversar com o empresário, eu procuro sempre falar com o atleta. Saber se ele tem interesse de permanecer, se ele está feliz no clube, quais são as pretensões dele. E qual a realidade e o limite do clube. Esse é o caminho que procuro traçar com todos. Quando fomos efetivar a primeira negociação é que houve as mudanças de valores e dentro da concepção dele, ele disse que se precipitou. Eu disse que era um direito dele, que se ele quisesse uma valorização, que iríamos brigar para dar uma condição melhor

 

Limites financeiros

 

“Nós temos um limite financeiro. Dentro da política do clube eu fui comunicado que haveria um teto salarial e a gente não fugiria disso. E eu passei para o Roger que ele receberia o teto salarial da Ponte Preta. O valor desse ano é diferente do ano que vemm e eu disse que se um jogador viesse com o valor maior, eu colocaria em contrato que ele receberia. Não é comparar valores de A B ou C. Nós temos uma realidade financeira e tentamos chegar ao valor máximo permitido. A proposta final que fizemos chegou ao valor que ele queria. Não vamos falar em valores, pois seria antiético, mas posso dizer que ele receberia 30% a mais do que hoje. Negociações demandam tempo. Porque as questões financeiras precisam ser trabalhadas. Uma diferença de 20, 30 mil para um clube como o São Paulo, Corinthians é mínima. Mas para a Ponte não é.”

 

Rescisão: pré-contrato não foi o problema

“Infelizmente depois da aprovação dele da proposta que fizemos, no mesmo dia nos comunicou no final da tarde que assinou pré-contrato com o Botafogo. A questão que deixou a Ponte chateada não foi o pré-contrato. O fato é a ida ao Rio de Janeiro, a reunião com pessoas ligadas ao Botafogo e o próprio exame médico que foi feito, em uma semana que nós temos que enfrentar um adversário dificílimo que é o Santos. Nós estamos brigando por uma vaga, e ele é uma liderança da Ponte. É uma atitude que nos pegou de surpresa e que a diretoria não aceitou, e que culminou com a rescisão do contrato. Poderia ter recebido a proposta antes? Poderia ter fechado antes e já ter assinado antes? Poderia. Volto a dizer. Não tenho nada contra o Roger. Temos amizade desde o juvenil. O que pegou foi ele ter ido ao Rio de Janeiro para fazer exames. O pré contrato faz parte do futebol.  É algo normal. A partir do momento que teve essa exposição da entidade Ponte Preta, e que o nosso capitão sai de Campinas e vai para uma reunião e faz um exame médico no Botafogo. A partir disso houve por parte da diretoria a opção pela rescisão do contrato. Conversei com o Roger agora de manhã, falei o que eu diria aqui na coletiva. A gente sempre respeita a decisão dos atletas. A verdade foi colocada aqui de uma maneira muito tranquila.”

 

Erro

“Às vezes as pessoas tomam decisões precipitadas. E nós, como seres humanos, somos falhos e podemos nos arrepender dessas decisões. Algumas são reversíveis, outras não. Eu percebo que o Roger se arrependeu dessa exposição, dessa situação. Só que não existe pré-julgamento. As pessoas erram. Não existe mágoa. Conversamos de manhã. Ele não aceitou a rescisão, ficou triste com a decisão tomada pela diretoria. No entendimento dele, ele merecia uma desculpa por tudo que ele fez. Ele não ficou feliz com a maneira da rescisão. Eu disse para ele se colocar no lugar da diretoria. Tentar trocar um pouco de lado. Ele não se negou a assinar a rescisão. Houve um erro e o preço foi esse.”

 

Foco

 

“Ficamos extremamente chateados com essa situação. Não gostaríamos que tivesse chegado nesse ponto. Talvez se não tivesse toda essa exposição, teríamos contornado de outra maneira, como sempre buscamos fazer. Disse ao grupo para que isso não tire o foco no nosso objetivo. Temos que nos fechar e nos unir para brigar pelo G6 ou G7, temos um compromisso difícil contra o Santos e precisamos que os jogadores entendam isso.”

 

 

 

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