Roberto fala sobre a preparação da equipe, a visita na Casa da Criança Paralítica e esclarece se foi ele quem levou o primeiro gol de Cristiano Ronaldo

 

 

A Ponte Preta treina na manhã desta sexta-feira (17) no Moisés Lucarelli e, a poucos dias da estreia no Campeonato Paulista, o goleiro Roberto comenta sobre a preparação da equipe. O arqueiro fala em superação para fazer um bom jogo diante do Ituano, no domingo (19). É esse espírito, aliado à força de vontade, que o goleiro da Macaca tenta incutir naqueles que estão chegando. 

“Nós sabemos que vai ser um campeonato um pouco mais difícil, porque as equipes grandes vão dar ênfase total ao Paulista. Mas temos os nossos objetivos e temos que buscá-los. Como falei na Sul Americana, a Ponte não pode mais ser a mesma depois de ter sido a segunda melhor de um torneio internacional. Desde aquele momento temos que brigar por títulos e tentar chegar próximo deles até conquistarmos. Aos atletas que estão chegando aqui, nós estamos tentando por isso como filosofia de trabalho, mostrar que a Ponte não é um passatempo, é uma equipe que tem que chegar e buscar novos objetivos”, diz.

O camisa 1 reforça: “Espero que o pessoal se adeque a essa nova realidade e nós consigamos nos unir o mais rápido possível, nos acertarmos dentro de campo. Claro que ainda faltam algumas peças, mas com os que temos precisamos nos adequar o mais rápido à filosofia de trabalho.” O jogador, que não esconde que o grupo ainda sofre com ausência de algumas peças para a formação completa do grupo, mas garante que no decorrer do campeonato a situação tende a melhorar.

“Nós sabemos que temos algumas posições em que precisamos de atletas pra não ter que improvisar. O que o Sidney procura nos passar e o que nós também estamos conversando entre nós, é que nós vamos com o que tem. É lógico que não é fácil. A diretoria está trabalhando para não errar nas contratações, disso temos certeza, para trazer jogadores que possam vir, vestir a camisa da Ponte e jogar. E isso leva um pouco de tempo a mais. O que nós precisamos fazer, nós que já estamos, é dar suporte para as pessoas que chegam, para que já saibam que vai ter dificuldade, mas ao longo do campeonato as coisas vão se encaixando e o quanto mais rápido nós pegarmos a filosofia do Sidney, melhor”, diz.

O goleiro, porém, faz questão de frisar que quem entrar em campo, seja famoso ou não, na posição de origem ou improvisado, tem que dar o máximo. “Eu já comecei campeonato com nove atletas profissionais e o resto da base do Criciúma, em 2005. Nós fomos crescendo durante a competição, passamos a primeira fase e na hora que as peças chegaram nós conseguimos ser campeões. Fomos campeões catarinenses. Futebol é muito isso. Mesmo improvisado, se o atleta atuar o máximo e fizer a função, embora não seja a dele, e acontecer esse encaixe, a equipe vai. Às vezes nomes não vêm muito ao caso, o que importa é quando entra em campo e a equipe entende a filosofia de trabalho”, afirma.

Roberto ressalta ainda o fato da equipe não poder se preparar da forma adequada, por conta do calendário atual do futebol brasileiro. “Volto a falar sobre a questão da pré-temporada. Além de nós não termos um time praticamente formado. Nós temos pouco tempo para trabalhar. Isso dificulta mais. Já vou puxar um pouco para o lado do Movimento do Bom Senso. Nós sabemos que em 15 dias não dá para você trabalhar todas as valências necessárias para começar o campeonato. E ainda ocorre que ainda temos déficit em algumas posições, o que vai dificultar um pouco mais. Mas isso não é desculpa na hora que entrarmos em campo. Quem estiver improvisado vai fazer o melhor. Estamos tentando minimizar isso. Entrou na arena, não interessa se está com problema em casa, se não estiver em condições diz que não vai dar e põe outro no lugar, não tem problema. Mas todos que estão entrando podem ter certeza que vão tentar dar o máximo”, enfatiza. 

Ele comenta um pouco mais sobre o quão importante é essa etapa de preparação do jogador e de como as férias fazem parte desse processo. “Eu quero deixar bem claro que nós, atletas, não reclamamos de jogar. Se tivermos que jogar 100 partidas no ano não tem problema, a gente joga. É o que mais gostamos de fazer. Só que precisamos de um tempo hábil para se preparar, para suportar aquela carga e algumas pessoas não entendem isso. É difícil por na cabeça delas isso, que é uma coisa básica, simples. Todo trabalhador tem um mês de férias e nós também precisamos. Eu acabei o ano passado todo arrebentado, fiquei dez dias sem fazer nada e foi aí que parei de sentir a lesão que tive no adutor. Queremos só um tempo hábil para preparação. Mas nós não temos hoje. Vamos reunir o máximo de força necessária, de descanso, para chegar em campo e conseguir render. Temos que enfrentar o adversário e ser inteligentes. Vamos esperar que a torcida tenha um pouco de paciência. É complicado pedir isso, mas vai te que ter, porque estamos em déficit de preparação e essas equipes que estão treinando há mais tempo, estão com a valências físicas melhores que as nossas. Vamos ter que ter um pouco de paciência, mas não podemos nos acomodar, porque é um campeonato mais curto esse ano. O tempo é o nosso inimigo.”

 

Visita à Casa da Criança Paralítica

 

A quinta-feira também foi um dia especial para o arqueiro pontepretano, por conta de uma visita à Casa da Criança Paralítica de Campinas. O atleta faz questão de falar sobre o que sentiu na instituição. “Foi uma emoção especial o que eu senti lá. Sempre participei durante minha faculdade de ações parecidas, fiz estágio nas APAEs e ontem fui conhecer uma instituição espetacular. As pessoas que trabalham lá fazem aquilo com muita vontade e por amor. Dá para ver pela alegria que elas trabalham, pela organização, pela limpeza, enfim, tudo o que eu ví lá foi maravilhoso”, diz.

O atleta conta como conheceu a Casa. “Um torcedor veio me pedir se eu poderia doar uma camisa para esta instituição caso fossemos campeões da Sul-Americana. E eu falei que sendo ou não eu iria dar a camisa, que foi leiloada em troca de alimentos e o movimento arrecadou quase uma tonelada. Fui lá fazer a entrega e para mim eu fui o que menos fez. Nem carregar alimento eu carreguei por causa dos treinos, as pessoas ali fizeram o trabalho pesado e merecem todo reconhecimento. Eu simplesmente peguei uma camisa minha e doei. Isso é muito pouco, perto do que podemos fazer. Vou ver se consigo levar a rapaziada aqui no clube para viver essa realidade e ajudar também”, afirma o goleiro.

Roberto se sentiu tão envolvido com o trabalho realizado pelos profissionais da Casa da Criança Paralítica que quer estreitar relações com a instituição. “É uma instituição que ajuda pessoas que dependem do físico. Pessoas que vivem do físico como nós. É importante ir lá. Quando eu fazia estágios nas APAEs, na época de faculdade, eu mudei muito minha maneira de pensar à respeito da vida. Porque eu vi outra realidade, vi outras pessoas, a dificuldade das pessoas. E somos muito egoístas.Somos pessoas perfeitas que reclamamos demais. E hoje tinha um molequinho lá que tinha essa dificuldade. Ele é normal, mas da maneira dele, com suas limitações. E o sonho dele era dar um chute. Ficar em pé e dar um chute numa bola. E isso eu faço diariamente várias vezes. Isso toca bastante. Algumas pessoas tem que presenciar para dar um pouco mais de valor. Para quando acordar de manhã e vir trabalhar , vir com um pouco mais de ânimo. Vou falar com o pessoal para irmos lá para divulgar. Normalmente quando eu faço alguma ação social, não fico falando, acho que não precisa, mas eles me explicaram que é importante mostrar o nome deles pra que as pessoas conheçam mais, então vamos fazer isso”, diz.

O atleta completa contando aos torcedores uma forma de se ajudar. “Se você quiser doar, pode ajudar com nota fiscal. Eles têm um trabalho lá que pegam notas fiscais, pegando essas notas e revertendo em valores que representam 35% da renda da instituição. Várias coisas que podemos ajudar sem tirar um real do bolso. Foi muito importante para mim. Faz bem para o coração. Se eu puder eu vou levar a rapaziada lá e também trazer eles aqui, porque é importante. Não sabemos a força que temos e só o fato de saberem que o Roberto, goleiro da Ponte estava lá, ficou marcada na minha vida e na deles também pela emoção e tratamento que tiveram comigo. Marcou o início de uma ajuda mútua. A hora que precisarem de mim, da minha imagem, podem me chamar, que se eu estiver disponível, eu vou com certeza atender.”

Cristiano Ronaldo

Na coletiva de imprensa ontem, Roberto também contou um caso interessante que aconteceu em sua carreira. O atleta viu de perto o surgimento do hoje melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, quando atuava em Portugal. Mas ele não estava em campo na partida que CR7 fez o primeiro gol e sim no banco de reservas.

“Eu estava no banco no primeiro jogo do Cristiano Ronaldo como profissional. Foi Sporting Lisboa x Moreirense. Ele fez dois gols na partida, nós perdemos por 3 a 0, e um deles foi um golaço. Quando cheguei no hotel que eu morava, todos estavam falando do gol dele e esperaram eu chegar no hotel para comentar a respeito. E eu falei que ele era muito veloz e muda de direção muito rápido, tem o controle da bola muito fácil e era um grande jogador. E um senhor benfiquista falou: ‘isso aí foi sorte, logo ninguém vai falar dele’. E eu disse que o Miúdo (porque eles o chamam assim) era um bom jogador. E o senhor respondeu: ‘Tu não entende nada de futebol também!’ Me esculachou junto”, conta Roberto, rindo.

Mas o goleiro retrucou – e acertou. “Eu disse que então nós iríamos ver dali a alguns anos o que iria acontecer. O engraçado é que até hoje o pessoal me liga. Acha que eu fui o primeiro goleiro que tomei gol dele. Mas não fui eu, estava no banco. Ele pegou a bola no canto da defesa e saiu driblando todo mundo e foi parar na arquibancada. Quando nosso goleiro viu, ele já estava comemorando”, afirma Roberto.

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