Roberto fala sobre cobranças e clama apoio do torcedor no Brasileiro: peço encarecidamente que o torcedor não nos abandone, vamos sair desta juntos

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Líder do grupo e elogiado pela garra que sempre apresenta em campo, o goleiro Roberto é um dos atletas que mais tem sentindo a fase difícil que Ponte Preta vem passando. Ao sair de campo na partida contra a Portuguesa, na última quarta, o jogador fez um forte alerta aos colegas de elenco sobre a necessidade de todos se esforçarem mais pela Ponte Preta (“Isso aqui é Ponte Preta, isso aqui tem história”, bradou). No treino de ontem foi a vez da diretoria de futebol cobrar efusivamente o elenco e os próprios atletas conversarem entre si e, em entrevista coletiva após a atividade, o camisa 1 da Macaca falou sobre os dois momentos

 

“Foi uma conversa muito produtiva, até em cima da entrevista que eu dei após o jogo. Quero deixar bem claro que em momento algum não estou me isentando da culpa. Se a situação está ruim e principalmente tomando gols, o responsável sou eu: eu que estou jogando, sou o goleiro, comando a defesa e sei da minha responsabilidade”, afirma Roberto, acrescentando que o grupo está buscando solucionar os problemas

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“A conversa de ontem foi boa, eu nunca fui de externar e de falar essas coisas, tanto que não citei nomes na quarta porque são coisas tem que ser faladas olho no olho. Mas o que eu preciso enfatizar para o torcedor é que estamos tentando e tudo que pode ser feito faremos, com conversa, cobrança e trabalho. Hoje teve uma cobrança um pouco mais forte, mas ninguém está fora de foco. Está todo mundo focado, ligado e nós queremos sair dessa situação o mais rápido possível. Ninguém quer ficar nessa situação”, diz.

 

O arqueiro destaca que o grupo alvinegro já teve conquistas neste ano e quer continuar conquistando, no entanto precisa do apoio do torcedor mais do que nunca. “Nós vamos sair dessa situação, mas precisamos muito do apoio da nossa torcida. O torcedor não pode nos abanadonar. Se nos abandonar vai ficar complicado. Precisamos da torcida do nosso lado porque ajuda. Você ser xingado pelo torcedor adversário te motiva, agora,  ser xingado pelo torcedor do seu próprio time, até para nós que somos mais experientes, o cara sente. Peço encarecidamente que o torcedor não nos abandone porque nós vamos sair dessa situação juntos”, diz o goleiro.

 

Roberto também salienta a importância do discurso do técnico Jorginho para um melhor entendimento entre os atletas. “O Jorginho foi muito feliz na conversa conosco. Por isso falo que a experiência demanda muito. Eu tenho 34 anos, o Edson tem 33 e tem jogadores que tem 21, 22 anos. O Jorginho disse que às vezes eles veem de uma forma e nós vemos de outra. Eu coloco de uma forma, e outro jogador coloca de outra. É isso que dá, às vezes, conflito de informações”, diz.

 

Desta forma, acredita o jogador, muitas conversas acabam ficando mais exaltadas, o que é plenamente justificável no momento pelo qual a equipe passa. “Dois ou três falam em prol do mesmo objetivo, só que de formas diferentes. A mesma coisa dentro de campo. Uns pedem ‘por favor’, eu não peço. Eu já falo para o pessoal que trabalha comigo, que se acostume. Eu fui criado assim. No começo da minha carreira era pancadaria direto em Criciúma. Os renegados de todos os clubes do Brasil iam para lá e eu fui criado assim. A cobrança foi um pouco mais forte e ela tem que ser, porque a situação não está legal.”

 

Roberto ressalta ainda que ninguém no elenco que estar na zona de rebaixamento. “Nós queríamos estar brigando lá em cima, mas as coisas não estão acontecendo e alguns detalhes estão culminando nas derrotas. Às vezes as pessoas podem achar que estamos aqui de sacanagem, mas ninguém quer estar nessa situação, eu não quero estar nessa ituação. Trabalhei muito após sair do Vasco, em 2008. Foram cinco anos de pegar picareta mesmo e trabalhar forte. Então essa oportunidade que tenho hoje  eu não vou perder e eu quero que as pessoas venham no mesmo pensamento que o meu. Uma hora vamos conseguir por na cabeça deles e isso vai ser o mais rápido possível.”

 

Neste sentido, na opinião do jogador, as conversas de ontem foram fundamentais. “Eu gosto dessas cobranças, quando dão opiniões, que o cara demonstra que está sentindo. A gente vai conseguindo tirar das pessoas porque vê que elas se tocaram, se doeram e põem para fora, porque corre sangue na veia. Se não correr sangue na veia, pode esquecer. E ontem vimos que as pessoas não querem externar, mas o sangue está correndo na veia, sim”, diz o goleiro.

 

O atleta da Macaca também fez um novo alerta aos companheiros de elenco. “Eu sou profissional há 15 anos. Nós já trocamos o Guto, o Carpegiani e agora estamos com o Jorginho. Não sou eu que tenho que falar para a rapaziada que daqui a pouco a foice vai passar do lado dos atletas. Isso é óbvio. Você está no futebol, tem que saber onde você está. Se você está em um carro de corrida, tem que saber o que está fazendo. Quem está aqui, creio eu, tem a consciênci do que pode fazer e daquilo que pode acontecer”, afirma Roberto.

 

Quanto à partida contra o Internacional, o jogador espera muita atitude em campo de todo o elenco. “Nós estamos aí em uma situação complicada. São cinco derrotas e temos que ganhar. Vai ser um jogo bastante difícil, mas estamos em um momento em que todo o jogo é difícil, temos que saber disso e trabalhar para fazer o jogo se tornar um pouco menos difícil para o nosso lado e conseguirmos nosso objetivo. Nós estamos em uma situação muito complicada para reverter e nós nos colocamos nela. Não pode ter desconfiança. E a torcida não pode desconfiar, senão complica e nós precisamos do torcedor.”

 

O camisa 1 completa: “ No exato momento, quem tem dúvida de que podemos sair dessa situação não vai ajudar. Tem que ir quem está focado e que tem a consciência de que dá. Aí nós vamos conseguir. Vai quem quer, se não quer, acha que não vai dar, pede para sair. Às vezes você não vai ser covarde, só vai estar abrindo mão de uma situação que você não tem força para ajudar. Se em algum momento eu achar eu não estou mais ajudando é a hora de pegar o chapéu. O teor da conversa de ontem foi esse. Estamos muito incomodados e temos a consciência que temos que aumentar o nosso aproveitamento para 50%. No segundo turno temos que fazer  dez vitórias, no mínimo. Quando que vai acontecer? Não sei. Espero que seja o mais rápido póssivel.  Vamos fazer de tudo para que seja sábado.” 

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