Roberto comenta atitudes racistas não só no futebol, mas na sociedade, e acredita que impunidade incentiva estes atos; jogador também avalia a situação da Macaca no Brasileiro e quer vitória urgente para equipe brigar pelo acesso

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Um dos assuntos mais discutidos neste início de semana foram as atitudes racistas sofridas pelo lateral-direito do Barcelona e da Seleção Brasileira, Daniel Alves. A Ponte Preta, como uma das principais entidades a defender a democracia racial no futebol, se posicionou prontamente a favor do atleta e o capitão Roberto, um dos líderes do elenco e atleta sempre engajado em atividades para promover uma sociedade mais justa, comenta o quanto são lamentáveis atitudes deste tipo na nossa sociedade.

“Eu tenho um pensamento de que há pessoas que pensam com a bunda e sentam com a cabeça. O racista é este tipo de pessoa, podemos dizer que é a escória da humanidade. O que resta da parte mais podre da sociedade é este tipo de gente, que julga os outros pela cor, religião, orientação sexual. São pessoas que tenho certeza que não são felizes nem consigo mesmas e querem julgar e atingir os outros”, afirma Roberto, com veemência.

Ele vai além na análise: “As pessoas fracas são assim. Para se acharem fortes, elas têm que tentar diminuir os outros e é o que nós vimos no caso do jogo do Barcelona. Acontece não só no futebol, masem todos os lugares. Só que tudo que acontece no futebol é mais explícito. Quem é responsável por ver e coibir isso muitas vezes fecha os olhos. Mas quando acontece no futebol tem que abrir os olhos, porque é muito público e notório.”

O goleiro ressalta, porém, que mesmo com fatos tristes como esses, mantém a fé no ser humano. Contudo, faz cobranças para que se diminuam essas atitudes. “Eu sempre acredito que os bons ainda são a maioria, mas os bons estão quietos. Aqueles que têm de agir estão muito quietos e isso que nos preocupa. Não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”, pontua, citando a famosa frase do líder afroestadunidense Martin Luther King, um ícone ao combate ao preconceito nos EUA que acabou assassinado pelas crenças de igualdade que defendia.

“Os bons tem que começar a agir porque daí vamos começar a fazer com que estes poucos maus que existem sejam execrados. O racismo é crime e as pessoas cometem isso ainda. O racista sabe que se cometer um crime ele vai sofrer uma pena branda ou não tão severa quanto ao ato que ele está cometendo. E não é só no racismo. Em todos os outros crimes no Brasil acontece isso. Eu converso com amigos meus da área do direito e eles falam que nós temos um código penal ultrapassado e que tem que mudar senão essas coisas vão continuar acontecendo, até tomar proporções ainda maiores”, avalia Roberto.

O atleta relembra um fato marcante que ocorreu na sua época de juvenil, como exemplo de como algumas atitudes, mesmo que mais simbólicas, podem ser adotadas no combate a crimes deste tipo. “Teve um gol contra o Vélez, lá na Argentina que eu comemorei imitando um macaco. Não só pela Ponte Preta, mas porque as pessoas estavam provocando. Uma vez quando eu era juvenil, estávamos jogando e um atleta do time adversário foi reclamar e chamou o árbitro, que era negro, de macaco. O juiz nem precisou apresentar o cartão vermelho. Nós partirmos para cima do rapaz, o time todo, e acabamos ali mesmo falando para o árbitro que não precisava expulsar, porque nós íamos punir ele. Falei com o capitão do time dele que a melhor maneira de puni-lo é não tocar a bola para ele. Eu disse que pegaria um jogador do meu time e deixaria ele do lado dele, para não ser prejudicado, mas que eles não tocassem mais a bola para o jogador. E assim foi e o rapaz pediu para ser substituído. Se acontecesse isso no profissional ia ser muito mais notório. Punimos da nossa maneira. O árbitro achou excelente e até ficou um pouco emocionado”, recorda.

 O camisa 1 da Macaca não esconde sua insatisfação quando vê ações deste tipo dentro dos estádios. “Crime é crime, em qualquer lugar. Não é porque estou dentro de um estádio que a lei deixa de valer. Nós temos que saber punir, tem que haver punições mais severas, porque aí a pessoa vai pensar duas vezes antes de cometer. As leis têm que ser feitas para os cidadãos que são de bem e não para o bandido. Eu penso duas vezes antes de cometer algo errado, porque eu sei que não quero ser punido, procuro andar na linha, porque senão eu posso ser preso. Mas no campo de futebol há pessoas que acham que podem fazer o que quiserem. Cobrança vale, mas racismo e homofobia é crime e dentro do estádio de futebol deveria ser muito mais punido, porque tem mais destaque na mídia”, afirma Roberto.

Futebol

Dentro de campo, Roberto não está satisfeito com a situação do time. Para ele, a Ponte poderia estar com mais pontos na tabela de classificação. No entanto, o camisa 1 acredita que a equipe está no rumo certo e que em breve a primeira vitória no Campeonato Brasileiro virá.

“Os dois empates para as nossas pretensões não foram bons. Nós temos que ganhar e buscar vitórias fora. Estamos hoje abaixo da meta esperada, mas na medida do possível, temos que  trabalhar em cima de resultados positivos. Nessa fase que estamos, de mudança e transição, é melhor trabalhar do que se fosse em cima de uma derrota, pois em termos de pontuação não foi legal. Tínhamos que ter ganho em casa e esse último jogo contra o Atlético Goianiense também era passível de somar mais pontos”, acredita.

Nas contas do goleiro, a Ponte deveria estar com seis pontos e tem dois. “Então estamos quatro pontos abaixo do esperado. Se nós conseguirmos vencer o jogo, e temos que vencer contra o Luverdense, vamos acabar a meta de três jogos em que tínhamos que ter somado sete pontos com um déficit de dois. É uma diferença que não é muito grande, mas no final ela conta. Temos que minimizar isso no começo, para fazermos um campanha tranquila”, alerta o arqueiro.

Roberto valoriza o período sem jogos no meio dessa semana, para que o treinador Dado Cavalcanti possa melhorar a qualidade da equipe. “Essa semana vai dar para o Dado ver o que ele quer e nós temos que atender o mais rápido possível. Vai ser bom porque nós temos uma sequência na semana que vem de jogos nos meios e fins de semana, e aí não dá para trabalhar. É aproveitar essa semana, se enquadrar ao máximo, para que as vitórias venham”, diz.

Roberto finaliza mostrando quais são as intenções da equipe em termos estatísticos nesses primeiros dez jogos, antes da parada da Copa do Mundo. “Nós temos que fazer neste tempo antes da Copa no mínimo 18 pontos ou acima disso. Porque vamos estar trabalhando em torno de 60% e 65% e é o que nós precisamos para subir. Lógico que não é possível fazer os 30 pontos, que seria o ideal, mas hoje já não dá mais. Então o mínimo é 18 pontos que vamos trabalhar.”

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