Que zica, que nada: noite foi mesmo de Ademir! Reveja o gol do atacante pontepretano

Zica, na gíria, significa algo muito ruim, uma confusão, uma maré de azar. Zica também era o apelido do menino Ademir na base da Ponte Preta porque, quando ele chegou – conforme o próprio atacante revela – costumava usar a palavra praticamente a cada frase proferida aos colegas, para brincar com eles. Mas ao menos na noite de sábado, a zica passou longe de Ademir. Quando entrou no jogo, no segundo tempo, o garoto foi pra cima do Audax com velocidade e, em um passe de Rossi, balançou as redes e garantiu a primeira vitória da Ponte Preta de 2014, em pleno Majestoso.

“Foi uma sensação de alívio e felicidade. Desde o momento em que consegui ganhar velocidade, chutei pro gol e então olhei pra torcida. Vi primeiro eles comemorando, depois gritando meu nome… foi uma sensação inexplicável”, diz o garoto que até pouco tempo atrás ainda disputava a Copa São Paulo e neste ano foi elevado ao time profissional.

Ele conta que, antes mesmo da partida de ontem, recebeu apoio e uma espécie de “premonição” do colega de posição, o mais experiente Alemão. “Dentro do vestiário, antes do jogo, ele falou que eu ia entrar pra fazer gol. Eu também dei força pra ele.  Aí o profesor Sidney me colocou na hora certa e eu correspondi, foi um belo trabalho”, afirma, sem esconder um certo nervosismo de se ver como centro das atenções.

Pelo gol em si, Ademir se mostra muito grato não só a Rossi e aos colegas de elenco que o ajudaram durante a partida. “Agradeço a Deus e dedico pra minha bisavó. Ela me criou, criou meu pai também. Dedico pra ela, pra minha família, minha namorada… minha família é super grande, depois do jogo mandaram, mensagem (pelo celular), recado da porta do estádio. E agradeço a torcida, que me deu força pra caramba”, diz.

O camisa 18 conta que se inspira no atacante italiano Mário Balotelli. “Mas só dentro de campo”, diz, entre risos, “me inspiro nele, li sobre a história de vida dele, que foi difícil. Vim da zona sul, de uma comunidade normal. Cheguei aqui na base, sou alegre, brinco com todo mundo, dou apelido, recebo apelido, normal, estou ai”, afirma.

Por falar em apelido, ele revela que, além de “zica”, também possuía outro apelido na comunidade: “negro gato”, como na versão da música “Three Cool Cats” que ficou famosa na voz de músicos como Renato e seus Blue Caps, Roberto Carlos e Marisa Monte. A diferença é que, se dar seguimento ao caminho que iniciou ontem, com os pés no chão e muita dedicação, a história de Ademir “não será de amargar” e nem fará ninguém chorar, ao menos de tristeza.

 

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