Primeira democracia racial do futebol, Ponte Preta assina carta contra o racismo no esporte

Fotos: PontePress/DiegoAlmeida

Primeira democracia racial do futebol, com afrodescendentes tanto dentro do campo quanto no quadro diretivo desde a fundação, em 1900, a Ponte Preta assinou nesta terça-feira (17) , a “Carta de Campinas contra o Racismo no Futebol”.  Assinado em cerimônia na Prefeitura de Campinas, o documento é um compromisso para que sejam combatidas as ações de preconceito racial no esporte e recebeu contribuições – e tem centenas de assinaturas – de pessoas e entidades como movimentos antirracistas, clubes de futebol, universidades, secretarias municipais, comissões de direitos humanos, sindicatos,  vereadores, presidentes de partidos políticos e religiosos.

“A Ponte Preta é a pioneira no combate ao racismo com o primeiro jogador negro, diretores negros, atual presidente do Conselho negro. Esta é uma luta que sempre tivemos, não admitimos aqui qualquer espécie de preconceito, e não poderíamos ficar de fora de um evento que fortalece todo o movimento de combate ao racismo no futebol e no esporte como um todo”, destaca Jerônimo Tognolo, vice-presidente da Macaca, que representou a instituição na assinatura da carta.

Primeiro presidente negro do Conselho Deliberativo da Ponte Preta e no exercício do segundo mandato, Tagino Alves dos Santos também foi signatário da carta. “Por tudo que é e que representa, a Ponte Preta já simboliza o combate ao racismo no esporte e faz parte desta luta desde sua fundação. Lutar contra o racismo, porém, é uma obrigação moral de todo cidadão e de todo clube de futebol e esta carta enfatiza esta noção”, diz.

Edna Almeida Lourenço, ativista do Movimento Negro e fundadora da Associação dos Religiosos de Matriz Africana de Campinas e Região (Armac), enfatiza a relevância da Ponte dentro do combate ao racismo. “A Ponte Preta tem destaque especial neste movimento. É a primeira democracia racial do futebol e desde a sua fundação reconhece a capacidade do negro, lá no tempo de Migué do Carmo. Tivemos a honra de criar o selo dos Correios do Migué do Carmo para estimular, ainda mais os jovens que precisam conhecer a nossa história”, relembra.

O prefeito Dário Saadi faz questão de destacar que o movimento contra o racismo deve envolver a todos.  “É importante que seja uma ação da cidade mostrando um posicionamento contrário à pratica horrorosa que são atos e atitudes racistas no esporte. O esporte é paixão, é competição, é saúde. O esporte não é racismo. É inadmissível existir em 2022 atitudes racistas, seja de torcedor para atleta ou de atleta para atleta. Isso é horrível e nós temos que expor e expressar esta indignação e este posicionamento contrário. Não é campanha da prefeitura. Queremos passar a mensagem que Campinas não aceita o racismo no futebol e em nenhuma outra modalidade.”

Cerca de 60 pessoas participaram do lançamento da carta, entre os quais os ex-jogadores pontepretanos Ronaldão e Monga, o secretário municipal de esportes Fernando Vanin, o vice-prefeito Wanderley de Almeida, dirigentes de clubes de Campinas e região, além de líderes religiosos e convidados.

 

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