Trabalho dentro e fora do campo na preparação de jovens jogadores para o futebol profissional: desafio é vencer a pressão por resultados rápidos e dar tempo ao amadurecimento físico e psicológico

 

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PontePress/Guilherme Dorigatti

Todos os anos milhares de jovens jogadores deixam as categorias de base dos clubes de futebol e iniciam carreira junto aos elencos profissionais. Apesar de demonstrarem bom desempenho nas categorias inferiores, nem sempre conseguem êxito na carreira. Grande parte disso se dá devido a falta de paciência para o total amadurecimento dos atletas. É o que explica Marcelo Nascimento, Coordenador Operacional das Categorias de Base da Ponte Preta.

“Os jogadores da base convivem com muita expectativa da direção dos clubes, da mídia e da própria família que esperam muito deles. Os garotos crescem achando que já são grandes jogadores, que podem ser iguais ao Messi e ao Cristiano Ronaldo, mas não é bem assim. Muitas vezes a pressão por bom desempenho e resultados no profissional acaba prejudicando os jovens que ainda não têm a cabeça preparada para isso e precisam pular etapas de formação”, diz Nascimento.

O volante Alef tem 19 anos e é um exemplo de jogador que precisou desse tempo de adaptação. O atleta chegou ao elenco profissional no início de 2013, fez alguns jogos e depois ficou um bom tempo sem atuar. Aos poucos foi voltando ao time no final daquele ano e hoje é uma das principais opções para o setor.

“Quando eu cheguei ao profissional senti bastante diferença nos treinamentos. Além disso, os horários mudam e a alimentação também é bem diferente. Na base é mais fácil jogar, eu me destacava mais entre os outros. No profissional tive que ir me adaptando aos poucos e trabalhar para buscar meu espaço”, diz Alef.

Juninho, coordenador de preparação física da Macaca, explica como é feito o trabalho de transição dos jovens jogadores, relembrando o caso do próprio Alef. “Ficamos atentos à massa muscular deles porque o nível e a intensidade dos treinamentos do profissional são mais fortes. Fazemos um trabalho estrutural de força junto com a parte técnica. Quando o Alef subiu ele tinha muita dificuldade com sequência de jogos e foi se adaptando aos poucos. Precisamos ter esses cuidados porque o nível muda e isso requer um período de adaptação.”

Além das questões dentro de campo, os fatores da vida pessoal também são importantes. Vindos de famílias humildes, a pressão por ganhar dinheiro e ajudar em casa é grande nesse momento da carreira. “O meu pai é caminhoneiro e minha mãe dona de casa. Meu sonho era ter um bom salário para ajudar a minha família. Graças a Deus hoje eu tenho condição de ajudá-los a ter uma vida melhor fazendo compras e pagando as contas”, conta Alef.

Quando algum jovem jogador não consegue ter sucesso na vida, todos que trabalharam com ele acabam se frustrando. “Nós viajamos com os atletas para todos os jogos, quando eles estão dentes vamos junto ao hospital. Nós acabamos se tornando uma família, que muitas vezes está longe deles, e isso acaba criando um vínculo de carinho. Nós sempre procuramos ajudá-los, mas chega um ponto que você vê que ele não vai mais evoluir e precisa desistir. Às vezes o jovem não quer progredir e isso te deixa muito frustrado”, pontua Marcelo Nascimento, que revela como o clube faz para evitar casos assim.

 “Pensamos não só na formação de atletas, mas também na formação de cidadãos. Temos uma assistente social que acompanha os garotos na escola e na vida familiar. Muitas vezes eles chegam com problemas na escola e tentamos corrigir. Toda semana uma psicóloga vem até o centro de treinamento e faz atividades com eles para ajudar nesse processo. Isso é prioridade no clube, até mais do que a qualidade técnica deles.”

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