Jornalista formada em Campinas, onde morou por mais de uma década, Renata Cordeiro relembra a própria história e revela: torci muito pela Ponte na Sul Americana e estou honrada em apresentar a festa de 114 anos

Ela nasceu no Rio de Janeiro, mas virou campineira aos 13 anos, quando a família veio para cidade em busca de mais qualidade de vida. Formou-se em jornalismo na PUC-Campinas, depois de ter iniciado outro curso e entrado na vida de jornalista meio sem querer, e por opção escolheu a cobertura esportiva, com a qual se encantou ao cobrir as Olimpíadas de 1996. Tendo trabalhado ao lado de nomes de destaque jornalismo esportivo como Armando Nogueira, Milton Neves e Jorge Kajuru, com muita garra e trabalho Renata Cordeiro é hoje, ela própria, um dos grandes nomes da Fox Sports e, no próximo dia 9 de agosto, será também mestre de cerimônias da festa de 114 anos da Associação Atlética Ponte Preta. Em entrevista exclusiva ao site oficial, a carioca nascida em 19 de fevereiro de 1970 fala um pouco sobre sua vida e afirma: “Torci muito pela Ponte na Sul Americana e estou honrada em apresentar a festa, ainda mais neste momento, depois de termos ficado tão próximos do time e da torcida no ano passado.”

PontePress – Você é carioca, mas morou muito tempo em Campinas. Como foi essa vinda para cá?

 Renata Cordeiro – Fui morar em Campinas em 1983, quando estava com 13 anos. Na época minha família decidiu ir morar em uma cidade mais tranqüila, a violência no Rio de Janeiro era muito alta, e Campinas era uma cidade referência, com qualidade de vida, bons hospitais, universidades etc. Estudei no Visconde de Porto Seguro, em Valinhos, até que repeti de ano e aí fui pro Aníbal de Freitas. Depois passei na PUC, me formei e iniciei minha carreira em Campinas.

Desde o início, você queria ser jornalista?

Na verdade comecei cursando Relações Públicas, minha irmã é que era jornalista, eu acabei mudando de curso depois. Um dia o André Camarão (jornalista e atual diretor de Jornalismo da TVB Record) me chamou para trabalhar na TV Diário do Povo. Me disse que precisava de alguém para dar telefonemas, eu até imaginei que seria uma secretária, e de repente me vi produtora, pra você ver o total desconhecimento que eu tinha na época. Mas aconteceu que uma apresentadora que eles tinham contratado não deu certo e aí o (então diretor) Di Giulio fez teste com todo mundo pra ver quem substituiria a moça. Passei no teste e entrei como apresentadora ao lado da Leila Matiazzo e de outra apresentadora que se chamava Érica, se não me engano. Entrávamos no ar sem teleprompter, sem ponto eletrônico, sem nada, para entrevistas ao vivo no estúdio. O André brigava comigo que estava estourando o áudio, e eu estava no primeiro ano de faculdade de RP, nem sabia do que ele estava falando. Imagine, na quarta-feira tínhamos feito um programa piloto, na quinta uma tia minha morreu e quando voltei do enterro, que foi em Minas Gerais, na segunda-feira seguinte, já estava entrando ao vivo no ar. Aprendi por tentativa e erro, e muita vontade de trabalhar que nunca faltou, eu comecei a trabalhar com 16 anos.

Começou cedo, trabalhava em quê?

Como eu morava na Cidade Universitária, trabalhava muito como baby sitter, fiz muito isso, mas fazia de tudo um pouco. Tinha uma amiga cuja mãe trazia coisas do Paraguai, eu ia lá e ajudava a vender. Também era voluntária em escola que trabalhava com crianças portadoras de Down.

Voltando ao início da sua carreira, por quanto tempo ficou na TV Diário do Povo?

Não foi muito tempo, não me lembro ao certo, porque o programa acabou. Daí comecei a trabalhar com produtora novamente, trabalhei em rádio – numa FM que ficava ali no Centro de Campinas – e até fiz o programa Shoptime de Campinas . Em 1994 voltei pro Rio em busca de novas oportunidades e por dois anos fiquei no circuito Campinas-Rio, fazendo trabalhos para produtoras e procurando algo mais fixo.  Aí, em 1996, mostrei uma fita no SporTV. Eles gostaram e entrei para fazer as Olimpíadas de Atlanta.

E foi então que começou sua carreira na cobertura esportiva?

Na verdade era só pra fazer as Olimpíadas, mas apresentadora principal pediu demissão porque ia mudar de cidade com o marido. Fiz teste com Armando Nogueira e tivemos uma sintonia muito boa. Fui contratada e fiquei lá por oito anos. Foi na SporTV que me apaixonei pelo esporte, me encantei pelo mundo esportivo. No jornalismo, quando você cobre economia ou política, por exemplo, tem um lado mais duro, de denúncia, de notícias que acabam mostrando muitas vezes questões mais negativas. No esporte você mostra que pessoa pode se superar, pode melhorar sempre em busca de uma meta, segue o cumprimento de regras éticas para vencer, enfim, mostra o melhor do ser humano. Não no caso do Luisito Soares, claro (rs).

Como foi a sua passagem do canal a cabo para a TV aberta?

Em 2004 pedi demissão, num dia 13 de abril, para ir pra Band participar de um projeto do (Jorge) Kajuru – o programa Show de Bola. Queria sair do canal fechado e aquela era uma boa chance. O Kajuru foi demitido depois de três meses e eu acabei ficando um ano (entre outras coberturas, Renata capitaneou as reportagens das Olimpíadas ao lado de Carlos Nascimento) mas queriam que eu fosse pra São Paulo, o que eu não queria. Aí fui pra Record, onde inclusive trabalhei ao lado o Milton Neves. Fiquei lá por sete anos, e acabei saindo porque não tinha mais cobertura de esportes praticamente. Cheguei até a trabalhar como repórter, gostava de fazer matérias de comportamento e cultura, mas queria mesmo era esportes. Além disso,  toda vez que tentei ser repórter na minha carreira, diziam que eu tinha cara de apresentadora (rs).

E então você foi para a Fox, em 2012.

Quem viaja o mundo conhece o tamanho da Fox, é uma emissora grandiosa, tem os direitos de transmissão de alguns dos melhores campeonatos do mundo em todas as modalidades de esportes. Além disso, já tinha trabalhado com o Eduardo Zebini (vice-presidente da Fox) e desenvolvido uma boa parceria de trabalho no Rio em 2007 e, acima de tudo, era um convite para trabalhar com esportes, que era o que eu mais queria.

 

Você morou em Campinas a partir dos 13 anos, mas nasceu no Rio. Já veio pra cidade com time do coração?

Quem me conhece sabe que nasci Flamengo e não acho que jornalista precise esconder time. O Armando Nogueira sempre falava: sou Botafogo, mas antes de ser Botafogo sou ético. Então não é porque você torce pra um time que vai distorcer o que fala, nunca fiz nem farei isso. Mas em Campinas sempre tive e tenho grandes amigos pontepretanos, como a (jornalista) Renatta Sanches, que sempre torceu muito pela Ponte, sempre foi apaixonada e contagia, mexe com a gente. Não sou dessas pessoas que tem um time em cada cidade, o meu time é o meu, mas  tenho grande simpatia pela Ponte Preta, gosto mesmo do time.

E no ano passado…

Fiquei super feliz porque acompanhei de perto esta trajetória internacional da Ponte. Foi muito legal ter acompanhado de perto, dentro da emissora todos nós tínhamos essa torcida imensa pela Ponte. Também por ser um time muito antigo, de tradição, e ao mesmo tempo é como um caçulinha pra gente, porque a Fox vai completar três anos no Brasil e no primeiro ano o Corinthians foi campeão mundial, no segundo o Galo e no terceiro veio a Ponte. Foi tão legal, acompanhar e torcer pela Macaca. Boa parte da Fox, inclusive, é feita por jornalistas de São Paulo e muitos deles pontepretanos, inclusive aqui na equipe do Rio de Janeiro. Então, quando recebi o convite…em qualquer momento ele me honraria, mas me senti honrada neste momento mais do que em qualquer outro, porque muito recentemente estivemos tão próximos da torcida e do time na Sul Americana.

Neste momento específico você está quase o tempo todo na cobertura central da Copa do Mundo. Como está vendo o Mundial e a Seleção do Brasil?

Estou praticamente internada na Copa (rs). Acho que temos condições de sermos hexacampeões, temos um time equilibrado, que não se baseia em uma única estrela, ainda que tenhamos o Neymar, é diferente de ter um Messi, que individualmente está um pouco à frente. Mas em termos de qualidade, temos mais equilíbrio, enquanto a Argentina, por exemplo, tem debilidades na defesa. Nós temos um pouco de dificuldade no meio campo, sim, mas também temos pessoas com capacidade para consertar isso. Então continuo acreditando e espero que o Brasil passe pela Colômbia, que é surpreendente, mas também tem dificuldades na defesa. Claro que além de jornalista, obviamente também estou falando como torcedora, eu acredito (rs). No lado negativo, para mim o destaque foi a Bélgica, que tem jogadores brilhantes, eu achava que mostraria um futebol mais chamativo, mas até agora não aconteceu.

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS