Presidente Della Volpe fala sobre finanças, Arena, Carnielli e eleições

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PontePress/DJotaCarvalho

O presidente Márcio Della Volpe concedeu, no início da semana passada, uma entrevista solicitada pela Rádio Central sobre as finanças do clube, na qual o tema eleições também foi abordado. O site oficial da Ponte Preta acompanhou o bate-papo entre o dirigente e o jornalista Vinicius Bueno e traz hoje para o pontepretano alguns dos principais trechos da conversa com o dirigente alvinegro.

O orçamento da Ponte é de R$ 39 milhões, mas o que existe garantido para recebimento em 2014 são R$ 15 milhões, é isso mesmo?

Em nossa previsão orçamentária os R$ 15 mi é o que sabemos que realmente vai entrar, é uma previsão que contempla o que já está definido, garantido.O contrato com a Hitachi, por exemplo, vai até o final do Paulista e deve para o Brasileiro, mas na previsão orçamentária aparece apenas o que já está assinado. No ano passado também tínhamos menos garantido e fomos atrás da diferença, neste ano nossa intenção é fazer a mesma coisa.

Muita gente da oposição defende que a Ponte deveria gastar apenas esse valor garantido. É possível fazer isso?

Que time de futebol consegue fazer isso? O futebol é muito caro. Não falo só de salários de jogador, mas de impostos, funcionários, médicos, terapeutas, médicos, porteiros. É impossível fazer futebol de alto nível, disputando grandes campeonatos, por menos de R$ 2 milhões por mês.  E ainda temos que lembrar que existem as despesas do clube associativo, o Paineiras, de administração e as dívidas. O curioso é que muitas vezes os que falam de gastar menos são os mesmos que geraram as maiores dívidas de passivo que a Ponte tem hoje.

Quais são as principais dívidas destas citadas?

Marinho, Carlos Alexandre (um lateral que jogou dez partidas e tem 7 milhões a receber) e entre as trabalhistas tem ainda a do Baldasso (do Vasco). Tudo isso foi gerado por  falta de pagamento na época e depois de 2006 virou uma dívida gigantesca. Agora, se quiserem tocar com R$ 15 milhões, vamos fechar o futebol e gastar só com clube. O torcedor quer isso? A vida da Ponte é essa? Claro que não. Hoje a Ponte tem uma administração sensata, busca resolver todas as pendências financeiras, , é uma vitória enorme, somos um dos únicos times do país que pode dizer isso. Viramos o ano com tudo fechado até 31 de dezembro de 2013.

 Quanto a Ponte gasta hoje pagando ações trabalhistas?

Cerca de R$ 400 mil/mês. Penso que temos que criar receitas para o clube, maneira de disputar em alto nível. As pessoas exigem grandes contratações, jogadores de nome, referência, estamos escutando isso gora, mesmo não estando na série A. Isso custa e custa caro. Em 2012, um dos nossos jogadores mais caros custava 100 mil por mês. Vezes 12, já dá 1,2 milhão. Vezes 1.4 (porque se soma imposto, 13º,férias etc) isso vai para 1,6 milhão, 1,7 milhão com um jogador. Nossa cota da série A no ano passado era de R$ 20 milhões. Em 2012 eram R$  17 milhões, ou sejam, 10% de toda cota de TV foi gasta com um único jogador. Então pergunto, como fazer com 15 mi se um jogador custa tudo isso ? E isso sem exagerar nos gastos, que é o que fazemos. Fora que o jogador que sai daqui, sai valorizado, ganhando três vezes mais. Em 2013, entre os times da série A a Ponte foi o que menos gastou. Duas potencias financeiras caíram gastando 200, 300 mil, quase um milhão com jogador como no caso do Fluminense com o Fred. Nós, da Ponte, jogamos a última rodada com o Inter usando um time mesclado, com juvenis, e empatamos contra um elenco de R$ 10 milhões e ainda com risco deles caírem.

Então é mesmo impossível usar só o que está garantido.

É, e é irônico o fato que os mesmos que dizem isso exigem que a diretoria contrate jogador caro. Só que não dá pra fingir que paga no futebol de hoje e não pagar, e o jogador que entra na justiça pra exigir seus direitos ao menos aqui é coisa do passado, até porque gera dívidas muito maiores no futuro. Respeito as opiniões, mas quem diz que faz muito com pouco não consegue, se assumisse ia fechar o futebol.

Dividas com presidente de honra Sérgio Carnielli

Nos últimos três anos foram o período em que o Sérgio menos investiu. A dívida cresce por conta de juros, mas não teve aumento exacerbado. Nos últimos anos ele fez alguns aportes, mas principalmente em jogadores e isso não é empréstimo e sim investimento dele (por exemplo, no Cicinho, no Cléber, no Alemão e em outros atletas). Fico até triste de não ter esse investimento hoje, porque quando nós assumimos ele já disse que não daria mais para fazer aportes significativos, pois estava no processo de venda da empresa. Queria eu ter esses aportes de antes nos últimos três anos (rs). Mas o dinheiro é dele e temos que respeitar isso.

Carnielli foi o patrono maior do clube por anos.Isso é bom ou ruim?

Nós, como ocorre com diversos clubes, não temos contratos longos com a Globo. O que os clubes que vivem essa situação geralmente fazem? Se endividam antecipando cotas futuras, o patrocinador deles é a Globo. Por muito tempo, aqui, nós usamos o Sérgio como patrocinador. Para nós a solução é estar na série A do campeonato. Mas se é benéfico ou maléfico ter o Carnielli? Isso pra mim é indiscutível: só estamos falando de uma Ponte na séria A1 do Paulist, uma Ponte que teve ótimos desempenhos nos últimos anos, que voltou a subir e se manteve dois anos na série A, que é vice da Sul Americana e tem condições de voltar à elite ainda neste ano, porque existe Sérgio Carnielli. Então é claro que  só podemos dizer que é benéfico.

E há planos para pagar Carnielli?

Não tem um plano definido porque hoje o Sergio não cobra, porque sabe que se cobrar a Ponte não vai ter recurso pra pagar e continuar funcionando (*com o patrimônio da Ponte hoje a dívida poderia ser paga, mas com venda de estádio, CT e todo o ativo do clube, não restando assim condições de continuar com o time em disputas de campeonatos). O Sérgio diz que a Ponte vai pagá-lo como puder e tem  condicionado o recebimento da dívida a um modo de não onerar a Ponte, como, por exemplo, a nova Arena. Neste caso, ele receberia parte dos dividendos, sem prejudicar o time.

E a construção da Arena, em que pé está? A diretoria parece não falar mais muito sobre isso.

 Combinamos que não vamos falar sobre isso enquanto não houver nada de mais concreto, pois tudo o que se fala sobre Arena e não se realiza imediatamente gera expectativa desnecessária. Quando lançamos o projeto, há uns três anos, houve uma expectativa muito grande, mas uma obra deste porte tem muita coisa a ser feira.  Há questões de mudanças de lei municipal (*o prefeito Jonas anunciou na última sexta que pretende mandar à Camara nas próximas semanas proposta de lei mudando o zoneamento da região do CT que permita a construção), viário para ser mudado, um monte de questões técnicas. Então só vamos soltar informações agora quando tiver data marca da para começar obra.

Mas, na sua avaliação, quanto tempo isso deve demorar?

Minha expectativa é que em um prazo de seis a dez meses estaremos começando a obra. Tenho participado pessoalmente das reuniões e está avançando o projeto. Mas não depende só da Ponte e dos investidores, se dependesse só da gente, estaria sendo entregue na Copa do Mundo.

Tem muita gente que ainda defende que a Ponte mantenha o Majestoso.

O Moisés é uma preciosidade nossa, mas se a gente não evolui, não conquista. Uma nova arena vai atrair o público que hoje não vai ao estádio por questão de segurança, de conforto. Precisamos renovar e ser motivo de orgulho para a cidade. Veja o caso do Atlético Paranaense e a arena deles. Cito o Atlético, mas Inter, Grêmio, Palmeiras, são times que vão crescer mais graças às suas arenas. A Ponte Preta tem que fazer parte desse processo, dar condições ao torcedor para vir assistir aos jogos, o futebol tem que crescer mais como entretenimento, veja o que acontece hoje com um superbowl, por exemplo.

É um fato incontestável que a Ponte evoluiu muito na parte de estrutura. O próprio Vadão, que voltou ao Majestoso depois de 2006, elogiou muito e ficou impressionado com esta evolução.

Nunca se olhou para estrutura antes de 2007, só para o futebol, e ambos estão relacionados. Nossa ideia desde o início foi conseguir para a Ponte um padrão, olhamos o Reffis do São Paulo e fizemos nosso Imap, regularizamos impostos para obter recursos extras com leis, investimos em manutenção do Majetsoso, do CT, trouxemos mais tecnologia, enfim, agimos em todas as áreas para evoluir.  O Vadão dizer o que a Ponte evolui muito de lá para cá, que está impressionado, é algo que nos deixa felizes e  escutamos isso de muitas pessoas que conhecem os clubes do Brasil, como Carpegiani, o Jorginho. Isso nos dá orgulho por não estarmos olhando só para a bola, mas para a instituição. E precisamos dar méritos também ao Vanderlei Pereira, nosso diretor financeiro, pela administração que vem fazendo dos pagamentos de nossas dívidas.

E quanto às eleições de novembro, o senhor é candidato?

Não vou falar de eleição agora, o foco é futebol. Eleição de clube não se discute com antecedência, temos que nos preocupar é com o campo. Lá por agosto, setembro, começamos a pensar nisso.  Mas gostaria que as pessoas que se dizem a favor do clube colaborassem com ideias e parcerias, e não causando terror. Somos todos pontepretanos, temos que trabalhar com clube. Mas, sinceramente, hoje não penso em ser candidato até porque acredito que a Justiça vai reverter o absurdo que fez com o Sérgio Carnielli e o próprio Sérgio vai ser o candidato.

E se ele for, o senhor está na chapa?

Estou ao lado do Sérgio sempre, é claro. Mas, volto a dizer, esse não é um assunto para agora.

 

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