O destino do Paineiras: unidade não será vendida, mas Conselho definirá se patrimônio, que hoje é um clube que dá prejuízo, poderá ser alugado

Fundada nos anos de 1970, em região nobre da cidade, a unidade Paineiras da Ponte Preta teve, sem dúvida, momentos memoráveis ao longo de sua existência. Em uma época que piscinas eram raridade em casas, condomínios e praças de esporte, em que não haviam academias 24 horas multiplicando-se pelos municípios, em  que crianças e adultos não tinham tanta opção de lazer e compromissos aos finais de semana, o clube atraia um público razoável. Em toda Campinas e das cidades, porém, essa situação mudou e com isso os clubes sociais foram sendo deixados de lado e a maioria absoluta dos sobreviventes tornaram-se empreendimentos deficitários.

A Ponte Preta, porém, tomou medidas para reverter a situação. Como praticamente inexistia  procura pelos títulos patrimoniais, criou a categoria de frequentador eventual, um "plano pré-pago", na qual a pessoa paga apenas o mês que frequentava. Fez inúmeras campanhas junto a empresas para utilizarem o espaço, ofereceu novas modalidades de aulas esportivas no local, planos de uso da academia, abriu franquia da escolinha de futebol no local.  Promoveu a locação, inclusive com preços promocionais mais em conta que outros clubes Infelizmente, das quadras, ginásio e campos do Paineiras (também ofereceu bons descontos no aluguel do salão e do Rock Room),  tudo em vão.

A Ponte também ofereceu a uma comissão formada por sócios do Paineiras a oportunidade de que eles gerissem o clube por conta própria,utilizando um  CNPJ que criariam para isso, mas esta ação não prosperou.

Assim, o número de sócios foi caindo e os prejuízos do clube social aumentando. Pra se ter uma ideia, há quatro anos a unidade tinha cerca de 100 sócios patrimoniais, em 2015 eram 50 e agora restam 25, sendo que destes apenas uma dezena efetivamente frequenta a unidade.

Somando as demais categorias de associados, em 2015 havia cerca de 150 ao todo (incluindo os patrimoniais) e 2016 fechou com 80 sócios, entre eles os 25 patrimoniais.

Em 2012, o custo operacional do Paineiras foi de 860 mil e em 2013, de 1,4 milhão. Em 2014, o clube custou 1,3 milhão para a Macaca e, em 2015, a Ponte conseguiu com diversas medidas de contenção reduzir o custo para R$ 1 milhão.

O balanço de 2016 não saiu ainda, mas mesmo com todos as adaptações e cortes de funcionários e cursos – já que não havia demanda em virtude dos poucos sócios, os 40 funcionários de 2015 acabaram sendo reduzidos para oito nos dias de hoje – os prejuízos mensais para se manter o clube continuaram se acumulando e devem ficar em centenas de milhares, senão novamente na casa do milhão. Ou seja, a Ponte, cujo objetivo e razão de ser é o futebol, mantém um clube social extremamente deficitário para algumas dezenas de pessoas, usando dinheiro que poderia estar sendo investido no time, no estádio, na Base.

Por esta razão, a diretoria executiva da Ponte Preta apresentou uma proposta que será votada no próximo dia 30 de janeiro, cujo objetivo é transformar a utilização deficitária de um patrimônio em utilização lucrativa. Importante reforçar: a utilização, pois o patrimônio permanecerá obviamente com a Ponte. Falando em português claro: o Paineiras não será vendido, como andam maldosamente dizendo por aí,utilizado de outra forma pela própria Ponte.

Se aprovada pelo Conselho, a medida extingue o clube social (os sócios patrimoniais serão ressarcidos por seus títulos) e propõe que a unidade seja alugada, em um processo claro e transparente e no qual o interessado que pague o melhor preço mensal seja o locatário. Com isso, em vez de um anual enorme, a Ponte passaria a ter lucro.

É fundamental ressaltar que a decisão cabe ao Conselho e que não foi tomada ainda.  Será o Conselho, em debate e votação democrática, legal e transparente, que definirá o destino da unidade.

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