O dia em que uma paixão em preto e branco invadiu São Paulo

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PontePress/RafaelRas

 

Eles chegaram de ônibus, em vans, de carro, alguns a pé. Muitos vieram de Campinas, outros já moravam em São Paulo, e diversos de outras cidades e estados. Unidos por uma paixão, aos poucos foram colorindo de branco e preto toda a Praça Charles Muller, em frente ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. O espaço público cujo nome homenageia o pioneiro do futebol lentamente se transformou no espaço particular da alegria daqueles que foram à capital paulista homenagear o primeiro time do esporte no Brasil.

Nos rostos traziam a alegria estampada. Nas mãos, ingressos, bandeiras, adereços. No coração, a esperança acumulada de 113 anos e a certeza de que o título de Campeão Sul Americano podia –e pode – se tornar realidade. Um a um, dez a dez, cem a cem, adentraram o colorido estádio que, como que por mágica, deixou de ser Pacaembu. Com quase 30 mil torcedores presentes, naturalmente ali surgia o Macacaembu.

Antes de começar o jogo, o mosaico em branco e preto tomou conta das arquibancadas, formando as letras AAPP e deixando quem assistia sem palavras. Ao mesmo tempo, o barulho dos fogos de artifício ensurdecia, mas não calava o som de tantos corações batendo em expectativa.

Durante a partida, as vozes destes corações cantaram, clamaram, derramaram sentimento e energia sobre 11 guerreiros em campo. Por um momento, é verdade, imperou o silêncio. As bocas se fecharam segurando dentro do peito a agonia momentânea, a incerteza gerada pelo gol adversário. Depois explodiram, com a mesma força do petardo indefensável e preciso de Fellipe Bastos nas redes argentinas.

E não pararam mais. A cantoria, a alegria, o amor inexplicável que só quem tem realmente conhece permaneceram no ar até depois do apito final, acrescido de aplausos aos jogadores que deixavam o gramado partilhando da mesma certeza de seus torcedores: lá, a gente decide. Lá, a gente guerreia. Lá, a gente vence.

Nos rápidos momentos que se seguiram, as arquibancadas voltaram a ganhar cores e as ruas da capital tornaram-se brancas e pretas. O incauto que transitava pela maior cidade do país viu-se cercado por um mar de bandeiras, buzinas e louvores a uma Macaca. Não uma qualquer: a Macaca querida, amor de tantas vidas, responsável por tantos loucos por ela mesma.

Os quilômetros da Anhanguera, da Bandeirantes e da Magalhães Teixeira pareceram pequenos para abrigar tanta gente, tanto amor, tanta certeza de um futuro melhor. Se ele virá é impossível saber, é inevitável querer. Mas as palavras do comandante, aquele que ganhou Copa do Mundo e lamentou não ter vestido a camisa da nega veia como jogador, dão o tom do que todos esperam: “Nossa torcida foi maravilhosa, fez uma festa linda e inesquecível, mas queremos que realmente faça festa aqui no Majestoso, quando voltarmos da Argentina.” Nós também, Jorginho, nós também.

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