Nova nutricionista da Ponte Preta, Márcia Bernardes fala sobre sua carreira no esporte e trabalho no departamento de futebol da Macaca

Publicado em: 09/03/2017


 

Fotos: Fábio Leoni e Raul Sauan

Além de novos atletas, a Ponte Preta se reforçou com a chegada de mais uma profissional na sua comissão técnica. Trata-se da nutricionista Márcia Bernardes, que chegou no início deste ano ao clube e tem implementado sua filosofia de trabalho desde a pré-temporada. Com um histórico de ter sido a responsável pelo departamento de nutrição do Clube Atlético Mineiro, alem de trabalhos no Minas Tênis Clube e na Associação Bauru Basketball Team, Márcia contou um pouco sobre sua carreira, suas observações sobre o trabalho que tem desenvolvido e como é o dia a dia com os atletas da Macaca. Confira abaixo a entrevista.

 

 

Gostaria que você contasse a sua história na nutrição esportiva. Quando começou? As primeiras experiências na área e o que te motivou a seguir nesse caminho?

 

Minha preferência sempre foi pela área esportiva e o fato de não ter tido no meu curso uma boa base para trabalhar em tal área, me despertou o interesse em buscar. Antes mesmo da minha formatura, busquei me aprofundar escolhendo a área esportiva como tema do meu trabalho de conclusão de curso, com orientação de uma professora nutricionista especialista em Nutrição Esportiva. Em seguida, cursei minha pós-graduação em Fisiologia do Exercício e durante o curso tive minha primeira oportunidade com atletas no Futsal Júnior e Juvenil do Clube Atlético Mineiro. Concluindo minha especialização tive uma nova oportunidade, também no Atlético Mineiro, dessa vez com o Futebol. Num novo e grande desafio chefiei por mais de quatro anos todo o serviço de nutrição do clube: Futebol Profissional e Categorias de Base, tanto na parte de nutrição esportiva (alimentação e suplementação do atleta) quanto na nutrição coletiva (atletas e funcionários) através da criação, implantação e supervisão de restaurantes auto-gestão em todas as três unidades do clube. Cada oportunidade no esporte foi diferente da outra e sempre desafiadora. Depois do Atlético Mineiro, no esporte trabalhei no Minas Tênis Clube com uma demanda de mais de mil atletas de base e ponta das modalidades coletivas: Basquete, Futsal e Voleibol; e individuais: Ginástica Artística e de Trampolim, Judô, Natação e Tênis. Posteriormente apenas com o Basquete de Bauru na Associação Bauru Basketball Team. Depois de volta ao Minas Tênis Clube e agora, recém chegada à Ponte Preta.

 

 

Como você encara o desafio de ser a nutricionista do Futebol Profissional da Ponte?

 

Desde que saí do Futebol em 2010, sempre tive o desejo do retorno. Trabalhei entre um clube e outro com praticantes de atividade física de diversas modalidades, com diversos esportes diferentes depois do futebol, também sou professora de pós-graduação em Nutrição de Esportiva há três anos, mas voltar, sempre foi o meu maior desejo. O Futebol, diferentemente dos demais esportes, desperta nas pessoas uma paixão genuína que movimenta tudo internamente de uma forma bem peculiar. A oportunidade do retorno exatamente na Ponte Preta é para mim um desafio em dobro! Além da volta em si para o Futebol e a mudança das Minas Gerais para São Paulo, retornar exatamente num clube de torcida tão apaixonada e sedenta por títulos faz do meu trabalho diário uma busca pelo melhor atendimento à todas as demandas pertinentes à minha função, na mesma proporção da espera da torcida pelo tão sonhado título.

 

 

Qual sua primeira avaliação a respeito do elenco atual no que diz respeito a nutrição? Está tendo que fazer algum trabalho individual, além do coletivo?

 

Temos um elenco bem homogêneo no que diz respeito à nutrição, bons hábitos, preferências alimentares e aceitação do trabalho diário. Sempre que possível, opto por trabalhar da forma mais individualizada possível para atender demandas específicas. A necessidade do bom rendimento é coletiva, mas os demais aspectos de melhoria da composição corporal, recuperação, ganho de força e massa, também interferem diretamente na performance do atleta e são em sua maioria muito individuais. Fora o coletivo, faço suplementação específica com alguns diariamente e atendimento individual quando necessário, para elaboração de plano alimentar personalizado, para quantificar e orientar melhor nas diversas opções de rotina alimentar a que o atleta é exposto ao longo da semana, de acordo com o calendário de jogos: dias de treino em um período, dias de treino em dois períodos, dias de concentração e jogo, e dias de folga. Demandas calóricas completamente diferentes e, portanto, faz-se necessária uma orientação acerca de todas essas demandas. Para isso conto com o uso de um software super moderno chamado Diet Box onde consigo disponibilizar para o atleta planos alimentares individuais para cada situação na palma da mão: ele baixa o aplicativo em seu smartphone e tem a dieta sempre à mão.  

 

 

Como você vê o trabalho da nutrição interligado com as demais áreas da comissão técnica e se esse tipo de trabalho evoluiu ao longo dos anos?

 

A parceria da Nutrição com as demais áreas é extremamente importante para sinergia do trabalho com o grupo. Fisiologia do Exercício, Preparação Física, Medicina e Fisioterapia Esportiva precisam andar juntas à Nutrição para que a interdisciplinaridade se faça valer tanto no que é pertinente a cada área quanto no aspecto de unir conhecimentos na busca da melhor conduta da comissão técnica junto ao atleta.  Percebo que cada dia mais essa relação tem evoluído e a especificidade das atribuições do profissional de cada área junto às suas funções no dia a dia respeitadas. Nós que trabalhamos nos bastidores do rendimento, recuperação e prevenção de lesão temos sido cada dia mais reconhecidos pelo atleta e treinador.

 

 

Como incutir nos atletas, que seguir a risca uma dieta proposta pela nutrição é importante para o rendimento dele?

 

Acredito que o entendimento dos “porquês” no que é proposto na dieta, facilita muito à participação do atleta no processo como um todo. Quando ele entende o papel do nutriente, o motivo de cada conduta e a função de cada alimento e suplemento em cada horário junto às suas particularidades, ele se torna parte ativa do processo. Assim, entende que sua responsabilidade além de estar ali para receber o treinamento, é também estar ali bem alimentado e descansado para isso. Alimentação e repouso são tão importantes quanto o treino e quando o atleta compreende isso, participa sabendo a importância e com muito mais responsabilidade.


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