Ponte encerra primeira semana de pré-temporada; preparador físico Lucas Benchimol comemora período de trabalho, além do comportamento dos atletas

Foto: PontePress/RodrigoCeregatti

 

O elenco da Ponte Preta inicia nesta segunda-feira (11) sua primeira semana de pré-temporada em 2016. Apesar de estarem acostumados a ficar a maior parte do ano fazendo exercícios técnicos, esse período do ano é mais puxado aos jogadores neste sentido, mas é o que traz a sustentação necessária para um físico adequado durante as competições. Assim, o preparador físico da Macaca, Lucas Benchimol, comemora o tempo para fazer seu trabalho e a consciência dos atletas da importância.

 

“Neste início, os atletas são levados ao limite. É uma sensação ruim e nenhum ser humano gosta, na minha opinião a sensação de prazer vem depois do exercício. Durante a atividade mais intensa você tem o desgaste, estressa, te deixa para baixo. Eles não gostam, mas sabem da importância, a cada ano estão mais conscientes", pontua.

 

Lucas relembra que, até dois anos atrás, havia pouco tempo para a atividade antes do campeonato se iniciar, "Quanto tempo batalhamos para conseguir ter pelo menos 30 dias de pré-temporada? Agora conseguimos pelo segundo ano consecutivo. Ano passado já teve quatro semanas para trabalhar e , nesse ano, de novo. Foi uma briga, uma luta que era nossa e deles também, porque sabiam que para ter uma temporada melhor, precisavam de um período maior de pré-temporada. Agora temos isso para trabalhar e estamos aproveitando muito. Eles reclamam pelo desgaste, das dores musculares, mas sabem que é o momento responsável para o ano deles ser satisfatório”, afirma.

 

Sem individualizar, o preparador faz questão de parabenizar o cuidado que seus comandados tiveram durante as férias. “Pela bateria de testes que fizemos nestes primeiros dias, cada um responde de um jeito, tem uma pré-disposição maior ou menor para certas capacidades físicas, seja força ou resistência. Contudo, apesar de diferentes entre si, posso dizer que de um modo geral os exames foram muito satisfatórios. Veio um grupo coeso, que não tem tanta discrepância entre um e outro. Eles se cuidam. O futebol está cada dia mais exigente fisicamente e por isso não abusam, como faziam antes. E sabem que se chagarem aqui muito atrás, podem perder posição. E eles querem estar bem, mostrar serviço e é difícil termos problemas de atleta que chegue muito acima do peso ou abaixo em alguma capacidade física."

 

Ele complementa: "Geralmente estão em um nível normal para início, por ficarem um mês sem fazer nada – e isso é pedido a eles após o término de temporada, para que fiquem pelo menos 15 dias sem fazer atividades – faz parte da programação e a partir daí eles começam a fazer alguma coisa. Enquanto quiserem atuar em alto rendimento terão que ter um nível aceitável durante toda a carreira.”

 

Lucas Benchimol também explica a interligação do trabalho realizado por ele e o do técnico Vinícius Eutrópio. “O trabalho está mesclado desde o principio. Foram só quatro períodos exclusivos de testes físicos, além dos exames clínicos e médicos, e desde que este período terminou, na quarta-feira (6), já foram iniciados os treinos com bola.  Claro que a ênfase é na preparação física, então combinado entre a comissão que o objetivo do treino com bola tem que exigir alguma capacidade física, que entendemos que seja interessante para aquele momento", diz.

 

Ele ressalta que até o final da pré-temporada todos os treinos serão interligados. "Com bola, físicos, musculação, todos trabalhando todas as capacidades, de maneira isolada ou dentro de um treino com bola, que é um modelo que já vem sendo seguido há um bom tempo. Vimos que é interessante começar a fazer os atletas realizarem as atividades do modo mais específico desde o princípio”, avalia.

 

Apesar de serem modos diferentes de trabalho com os atletas, Lucas Benchimol deixa claro que a comissão técnica permanente da Ponte busca adaptar as atividades que faz com ao pensamento do técnico do clube. “O que determina é a parte técnica, tática, a qualidade do jogador. Nós sempre temos que pegar o modelo de trabalho da comissão técnica que chega, a forma que gosta de treinar, os aspectos dos seus treinos e adaptar à nossa filosofia. Não mudá-la. Mas sim pegar a nossa filosofia e encaixar com as diretrizes que o treinador passa. Temos que aproveitar o máximo possível o que ele faz, porque é importantíssimo na parte física. Temos que combinar muito, sermos muito integrados e desde a chegada do Vinícius vimos que vai ser muito ligado e irá funcionar muito bem”, acredita.

 

O professor enfatiza ainda a qualidade do monitoramento que é feito nos atletas, pela comissão. “Em todos os treinos nós temos o acompanhamento de dados, em uma série de variáveis que são apresentadas em foram de gráficos ou números. Todos os treinos são acompanhados, monitorados, assim como os jogos, através de GPS e outras ferramentas. Temos que trabalhar com ciência, com dados, pois tem uma série de fatores que temos que analisar”, diz Lucas, que reforça a qualidade do trabalho feito pela Macaca usando também como exemplo a temporada passada.

 

“No futebol, muitas vezes quando perde dizem que o time caiu de rendimento e a culpa é do preparador físico e quando o rendimento se mantém e o time ganha dizem que é a raça, coração, vontade… nunca lembram da preparação física na vitória. Mas faz parte. Levamos isso tranquilo e o importante são os nossos testes, nossas análises, pois trabalhamos com ciência e não com o olhar e achar se correu ou não. É uma série de dados que analisamos internamente e a partir disso avaliamos se continuamos com as diretrizes que traçamos ou fazemos alguma alteração. O balanço do ano passado foi extremamente positivo. Muito satisfatório tanto na condição física, como de lesões, que foi muito baixo. Tivemos um 2015 excelente, deixando o elenco à disposição para ser usado. A Ponte não deve nada em termos de estruturas, profissionais e teve um balanço muito positivo em todos os departamentos”, finaliza.

 

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