Líder na beira do campo e diplomata fora dele: Luis Fabiano busca inspiração em Monchi,do Sevilla

Foto:PontePress/DiegoAlmeida

 

O craque Luís Fabiano foi apresentado oficialmente nesta ter como novo coordenador técnico do Futebol da Ponte Preta, cargo que exercerá a partir de primeiro de janeiro. O presidente eleito Marco Eberlin, que também assume em 2022, fez as honras da casa: “Já estamos trabalhando lado a lado com a gestão atual, em especial no futebol, para colocar uma equipe competitiva em campo. No mês que vem já temos exames pré-temporada e entre as inovações que teremos está o Luís Fabiano, que começou no meu clube de várzea, no Alvorecer, e eu trouxe para a Ponte Preta em 1997”, diz.

Eberlin completa: “Fabiano participou de grandes equipes ao redor do mundo, um profissional competitivo e um craque dentro de campo. Trago de volta um filho da Ponte Preta, que foi enorme dentro dos gramados e tenho certeza que será também um gigante na linha limítrofe do campo e um embaixador da Macaca onde quer que vá.  Fabiano saiu daqui como um atleta vencedor e tenho certeza que também vencerá como coordenador.”

Inspirações

Luis Fabiano fala sobre a experiência que traz para Ponte e recela quais serão suas inspirações no novo cargo. “Durante último ano tive sondagens para trabalhar em meios de comunicação como comentarista e vinha decidindo que rumo ia tomar. A experiencia, os23 anos que tive de carreira profissional e no qual trabalhei com vários bons profissionais, isso fez com que o presidente Eberlin me fizesse o convite. Claro que o  aprendizado é diário e pretendo, sim, buscar mais preparação e aprimoramento, mas é uma alegria muito grande voltar pra casa, fui criado na Base, sei o que é esse clube e os desafios de estar aqui. A torcida pode ter certeza que empenho, comprometimento, honestidade e amor à camisa não vai faltar. Farei de tudo para ajudar da melhor maneira no grupo, relacionamentos e contratações conversando com presidente e o Gilson Kleina”, diz.

O coordenador conta sobre os modelos que pretende seguir. “Minha primeira inspiração são três jogadores com os quais eu joguei e que passaram por esta mesma mudança, de jogador a coordenador, e tiveram êxito: Juninho Paulista, Juninho Pernambucano e Edu Gaspar.  Também admiro o Marco Aurélio Cunha. Mas minha grande inspiração é o Monchi, que está na Espanha”, diz.

Fabiano se refere a Ramón Rodríguez Verdejo, o Monchi, ex-goleiro que se tornou diretor de futebol do Sevilla e levou a equipe a seis finais da Liga Europa. “Minha visão, minha meta, é ser igual ao Mochi. Ele fez o Sevilla, um clube modesto, se tornar um grande clube da Espanha e os times que ele forma com orçamento justo são fantásticos”, pontua.

Contratações

Neste sentido, o presidente Marco Eberlin conta que Luís Fabiano já participou na última sexta de uma reunião com o dirigente e o técnico Gilson Kleina.  “Desde a semana passada estamos conversando de renovações e contratações. É primazia minha só anunciar depois de assinado, mas o torcedor pode ficar tranquilo porque estamos trabalhando. E o Luis Fabiano irá opinar e indicar atletas, ele entende de futebol e confio demais nele”, diz.

“Nas conversas com o presidente já vinha expondo que gostaria de estar mais perto do time, participar mais fazendo o elo entre elenco e diretoria. Realmente já estamos conversando de contratações com técnico e o presidente, que entendo de futebol , vou ajudar e há diversas situações de renovações e contratações que já vem acontecendo”, completa Luis Fabiano.

Base e torcida

Luis Fabiano destaca dois fatores que considera extremamente importantes para o sucesso da Ponte: o futebol de Base e a torcida. “Comecei aqui e sei a importância da Base, então voi tentar mostrar aos garotos a minha trajetória, mostrar que é possível, a experiência de tudo que passei nestes 23 anos. Em muitos clubes que passei acabei sendo capitão, tenho experiencia para passar e mostrar o bom caminho que eles devem trilhar, até porque hoje em dia tem muitas facilidades ruins por aí. Acima de tudo é passar confiança e conscientizar e que haverá momentos ruins, assim como eu tive, mas é possível vencer mesmo com as dificuldades”, diz.

Em relação à massa alvinegra, Luis Fabiano ressalta: “A torcida aqui na Ponte, mais que em qualquer outro lugar, é fundamental. Já joguei muito com a força dela e algumas vezes contra, sei o quanto faz a diferença e  conto com apoio da torcida para fazer do Majestoso um caldeirão. Não é uma tarefa fácil e o percurso é grande, mas com minha dedicação, a experiencia do meu presidente e do treinador, os jogadores e a torcida junto, temos tudo para dar certo e voltar para a série A, que é o lugar da Ponte.”

Aposentadoria e volta

Sobre a aposentadoria dos campos, Luis Fabiano conta que queria ter encerrado a carreira na Ponte, mas infelizmente isso não foi possível.  “Em 2017 não teve proposta da Ponte e o Vasco estava em cima, fazendo proposta. Meu desejo era terminar minha carreira na Ponte, mas naquele ano não houve nada. Aí em 2018, eu estava recém operado e com limitação física, fiz fisio aqui na gestão do Abdalla, que sinalizou que seu eu tivesse condições, jogaria aqui”, relembra.

Infelizmente, isso não se tornou realidade. “Eu tinha um acerto verbal com o presidente Abdalla, para que se eu tivesse condições físicas fizesse um contrato simbólico só pra entrar em campo e jogar quantas partidas eu pudesse jogar. Cheguei a treinar com o time profissional, mas minha limitação física não deixou. Tentei ao menos fazer alguns jogos, mas a minha condição física não deixou. Mesmo assim eu tinha esperança de fazer um jogo de despedida aqui , mas a pandemia prejudicou meus planos, os estádios não podiam ter torcida e comecei a pensar em outras situações”, revela.

Esse momento mais melancólico, porém, ficou para trás: agora a palavra de ordem é alegria. “É um prazer enorme  estar voltando ao clube que me revelou e que é o time de coração de praticamente toda a minha família. Dedico esse momento em especial ao meu avô Ditão, pontepretano doente e meu primeiro grande fã, que andava com um recortinho de jornal do meu primeiro gol pela Ponte, contra o Mirassol, no bolso o tempo todo. É um grande desafio e vou fazer meu melhor e tudo o que poder por essa camisa”, conclui.

 

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