Cidade de Ipeúna homenageia primeira democracia racial do futebol brasileiro

 

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PontePress/GuilhermeDorigatti

 

Durante a reunião do Conselho Deliberativo da Ponte Preta, que aconteceu na noite dessa segunda-feira (13), o conselheiro Carlos Burghi (membro de uma das famílias fundadoras da Ponte Preta) discursou sobre uma homenagem prestada pela cidade de Ipeúna à Macaca, referente à primeira democracia racial do futebol brasileiro e os 130 anos de nascimento de Miguel do Carmo, primeiro jogador negro da Macaca e do Brasil.

O Presidente de honra Sérgio Carnielli agradeceu a homenagem da cidade, a segunda do Brasil a prestar honrarias a Miguel do Carmo, depois de Campinas. Ainda como parte da homenagem, deverá ser realizado um amistoso comemorativo entre a categoria SUB16 da Ponte Preta e um time do Projeto Criança Ativa Futebol de Ipeúna no estádio municipal da cidade.
 

Democracia Racial

A Associação Atlética Ponte Preta se orgulha de, além de ser primeiro time de futebol fundado no Brasil em atividade ininterrupta, ser também a primeira democracia racial no futebol brasileiro. Tanto dentro dos campos quanto fora deles, a Macaca foi pioneira em ter cidadãos afrodescendentes em seus quadros, sem nenhum tipo de preconceito, desde a fundação do time em 11 de agosto de 1900.

Entre os fundadores da Ponte existiam negros e mulatos, como Benedito Aranha, por exemplo, que fez parte da primeira diretoria alvinegra. Já Miguel "Migué" do Carmo tornou-se jogador titular do primeiro elenco pontepretano, ainda no ano da fundação. Há quem pense que os primeiros times nacionais a aceitar negros e afro-descendentes foram os cariocas, como o Bangu, que em 1905 escalou Francisco Carregal. No entanto, quando isso ocorreu, já fazia cinco anos que Migué do Carmo tinha entrado em campo com a camisa alvinegra pela primeira vez.

Outro mito amplamente divulgado é de que o Vasco da Gama teria sido a primeira equipe a aceitar negros em seu elenco. Na verdade, o Vasco foi fundado como clube de regatas em 1898, mas só em 1915 criou seu departamento de futebol. E, mesmo como Clube de Regatas, só em 1904 elegeu um presidente afro-descendente. Segundo historiadores, só em 1923 aquele time carioca jogou pela primeira vez com afrodescendentes e só no ano seguinte defendeu junto à Federação Carioca o direito de ter jogadores negros. A AAPP, como se vê, já praticava a democracia racial antes da equipe vascaína também.

Em uma época em que o conceito de racismo mal era conhecido, os rivais falavam que a torcida era formada por “macacos”, que o time era uma “macacada”. Em vez de brigar, a torcida transformou hostilidade em bom-humor e assumiu o apelido: a Ponte tem orgulho desde sempre de ser a Macaca, todos os seus torcedores amam a Macaquinha e fazem questão de ser os macacos do alambrado.

 Seja no campo, na torcida ou em sua diretoria, a Ponte Preta segue um conceito que espera ver amplamente popularizado no mundo: aqui há uma única raça, a raça humana. Além dessa, só aquela que nossos jogadores mostram em campo.

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