Gestão 2022-2025: Lucimara Ferreira é a 1ª mulher negra a integrar Diretoria na história da Ponte

A advogada Lucimara Ferreira acaba de se tornar a primeira mulher negra a integrar a composição de uma Diretoria Executiva da Ponte Preta em toda a história da instituição. Lucimara foi nomeada para o cargo de segunda secretária pelo presidente Marco Antonio Eberlin.

Lucimara, que é  conselheira estadual da OAB São Paulo e integrante do Conselho do direito e defesa da mulher do município de Campinas, tem uma história de amor com a Ponte Preta que vem desde de criança. “Eu era muito pequena, nos anos de 1980, e minha mãe tinha um rádio antigo amarelo, que ficava numa mesinha no quarto dela, ninguém podia chegar perto. Aos domingos tinha transmissão dos jogos da Ponte e meu irmão, Valdemar Mendes Ferreira, me levava pra ouvir no quarto dela e ficava falando da Macaquinha pra mim. Dizia que a Ponte só não ia mais pra frente porque roubavam ela nos jogos”, relembra.

“Depois de um tempo, eu passei a ouvir aos jogos sozinha, escondida da minha mãe. Quando fiz uns sete, oito anos, um dia matei aula e fui assistir a um treino. Infelizmente meu irmão morreu aos 29 anos. Amar a Ponte Preta foi um legado que ele deixou pra mim. O (presidente) Eberlin me disse que a Ponte não é um time, é uma religião, e gente como eu sabe que a Ponte é muito mais que um time. Fico muito emocionada, queria que meu irmão estivesse vivo para dizer a ele: olha só o que você fez comigo”, diz Lucimara, rindo com a voz embargada e os olhos marejados.

A advogada, que tem pós-graduação em Direito e Processo do Trabalho, além de atuar na área Cível com foco em direito de família, completa: “Não desisti nunca da Ponte e me sinto orgulhosa de ser a primeira mulher negra na Diretoria na história do clube. Quase todos os meus 12 sobrinhos são pontepretanos, eles nasciam e eu levava pro canto, e agora essa tradição passou pra minha filha, que tem três anos e já canta o hino. Espero contribuir ao máximo em minha função, a Ponte Preta é um time de todas as raças, um time de democracia dentro da realidade que vivemos hoje”, conclui.

Inclusão e democracia racial

Além de ser a primeira mulher negra na Diretoria Executiva, Lucimara é a segunda mulher a ocupar uma cadeira no órgão – a primeira foi Graziele de Andrade Reginaldo, primeira secretária da gestão anterior, no período 2020-2021.

Lucimara, porém, não é a única mulher a fazer história neste quadriênio, afinal, neste ano em que completa oito décadas de existência, o Conselho Deliberativo da Ponte Preta elegeu a primeira representante do sexo feminino a ocupar um cargo na Mesa na história. A empresária do ramo de metalurgia Maria José Zanetti Fernandes, mais conhecida como Mazé, foi escolhida como segunda secretária do CD.

Ainda dentro do tema inclusão (e nunca é demais lembrar que a Ponte Preta é a primeira democracia racial do Brasil, com negros dentro e fora do campo, em cargos de diretoria, desde a fundação em 1900), cabe destacar que o atual presidente do Conselho, Tagino Alves dos Santos, que cumpre seu segundo mandato, foi o primeiro negro a ocupar o cargo.

E Sebastião Arcanjo, que deixou a presidência no ano passado, foi o primeiro negro a ser presidente da Associação Atlética Ponte Preta.

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