Filho do ídolo, Gustavo Bueno também faz história na Macaca: quero retribuir à Ponte o que ela fez pelo Dicá e ao Dicá o que ele fez pela Ponte

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PontePress/DJotaCarvalho

Não é exagero dizer que a história de Gustavo Bueno se mistura com a da Ponte Preta. Filho de mestre Dicá, o maior camisa 10 de todos os tempos da Macaca, Guga nasceu em berço alvinegro e, levado pelas mãos do pai logo cedo para a Ponte, passou por toda categoria de base na mesma posição do progenitor, a de meia. “Comecei no dente de leite, fui  infantil, juvenil, Junior e cheguei ao profissional, tendo como técnicos o Marco Aurélio, o Flamarion e  depois o Cilinho”, relembra.

Gustavo pendurou as chuteiras como jogador e se tornou auxiliar de preparador físico, até 1997, quando saiu e depois retornou em 2006 (neste meio tempo, fez cursos de gestão de futebol e treinamento esportivo, entre outros). Em 2007 saiu como auxiliar técnico de Nelsinho para o Corinthians e, na sequência, ainda na mesma função do técnico, foi para o Sport, onde venceu Copa do Brasil e Pernambucano.

Nos cinco anos em que ficou no Sport , saiu de auxiliar para coordenador, depois gerente de futebol da Base e, finalmente, do profissional. “Antes de voltar aqui pra minha casa, passei também por São Caetano e Ceará”, lembra. Apontado como fundamental para a boa campanha da Ponte e o acesso à série A pelo técnico Guto Ferreira, o presidente Márcio Della Volpe, o presidente de honra Sérgio Carnielli e até pelo goleiro e capitão Roberto, Guga fala em entrevista exclusiva sobre o seu trabalho e o sentimento ímpar de ser parte da história do  time do coração.

O goleiro Roberto disse que você fez pela Ponte fora de campo o que seu pai fez dentro. Como você se sente sendo um dos grandes responsáveis pelo acesso à série A logo em seu primeiro ano como gerente de futebol?

Me sinto orgulhoso de fazer parte do trabalho onde conquistamos o acesso, uma campanha praticamente impecável, faltando quatro rodadas pro fim conquistamos o acesso, quebramos o tabu de não manter no segundo turno uma pontuação tão boa quanto no primeiro. Fico muito satisfeito de estar voltando e logo no primeiro trabalho conquistar acesso tão precioso e necessário. Claro que queríamos o título, mas mesmo sem ele a campanha foi muito boa e fazer parte disso é algo imenso para mim.

Seu trabalho é elogiado pelo técnico, pelo presidente, pelo presidente de honra. Todos o apontam como peça-chave do sucesso deste ano. Qual é seu segredo?

O segredo do bom trabalho é humildade, é ter entendimento de que não se conquista nada sozinho, tem que ter as pessoas do departamento de futebol ao seu lado, entender que as conquistas são de todos. E desenvolver uma boa relação com todos dentro deste entendimento. Faço questão de dizer que muitas pessoas fizeram parte da conquista, não me vejo como grande responsável: fiz parte de equipe que conquistou o acesso. Acredito que uma grande virtude minha é ter vivencia muito grande, eu passei por isso como jogador, isso te faz saber como lidar com vestiário e conduzir os problemas que acontecem. Ano passado também passei por três times da série B, conhecia bem a competição. Além disso, tínhamos entendimento de que o time era competitivo e iria subir, mas sabíamos das carências. Na parada da Copa, sabíamos quem íamos precisar contratar para dar o sprint final do time. Agora, o mais relevante é realmente ter humildade, as pessoas tem que enxergar em você um cara que quer vencer, mas valoriza o trabalho de todos.

O Guto comentou que você nunca levava problemas pra ele, já chegava contando o que ocorreu e contando qual a solução tinha dado…

Na verdade isso só é possível porque o que me ajudou muito foram as pessoas da diretoria do meu lado. Para resolver problemas, levar soluções, eu precisava do respaldo da nossa diretoria e tive isso o tempo todo. O presidente Márcio, nosso diretor de futebol Kazuo e principalmente nosso diretor financeiro Vanderlei, ele foi fundamental,  conversávamos toda semana, eu tinha que ter o suporte e ele me dava. E, claro, preciso registrar um agradecimento especial ao Guto , ele é um grande parceiro, um cara do bem, sensacional. Logo que chegou já se integrou, nos ajudou com a estruturação, com tudo o que era necessário. Trabalhar com gente assim é um prazer.

Como você avalia a influência do Sérgio Carnielli nesta campanha?

O  Sergio apareceu no momento fundamental da competição, a gente havia perdido para o America e o próximo era o Náutico. A figura dele trouxe segurança maior para os atletas, resolveu problemas que poderiam se tornar um fator complicante nas próximas rodadas. Mas a chegada dele, a conversa dele com o grupo deu a tranquilidade que o grupo precisava para continuar a caminhada vitoriosa. Ele foi crucial e agiu no momento certo.

Nem deu tempo nem de acabar o campeonato direito ainda, mas você, como gerente de futebol, já pensa em 2015?

Claro, já estávamos pensando antes, mas sempre focados no campeonato que estávamos disputando. A ideia é a manutenção do Guto e da base desta equipe. Entendemos que é uma base boa para continuar o ano. Estávamos tendo muito cuidado até agora com renovações e contratações porque estávamos vivendo o processo de ir atrás do titulo. Mas tudo está sendo conduzido bem, em entendimento com Guto e que depois é passado para a diretoria dar o aval a todas as situações. Durante a semana que vem já devemos fazer alguns anúncios.

Como o Dicá reage ao ver o filho dele sendo fundamental em um acesso da Ponte?

Ele tem orgulho grande de ver o filho dele na Ponte Preta nesta nova função, sendo respeitado não só como o Gustavo filho do Dicá, mas como profissional da Ponte. Nos jogos ele sofre, geralmente vê na televisão, às vezes me liga umas duas três vezes e fala rápido, mas já é suficiente pra eu entender o que ele pensa. Sinceramente? Tudo o que espero aqui na Ponte é poder retribuir ao meu pai e à Ponte, retribuir o que a Ponte fez pelo Dicá e o que o Dicá fez pela Ponte.

E haverá uma terceira geração da família Bueno na Macaca?

Tenho três filhos, a Beatriz, o Gustavinho e o Lucas, que só tem dois aninhos. O mesmo orgulho que meu pai tem de ter o filho, eu teria também de ver um deles aqui, como atleta ou profissional trabalhando pelo time. Sou Ponte Preta de berço e pra mim seria um orgulho muito grande um deles também fazer parte da Macaca, seria uma satisfação muito grande.

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