Doutora em Nutrição Esportiva da Ponte Preta, Mirtes Stancanelli, que também é da Seleção Brasileira de Basquete e estava nas olimpíadas, fala de trabalho especial com Clayson e com outros atletas do elenco.

 

Foto: PontePress/RodrigoCeregatti

Quando se trata de referência na nutrição esportiva do Brasil, o nome de Mirtes Stancanelli aparece. A Doutora em Nutrição Esportiva, que realiza seu trabalho no elenco da Ponte Preta, entre outros atletas, cuida também das seleções brasileiras feminina e masculina de basquete. De volta das olimpíadas, Mirtes conta sua experiência na Rio 2016.

 

“Foi uma experiência fantástica. Ví que o Brasil tem uma capacidade humana imensa. Eu acredito que precisamos compreender mais a ciência. Tem muitos profissionais trabalhando com isso. Precisamos de pessoas que acreditem nesse trabalho e que estão envolvidas diretamente com o esporte. Isso é importante, porque pode ajudar muito esse material humano que tem no Brasil. Com tão pouco investimento nós conseguimos superação. Me parece que o Brasil está abrindo os olhos para a ciência e a conversa dessa área com o esporte tem se dado melhor. Foi essa sensação que eu vi nas Olimpíadas”, afirma Mirtes.

 

Já na Ponte Preta, a doutora, além do trabalho direto com os jogadores, conta com o apoio da fisiologia do clube. “A conversa com o Norbeto Toledo, fisiologista, é a todo o momento. Ele tem as impressões dos treinamentos, percepções de esforço, os dados importantes, passa isso para mim e fazemos um trabalho mútuo. E a partir daí, com essa união entre os profissionais, os atletas reconhecem essa bagagem, o quanto nós trabalhamos na ciência do esporte e confiam. Essa experiência da vida, gera competências que faz com que o atleta tenha mais confiança em relação ao profissional”, revela a doutora.

 

E um dos atletas que se enquadraram na metodologia desenvolvida pela profissional e tem conquistado resultados importantes, é o atacante Clayson. Mirtes explica o que tem feito com o atleta.  “O trabalho com o Clayson foi um direcionamento, de colocá-lo em um eixo dentro da Ponte Preta. Nós observamos os comportamentos que ele tinha, arrumamos isso, junto com outros comportamentos que ele trouxe de outros clubes e limpamos essas observações. Quando ele veio para cá, nos colocamos no eixo do clube, para as metas, ambientes e treinos da Ponte Preta. Isso significa que melhoramos as quantidades alimentares que ele estava comendo. Ele não se importava muito com a relação recuperação alimentar e as respostas que ele teria dentro do campo. Fortalecemos esse conhecimento e esse envolvimento dele com a alimentação. Começamos o trabalho com ele nessa consciência”, diz Mirtes, que pontua.

 

“Nosso trabalho é muito de consciência, para o atleta entender o que é importante para ele. Foi o que aconteceu. O Clayson compreendeu esse cenário de comportamentos, alinhamos o que ele tinha de bom de outros clubes e que cabia na Ponte Preta, tiramos o que ele não iria usar e nós aqui temos um ambiente que prorroga a fadiga. Ou seja, buscamos um ambiente em que ele vira para esquerda, para a direita, para frente e para trás e vai ter um trabalho de nutrição. É um cardápio de concentração voltado para muitos componentes que ele não tem como escapar. Então ele come e tento trabalhar o que El gosta. Tem-se os complementos dentro do campo, que vai em torno de duas mil calorias em um primeiro período de treino e mais mil calorias em um segundo período, e isso dá um embasamento bom para o corpo dele. Isso dá uma eficiência metabólica e fazendo com que ele reaja bem aos treinamentos. Proporcionamos lanches extremamente saudáveis, com conteúdos de nutrientes altos e que eles gostem de comer. Porém não adianta nada dar tudo isso e o atleta não ter a consciência do que isso significa. Esse trabalho foi feito em um  ano. Estabilizamos o peso dele, que era importante e agora ele está aumentado esse peso, que é muito importante para o segundo momento do campeonato, se não teoricamente ele teria muito desgaste se não voltássemos os olhos para isso”, afirma Mirtes, que acrescenta.

 

“Ele saiu de 58 kg e foi para 61,5kg. Isso para nós é extremamente importante porque reflete a eficiência metabólica que ele conseguiu com o apoio da nutrição, frente ao estímulo de treino de modo prático. Obviamente ele ganha massa muscular, eficiência no sistema de defesa, que é extremamente importante para o processo de recuperação e isso não estava tão eficiente assim. Ele ganha recuperação mais rápida de um dia para o outro. Toda vez que eu paro para conversar como está a consciência e aderência, ele diz que está muito bem e se recuperando mais rápido”, conta a doutora.

 

Mirtes também avalia como era a alimentação do atleta. “A alimentação do Clayson não fazia parte de um processo de treino, mas sim de um consumo do gostar e precisar. Se não está com fome no café da manhã, não come e s[o vai comer no almoço. Se gosta de alguma coisa que tem no café da manhã, então vai comer algum alimento. Essa visão não é para um atleta conseguir se superar. O treinamento é estresse o tempo todo e é preciso que isso aconteça. Porém, para que se tenha uma performance diferenciada tem que vir acompanhado de dois outros pontos: o descanso, nas pausas de treinos e efetivamente a alimentação. Aí se tem o estímulo, a alimentação e o descanso aliado à performance”, explica Mirtes, que destaca o trabalho feito com grande parte do elenco.

 

“Fizemos um trabalho com vários atletas nessa temporada. E quando os jogadores chegam à Ponte, muitos chegam com as características do Clayson. Aí observamos e começamos a fazer o trabalho, porém nem todos são iguais. É importante analisar esse cenário e trabalhar com os atletas de uma forma geral. Cheguei a ter no elenco quase 40% do time na minha mão, no sentido de colocá-los no eixo no que diz respeito à nutrição”, completa.

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