A Ponte é série A: presidente Márcio Della Volpe fala sobre o trabalho feito para voltar à elite e reforça que a meta é trazer o título do Brasileiro para Campinas

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PontePress/DJotaCarvalho

“Subir em 2014 é o único foco da Ponte Preta, é o maior objetivo.” A frase foi dita pelo presidente Márcio Della Volpe no final do ano passado, depois da queda para a série B. O retorno à elite, consolidado hoje, é justamente o resultado deste foco e de todo um trabalho realizado com muito esforço e criatividade para conseguir fazer futebol com um orçamento pequeno, que caiu drasticamente do ano passado para este. Feliz com a volta à série A tanto como dirigente como quanto pontepretano, o presidente alvinegro comemora o acesso e, assim como todo torcedor e como o técnico Guto Ferreira e o elenco, quer mais: Della Volpe quer ver a Ponte campeã, uma tarefa que sabe que não será fácil de cumprir, mas para qual a diretoria dará o mesmo foco e empenho que colocou no acesso. Confira a entrevista com o dirigente.

Você era gestor da Ponte quando o time conquistou o acesso com Gilson Kleina em 2011, tornou-se presidente na sequência e no ano passado viu a equipe viver um momento de contrastes, quando caiu para a série B, mas também conquistou seu título de maior expressão até o momento, de vice-campeã da Sul Americana. Como vê agora este novo acesso?

Para mim isso representa uma retomada ao ciclo normal da Ponte, a recoloca em um lugar do qual nunca gostaríamos de ter saído. Em 2011 tivemos o acesso, em 2012 uma boa participação no Paulista, em que pese a traumática perda da semifinal, conseguimos cumprir nossa meta naquele ano, que era nos mantermos no Brasileiro, algo que muita gente não acreditava. 2013 foi um ano intenso, primeiro com a possibilidade de sermos campeões paulistas e acabamos com o título do interior, depois a campanha não foi boa no Brasileiro e caímos, mas com a retomada do orgulho pontepretano na Sul Americana. Neste ano a palavra única voltou a ser “acesso” e o mais interessante é que pela primeira vez foi de forma tranquila, sem grandes percalços. Tivemos um início difícil, mas depois o time se firmou e a campanha até aqui foi fantástica.

E agora?

A partir desse minuto é buscar o título. Não vai ser fácil, temos que continuar pensando no jogo a jogo. E é diferente das finais da Sul Americana, onde você chega com igualdade de condições e decide em dois jogos: no Brasileiro temos quatro rodadas para suplantar um rival com um confronto direto e três indiretos. Não acaba naquele jogo e, sim, continua depois, então não podemos nos desconcentrar nem fazer festa em algum momento. Pode parecer incrível, mas é comemorar hoje e já esquecer o acesso, para só pensar no título.

Tem gente que já sonha com uma estrela na camisa…

Todos queremos ser campeões, mas é como o Guto fala, muito trabalho e pé no chão, vamos focar jogo a jogo. Quanto a ter ou não ter estrela se vencermos, não é nisso que precisamos pensar, isso se vê depois, porque primeiro precisamos vencer e chegar lá.

 

 

Como foi o trabalho da diretoria neste ano?

Sabíamos que 2014 que ia ser dificílimo, vínhamos de uma queda que por si só já era triste e, vindo com uma redução financeira drástica, era pior ainda. No futebol fomos em busca de parcerias, conseguimos com a Elenko e isso nos deu força para trazer atletas de qualidade, reforçando bem o elenco que já tínhamos – possibilitou trazer Rodinei, Rafael Costa, Renato Cajá e Alexandro Macacão, entre outros – e que foram bem trabalhados pelos nossos homens do futebol, o Guga (Gustavo Bueno, gerente de futebol), o Kazuo (Hélio Kazuo, diretor de futebol), o Pedro (Nicolau, co-diretor de futebol). Então essa atuação ímpar deles em conjunto da presidência nos possibilitou uma excelente composição e a possibilidade de fortalecer nosso elenco. Hoje temos, na minha opinião, o melhor elenco da competição. Não sei se é muita presunção, mas achamos isso.

Fora do futebol, nossa diretoria também agiu com uma sinergia incrível possibilitando toda a rede de apoio necessária ao time. Ações de Marketing, a administração no estádio, jurídico, médico, é difícil não encher de elogios estas pessoas que se dedicam tanto à Ponte por puro amor. Tivemos grandes conquistas, como o novo CT, que foi uma batalha conjunta com a prefeitura de Campinas e nos foi muito útil nesta caminhada do Brasileiro, o projeto Arena está consolidado e começa a sair do papel. Também ganhamos reconhecimento nacional e internacional por causa da Sul Americana, ganhamos representatividade efetiva na CBF, na FPF, participamos das reuniões do Pro-forte, fazemos parte efetiva do cenário do futebol nacional. A além disso tudo, temos nossos funcionários que são fantásticos, engajados em ajudar o clube, trabalham não só com profissionalismo como também com entrega, com coração. Creio que o resultado de tudo isso esta aí, para todos verem.

E o técnico Guto Ferreira, como se encaixou nisso?

Ah, é incrível como as coisas se encaixam, acontecem na hora certa quando têm que acontecer. O Guto chegou numa hora em que estávamos buscando um nome para conduzir o time ao acesso, depois de um começo que não aconteceu como queríamos. E veio a pitada de sorte quando na noite de Ponte e Vasco vimos no intervalo que ele tinha sido demitido do Figueirense e fomos imediatamente atrás dele. Falamos com o Guto e ele tinha a vontade de voltar para retomar o trabalho  e fazer ainda melhor, ele tinha a certeza e o empenho para isso, e contou com todo apoio da diretoria em conseguir objetivos. Acho que no período em que ele ficou longe da Ponte, tanto nós quanto ele amadurecemos muito. Nós sofremos com situações como a queda no Brasileiro, ele teve o trauma na Portuguesa, no qual o excelente trabalho dele acabou sendo nulo por uma situação alheia a ele. E a característica de jogo que o Guto gosta encaixou perfeitamente com o elenco que demos a ele. O Guto conseguiu aplicar neste time, que como disse considero ser o melhor elenco da competição, o grande conceito de futebol que tem, ele é um grande técnico.

Faltou falar da…

…torcida, claro, porque as coisas melhores deixamos por último (rs).  Já virou frase feita, mas o maior patrimônio da Ponte é a torcida, Às vezes temos discordâncias, como no começo deste ano, perto da Copa, por exemplo, houve alguns protestos, faz parte do processo, da democracia. Mas quando a torcida abraça o time, a Ponte cresce, é incrível. Basta lembrar a invasão do Pacaembu no ano passado, o espetáculo contra a Portuguesa neste ano e a vibração aqui mesmo, hoje, contra o Bragantino. Isso mostra não só a paixão, mas o carinho que a torcida tem pelo time, a vontade de ajudar a Ponte, que com a força da torcida torna-se praticamente imbatível.

E quanto a 2015, já se pensa em reforços, em como vai ser o time?

O nosso foco agora é total em conquistar o título e não podemos desviar dele, ficar pensando em outra coisa. É claro que temos nossos planos e o torcedor pode estar certo que nossa prioridade é manter a comissão técnica e ter o atual elenco como base, mas, volto a dizer, isso se discute depois. Agora que já estamos de volta à série A, o pensamento é um só: trazer o caneco para o Majestoso.

 

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