Novo comandante da Ponte Preta, Dado Cavalcanti quer subir para a série A com a Macaca e espera ter a torcida a seu lado: se mostrarmos nossa força, o caldeirão vai ferver

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PontePress/DJotaCarvalho

O técnico Dado Cavalcanti chegou ao Majestoso nesta segunda-feira e já comandou o elenco pela primeira vez durante a tarde. Com contrato assinado até o final de 2015, Dado se diz muito satisfeito em vestir a camisa da Ponte Preta e tem como grande objetivo levar o time de volta a elite. Para isso, o treinador pretende dar continuidade ao bom trabalho de Vadão – que deixou o comando para assumir a Seleção Brasileira de Futebol Feminino – e aos poucos impor o seu jeito ao time. Confira abaixo trechos da entrevista concedida hoje por Dado, na qual o treinador fala entre outras questões sobre a importância de largar bem na competição na qual a Ponte estreia nesta sexta (18) e conta que espera ter a torcida a seu lado na competição:  “Se mostrarmos nossa força, o caldeirão vai ferver.”

Como foi a chegada à Ponte Preta?

Para mim é um prazer em vestir a camisa da Ponte, assim como é um prazer suceder o Vadão. Minha expectativa não é outra que não o acesso à série A . O Vadão já vinha trabalhando no interior dos jogadores este objetivo, massificado na cabeça de todos, e venho corroborar esta ideia. O primeiro contato da ponte comigo aconteceu na quinta feira, foi tudo muito às claras, uma sondagem inicial sobre o meu interesse no caso de uma provável saída do Vadão. O desfecho veio ontem à noite, com tudo acertado, pingos nos iis e minha vinda pra Campinas. Era um namoro antigo, não aconteceu em outro momento por causa do destino. Hoje estou  aqui com muita satisfação e vontade pra vestir esta camisa, colocar em prática o trabalho e dar alegrias ao torcedor.

O time que Vadão vinha trabalhando será mantido?

É óbvio que estou chegando e pegando algo pronto e eu não seria idiota de começar do zero. Então vamos trabalhar da mesma forma que vinha sido feito e aos poucos vou colocando algo que eu entenda importante dentro do meu raciocínio e convicções, para chegarmos ao final do ano e podermos comemorar o acesso.

Já conhece o elenco alvinegro?

Conhecer é quando se trabalha, e deste grupo foram poucos que trabalhei, mas já joguei contra a maioria. Primeiro preciso conhecer os defeitos, pois as qualidades e as virtudes eu já sei por estudar aniversário , pois quando a gente joga contra sempre estuda as qualidades para neutralizar. Já alguns jovens da base eu não tenho informação. Nosso tempo é encurtado até o começo da competição, então vamos procurar usufruir ao máximo. Acredito que será aprendizado mútuo, eles vão aprender comigo e eu com eles, de maneira harmoniosa convergindo pro final que todos queremos, que é chegar forte e festejar no fim do ano a conquista pelo clube.

O Vadão trabalhava bastante com um grupo de lideranças no elenco. O que pensa disso?

Concordo e sou adepto a trabalhar com líderes do elenco, tem sempre os jogadores que fazem isso, nos ajudam a combater as deficiências e trazem as necessidades do grupo. Sei que posso contar aqui com jogadores como o Roberto, Adrianinho, Edno, Sacoman, e acredito que isso será muito benéfico.

Você pedirá reforços?

Acho muito precoce chegar na minha primeira coletiva, sem ter contato com os meus jogadores, e já falar em reforços. Sei que a Ponte Preta tem necessidades, as conversas que tive com a diretoria deixaram claras as possibilidades que temos, mas não posso falar em novos jogadores sem ter antes um contato melhor com os que estão aqui.

Seu nome já foi cotado para assumir a Ponte antes. O que não deu certo na época?

Quando eu fui para o Paraná eu tinha um acerto verbal com eles antes do fim do Paulista e pra mim a palavra vale muito. Quando a Ponte veio atrás de mim na época, eu já estava apalavrado e isso impossibilitou minha vinda. Depois do final daquele campeonato existiam conversas com o Coritiba e a definição com eles foi muito rápida.

Como você avalia seu último trabalho no Coritiba?

Quando fui para lá o Coritiba passava e ainda passa por reformulação, com jogadores com os quais contava saindo e outros chegando. Neste processo não se valorizou o estadual, que seria talvez o único título que poderíamos conquistar do ano. Com isso enfrentamos problemas, perdemos em momentos decisivos jogadores importantes (como aconteceu com o Germano), mas mesmo assim foi um bom retrospecto: dos 11 jogos, tivemos seis vitórias e só duas derrotas. Mas veio o desgaste e houve a opção pela troca de treinador, que não cabe a mim comentar. Saí com cabeça erguida, como cheguei, e agora assumo a Ponte Preta muito estimulado e motivado.

Muito se fala da força da torcida alvinegra e da pressão do alambrado. Como você vê isso?

Sou um eterno otimista e acho que se o alambrado treme, vamos fazer tremer pro adversário. Já joguei contra a Ponte e sei que se a torcida vem junto com o time, dificilmente a Ponte perde o jogo. É lógico que o torcedor vem ao estádio se enxergar condição no time de chegar, então vamos fazer nossa parte em campo e contar com o nosso torcedor. Se mostrarmos nossa força, o caldeirão vai ferver.

Como vê o início do Brasileiro e a parada pra Copa?

Temos que começar vem, esses dez jogos são muito importantes para termos uma boa arrancada e na pausa da Copa correr atrás das necessidades e deficiências que tivermos. Assim aproveitamos a parada em uma boa condição para fazer ajustes de rota e entrarmos ainda mais fortes no recomeço da competição.

Você foi o técnico mais jovem do Brasil a ganhar título. Como foi isso e como é para um treinador jovem lidar com atletas experientes?

Eu me preparei para ser treinador quando vi que não ia vingar como atleta. Comecei a estudar, buscar informações desde os 21, quando parei de jogar e assumi base do Náutico, até os 24, quando já era auxiliar técnico do profissional, e depois técnico. Aos 26 conquistei o primeiro título com o Ulbra e, naquela oportunidade, a média de idade da equipe era maior do que a minha. Em todas as equipes sempre teve jogador mais velho que eu. Mas é mais fácil lidar com atletas mais rodados, experientes, que sabem quem são e onde querem chegar, do que com um atleta mais jovem que sobe da Base e muitas vezes está deslumbrado, acha que é mais do que é, que tem uma visão distorcida pela fama, dinheiro. Trabalhar com o mais experiente é mais simples, você conversa, dá orientação e ele cumpre.

É mais fácil chegar para substituir um técnico que vinha fazendo um bom trabalho do que em uma crise?

É diferente o momento. Quando você chega em uma situação, digamos, mais hostil, tem que chegar chacoalhando o time, muitas vezes fazendo trocas radicais. Aqui o que está sendo desenvolvido está em um bom caminho, então é óbvio que inicialmente darei sequência ao que Vadão estava fazendo e aos poucos vou colocando o dedo, fazendo intervenções, trocas necessárias.

A Ponte vem utilizando muitos atletas da Base, como você vê isso?

Acho muito bom, mas para mim independe a idade do atleta ou de onde ele vem: vai jogar quem é melhor, independentemente de se é jovem ou é da casa, ou se não é jovem e não é da casa. Vai jogar quem tiver qualidade, não importa  quantos anos tem.

 

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