Carta à Nação Alvinegra: o ressurgimento da Ponte Preta

Vivemos um momento complicado no Campeonato Paulista e tenho a certeza de que nós, torcedores, estaremos mais uma vez transformando o Majestoso em um verdadeiro Caldeirão neste sábado, dando ao time toda e energia e apoio para vencer o Ituano e nos mantermos na série A1 do Paulista. Lutaremos fora e dentro de campo, com todas as nossas forças, nunca desistiremos – como manda a tradição da Ponte Preta.

É preciso assumir aqui a responsabilidade de nossa diretoria. Com certeza, cometemos erros na montagem da equipe. Não que haja dirigentes infalíveis, erros acontecem nas montagens de qualquer time, mas os problemas ocorrem quando mais se erra do que acerta. Vence o que erra menos.

Infelizmente, nossa performance foi comprometida devido ao pouquíssimo tempo de trabalho – começamos a montagem no dia 4 de janeiro, quando todos os outros clubes já tinham equipes prontas – e ao surto de Covid que atingiu simultaneamente 16 atletas. Assim, nossa pré-temporada foi extremamente comprometida. Isso se vê claramente em nossa preparação física, abaixo do que deveria estar.

Jamais vamos nos isentar da campanha ruim que estamos fazendo. Erros devem ser reconhecidos para que se aprenda com eles, para que possam ser evitados no futuro e para que arestas sejam aparadas. E isso será feito.

Mas, sem nenhum tipo de choradeira ou ladainha, é preciso falar um pouco sobre as razões que nos levaram a este momento, que claramente não se limitam somente ao campo, pois um clube de futebol vai muito além do que se vê entre as quatro linhas. Depois de décadas marcadas por gestões pautadas por interesses pessoais e uma grande inércia e perda de representatividade da Ponte no cenário nacional, o MRP (chapa que me conduziu à presidência) apresentou propostas consistentes para criarmos a infraestrutura e as condições necessárias para o clube dar um salto de qualidade nos próximos anos.

E entre os pilares fundamentais para isso estão a construção de um Centro de Treinamento moderno para a base e o profissional e um amplo processo de auditoria das contas do clube, que será marco zero de um novo modelo de gestão da Ponte.

Estamos avançando rapidamente com o projeto da ampliação do nosso CT, com estudos e projetos de engenharia em progresso, sob a condução da Comissão específica criada no Conselho Deliberativo, e com novidades que em breve para serem apresentadas.  O avanço do projeto ainda esbarra na falta de documentos do processo entre W-Torre e a antiga gestão, aquele acordo anterior para a construção de uma Arena no mesmo terreno do Jardim Eulina – todos os papéis neste sentido desapareceram, restando apenas atas de diretoria.

Antes de sabermos o teor do antigo acordo e quais as suas eventuais consequências e riscos legais e financeiros para a Ponte Preta, não conseguimos prosseguir com a velocidade que desejamos.  Trabalhamos para resolver esse imbróglio com rapidez e contamos com a colaboração daqueles que conduziram o processo em nome do clube.

Quanto à auditoria independente, que será acompanhada de todo um trabalho posterior de implementação de processos de gestão no clube,  estamos em negociação com duas empresas de reputação internacional e será iniciado ainda neste primeiro semestre.

Vale lembrar que este processo não tem o objetivo de “caça às bruxas”. Nosso objetivo é  oferecer um retrato fiel da situação das contas do clube para toda a nossa comunidade, dar à instituição Ponte Preta a credibilidade que ela perdeu e permitir um processo estruturado de busca de investimentos de longo prazo.

Estas ações são fundamentais para encarar de frente os problemas que a Ponte sofreu nos últimos 15 anos e que, entre outras consequências, trouxeram a deterioração de toda a nossa infraestrutura esportiva. Neste período, nada foi criado ou construído para acompanhar a evolução do futebol e dar as condições físicas e técnicas competitivas e diferenciadas à nossa equipe. Os raríssimos investimentos em infraestrutura foram meramente cosméticos.

Não cabe a nós imputar responsabilidades (isso será feito e confirmado pela auditoria), mas já há um entendimento bastante claro de que a Ponte tem um rombo financeiro que pode chegar aos R$ 250 milhões em dívidas e que o ano de 2017, que culminou com descenso à série B, nos traz consequências extremamente difíceis no âmbito financeiro até hoje.

A maioria das ações trabalhistas propostas contra a Ponte vem daquele ano, quando a diretoria da época deixou de pagar de três a cinco meses de salários para funcionários e atletas. Apenas para citar algumas poucas mais recentes, as de Fábio Ferreira , Rodrigo e João Vitor impactam os cofres da Ponte em mais de R$ 6 milhões.

Novas ações surgem a cada dia e estimamos que neste ano elas poderão impactar o caixa do clube em até R$ 35 milhões, algo que esta diretoria está tentando reverter juridicamente. E, não nos esqueçamos, a Justiça acaba de  determinar bloqueio das contas da Ponte Preta em virtude de um mútuo realizado pela gestão Vanderlei Pereira (mais uma vez, 2017) junto ao dono da EMS: o valor corrigido pode ultrapassar R$ 3 milhões.

Outro problema que enfrentamos foram os salários atrasados do último ano. Antes de assumirmos, buscamos recursos externos suficientes para os primeiros meses de gestão, que poderiam ter sido usados para outras contratações de jogadores que teriam tornado nosso elenco mais forte. Porém, parte destes recursos precisaram ser consumidos para saldar vencimentos de funcionários, impostos atrasados e despesas operacionais em atraso que impediam o andamento do dia a dia do clube – que já sabíamos existirem, porém superaram em muito o que projetávamos.

Continuamos, porém, unidos e fortes no propósito de reestruturar e reinventar a Ponte Preta para um futuro melhor, seja no modelo atual ou dentro de novos conceitos, como de uma SAF. Estamos estudando com profundidade todos os caminhos e atentos aos rápidos movimentos do futebol brasileiro atual, sempre submetendo e atendendo os anseios dos conselheiros, a quem caberá em última instância as definições dos caminhos do clube.

É fundamental, porém, que neste momento estejamos unidos. Entendo, claro, a tristeza e decepção nos corações pontepretanos. Acompanhamos também nas redes sociais as manifestações da torcida e críticas construtivas são muito bem-vindas. Mesmo aquelas mais contundentes, exprimidas diante da emoção, também tem nosso respeito. Lamentamos apenas aquelas proferidas pelos derrotados nas urnas, que deveriam ser pontepretanos como os demais e se unirem em prol do clube, mas infelizmente mostram em suas manifestações que colocam à frente seus próprios interesses e não a instituição. A estes cabe nosso total repúdio.

Termino esta mensagem deixando claro que jamais vamos jogar a toalha. O destino no Paulistão será decidido neste sábado e lutaremos até o último minuto. E não acreditamos em um revés, mas estamos preparados para lidar com ele. Continuaremos todos juntos, conselheiros, associados e torcedores. Unidos para promover o ressurgimento do primeiro clube de futebol do Brasil fundado como tal e em atividade ininterrupta desde a fundação. Continuamos firmes, sólidos e direcionados para este ressurgimento.

Marco Antonio Eberlin, presidente da Associação Atlética Ponte Preta

 

 

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