Com 25 anos completos como dirigente da Ponte, presidente de honra Carnielli fala sobre o time, campeonatos em disputa, Arena, as alegrias que teve com a Macaca e dispara: acredito em um título em breve

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É fato conhecido que o empresário Sérgio Carnielli assumiu a presidência da Ponte Preta em 1997, eleito após um curto mandato tampão no ano anterior. Como dirigente, no entanto, o hoje presidente de honra da Ponte Preta já completou as bodas de prata com a Macaca: são 25 anos desde que, pela primeira vez, ele começou a trabalhar oficialmente na gestão alvinegra.

“Assumi o cargo de diretor de futebol em 1989, completaram-se 25 anos agora no ano passado, em 2014. Para mim, poder ter dedicado tanto tempo a meu time de coração é um orgulho”, diz Carnielli. É fato que a Nega Véria conquistou o coração de seu eterno presidente bem antes, quando ele tinha 14 anos, já trabalhava em ritmo ininterrupto desde a infância e finalmente teve tempo para ir a um campo de futebol. Foi paixão à primeira vista.

Torcedor preocupado com os destinos do time, virou conselheiro em 1973 – ainda guarda como relíquia a carteirinha, com uma foto na qual ostentava os famosos bigodes que usava na época em que cabelos longos e calças bocas-de-sino eram quase item obrigatório em Campinas. Foi só em 89, contudo, que entrou nos quadros diretivos do time, nos quais acabou desenvolvendo um trabalho de décadas que o tornou conhecido e reconhecido como o grande benfeitor da Ponte, o homem que salvou a Macaca de um fim que se mostrava iminente graças a dívidas espalhadas por todo o país.

Afastado injustamente da presidência por uma polêmica decisão da Justiça em 2013, foi nomeado presidente de honra pelo Conselho, uma homenagem merecida, e, mesmo obrigado a se manter fora dos quadros da Macaca, continuou ajudando e incentivando como pode o time. Recentemente, por exemplo, foi ao CT em meio a uma onda de especulações de saídas dos principais jogadores e falou aos atletas em alto e bom som: “Precisamos de todos para o Brasileiro, agora ninguém sai mais da Ponte.”

Em entrevista exclusiva ao site oficial, dada uma semana após ter comemorado 69 anos de vida, o presidente de honra Sérgio Carnielli fala sobre a crença que tem em um título, como vê a Ponte em campo neste segundo semestre, o projeto da Arena e muito mais. Confira abaixo os principais trechos desta conversa.

PontePress – Já se vão 25 anos desde que o senhor assumiu pela primeira vez um cargo como dirigente da Ponte. Hoje, o senhor está afastado de um cargo oficial, contra sua vontade, mas continua presente na vida do clube. Como o senhor avalia todo este período?

Primeiro é motivo de orgulho trabalhar para o meu clube, trabalhar para a Ponte Preta me dá prazer, sempre, desde 1989, quando a Ponte estava em situação muito difícil. A gente vê hoje a evolução que teve e fica orgulhoso da Ponte Preta. Acho que estes 25 anos valeram a pena e quem sabe a gente vai ver muito em breve a Ponte conquistando um título.

Quem convive com o senhor sabe que este é um desejo constante seu. No ano passado, por exemplo, o senhor lamentou que não veio o título da série B, mesmo sendo uma divisão de acesso. Por outro lado, há quem pense que o senhor deixaria um título de lado para garantir o time na série A, por exemplo, sendo que o senhor mesmo já explicou que é possível ter ambos, não é isso?

Acho que o grande problema da Ponte em 2013, quando nós caímos, era que não tínhamos um plantel para disputar dois campeonatos. É claro que ninguém quer cair, porque quando se cai é muito difícil voltar. Nós, no ano passado, fomos premiados por nossa competência e até que demos sorte, investimos mais um pouco e conseguimos retornar. Geralmente, porém, isso não acontece, então em meu pensamento permanecer na elite é uma prioridade máxima. Mas este ano é diferente, temos plantel .Veja que na Copa do Brasil deste ano nós jogamos com time alternativo e tivemos bons resultados, mas é lógico que quando precisar entrar com o time titular vai entrar, porque como disse  queremos um título e acredito que teremos um logo. A Ponte vai tentar chegar nos dois, sim, e vamos ter em mente como podemos fazer o melhor com o plantel que temos.

Muita gente acha que ao se subir para a série A os valores recebidos aumentam e na hora tudo fica resolvido financeiramente, mas na realidade quanto mais o time fica na série B, mais déficit acumula, e muitas vezes para subir precisa gastar mais do que tinha, ou seja, quando conquista o acesso há muitas contas a acertar. Antigamente se dizia, até, que quando um time sobe para a série A ele precisa de três anos se mantendo na elite para colocar tudo em dia e finalmente começar a montar equipes competitivas, é isso mesmo?

Realmente ainda não estamos recebendo a verba necessária para montar um time ainda mais forte. Neste ano nós temos muito a pagar e a verba que estamos recebendo não é tão forte. A verba deve melhorar no ano que vem. Entendo que, na medida em que o tempo passa e ficamos na série A, vai aumentando a renda e este equilíbrio nas contas, e conforme vai aumentando, aí vai se investindo no futebol.  A ideia é ter sempre um time forte, competitivo, e a cada ano que passa ir melhorando. Não digo três anos, mas temos que fazer o possível e ano a ano ir melhorando o plantel e as condições para termos um bom futebol no cenário brasileiro.

Neste sentido de ter um time forte, o senhor recentemente foi ao CT conversar com os atletas dizendo que a partir daquele momento ninguém mais saia do elenco. Como foi esta conversa?

Na verdade a Ponte é, sempre foi, uma grande vitrine. Então o jogador que vem para a Ponte Preta, quando joga bem, acaba atraindo a atenção de outros times, muitas vezes de melhor condição financeira, que vem aqui para tentar pegar o jogador. Isso não é bom pra nós. Esse ano fizemos um Paulista bem disputado, interessante, trouxemos mais alguns bons reforços pro Brasileiro e os jogadores da Ponte estavam, sim, recebendo convites de outros times. Então, pra não ficar discutindo caso a caso, dizendo que não pode, que não dá, resolvi falar com o plantel todo.Disse a eles que a Ponte não abre mão de todo o plantel que ela tem. Gente que fez um bom Paulista, precisamos pra fazer um bom Brasileiro e aí, depois que tivermos terminado o ano, tivermos feito uma boa competição, aí pode-se conversar. Mas no meio do ano de jeito algum. Nós vamos dificultar e muito a saída de qualquer jogador, foi esse o papo com a equipe. Não adianta abrirmos mão de bons jogadores e ficarmos eternamente tendo que refazer um plantel.

Neste sentido, neste ano a Ponte obteve sucesso em manter uma boa espinha dorsal no Paulista. Ainda estamos no início da competição, mas o senhor acha que este sucesso inicial deve-se a esta postura?

Não tenho dúvida disso. A base da Ponte no Paulista continuou, são jogadores que hoje dão um ritmo interessante ao time. Os mesmos jogadores do Paulista estão no Brasileiro jogando e indo bem. Não pode mudar toda hora porque atrapalha, gera dificuldade ao treinador, perde ritmo, entrosamento. A ideia era manter o plantel e estamos conseguindo.

Se o time começou bem, por outro lado a torcida – que sempre apoia o time e historicamente comparece em grande número ao Majestoso – não tem comparecido à altura nos últimos jogos. Por que o senhor acha que isso acontece, como resolver isso?

Grandes clubes tem resolvido isso com o sócio-torcedor e a Ponte também vai fazer o mesmo. O torcedor, aquele que gosta da Ponte, vai pagar mensalidade e assistir aos jogos e ter benefícios. Os que não fizerem isso vão pagar mais caro. Vamos beneficiar os que se tornam sócio-torcedor e incentivar isso. Para mim esse é o caminho mais curto para ter mais torcida dentro do estádio.

Ao mesmo tempo, o senhor é um dos idealizadores – e está à frente como presidente de honra – do projeto Complexo Arena, que também diz ser uma forma de trazer mais o torcedor. Como está andando este projeto?

Está andando bem. Realmente, acredito que com mais conforto, estacionamento e até outros serviços e atrações para toda a família em dia de jogo, a Arena vai trazer mais gente. Hoje estão constituídas as equipes que estão trabalhando na prefeitura, na Ponte Preta, os investidores estão definidos e já fizemos reuniões para dar início efetivo ao projeto. Aredito que dentro de poucos dias vamos poder mostrar o projeto, deixar todos os pontepretanos a par da situação da Arena. Todo início é difícil, então enquanto não estiverem todos os pontos acertados, não vamos ficar anunciando. Mas creio que isso deve ocorrer em alguns dias.

Voltando ao futebol, o senhor diz que acredita em um título em breve. Nestes 25 anos do senhor como dirigente, a Ponte tem evoluído muito, dado passos firmes e, ainda que eventualmente tenha escorregado no caminho, tem sempre seguido em frente e jpa bateu muitas vezes na trave. O senhor acha que um título é uma evolução natural neste caminho, está chegando a hora?

É um fato. Você consegue um time bom para chegar em uma final de uma competição quando consegue manter bons jogadores, com um mesmo treinador, e vai acrescentando mais bons jogadores ao time. Esse trabalho vem sendo feito: além dos reforços que estamos trazendo, estamos mantendo a equipe. O caminho é por aí, não é só investir. Tem todo um processo que leva uma equipe a disputar um campeonato e ganhar. Para mim realmente esta hora está chegando, é um fato.

Qual sua maior alegria com a Ponte Preta?

Tenho 69 anos e torço pela Ponte desde menino, foram muitas alegrias. Mas uma que ficou muito em minha memória, marcou muito, foi o acesso de 1997, meu primeiro ano como presidente. Ainda fecho os olhos e vejo aquela defesa do nosso goleiro Fabiano no final do jogo contra o Náutico, foi histórico aquele lance. E depois a festa, a torcida estava esperando: vejo a torcida invadindo o campo, a festa nas ruas de Campinas invadidas pelos pontepretanos, cheias de bandeiras da Ponte, foi inesquecível.

Qual seu maior ídolo na Ponte Preta?

É o Dicá, não pode ser diferente. Ele e eu até já tivemos nossas diferenças fora de campo, mas mesmo quando isso ocorreu eu nunca teria como dizer nada em contrário: Docá foi o maior jogador e maior ídolo da Ponte.

 Qual o seu Dream Team, o time de todos os tempos? Vale escalar qualquer jogador de qualquer tempo.

Não foi da minha época, foi o de 77, que mais mexeu com a galera da Ponte. Nem colocaria outro jogador, porque o time de 77 tinha o entrosamento, a habilidade, tudo encaixadinho. Então os titulares seriam  Carlos, Jair Picerni, Oscar, Polozzi, Odirlei, Vanderlei Paiva, Dicá, Lúcio, Marco Aurélio, Rui Rei e Tuta. E o Parraga e alguns outros, que também entravam quando precisava.   Esse time fez o terceiro turno em 77 invicto: 2 a 0 no Guarani, 1 a 0 no Corinthians, 1 a 0 no Botafogo, 1 a 0 no Santos, 3 a 1 no São Paulo, 1 a 1 com a Portuguesa e 0 a 0 contra o Palmeiras. Não perdeu nenhum. Aí veio a final com o Corinthians, onde perdemos no apito. Mas o time era sensacional.

O senhor já deixou claro que está satisfeito com o time de 2015. E a diretoria, qual sua avaliação?

Muito boa. O Vanderlei como presidente, pra mim, que já conheço há muito tempo, não é nenhuma surpresa que esteja indo muito bem. A diretoria toda ainda é nova, mas ela está indo muito bem, não vou falar individualmente porque cada um e todos eles estão fazendo um ótimo trabalho.

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