Em 2013, dois anos depois de termos retornado à elite do Campeonato Brasileiro graças a uma luta incessante que travávamos desde 2007, mais uma vez nos vemos na série B. O sentimento de tristeza existe (ainda que misturado com a euforia que vivemos por estarmos disputando nas próximas semanas o título de campeão Sul Americano) e não pode ser negado. Mas nem por isso deve ultrapassar o sentimento de honra e de dignidade de ser pontepretano. A instituição e o trabalho que estamos fazendo nas últimas gestões são muito maiores do que o resultado de um campeonato. Pensar diferente é pensar pequeno, ainda quando pela primeira vez em seus 113 anos de história estamos não só disputando um torneio internacional como chegamos às finais desta mesma competição, com chances reais de conquistar o título.

Enfrentamos dificuldades e obstáculos notórios que nos conduziram até a atual situação no Brasileiro. Não é hora de regurgitar fatos nem de atribuir culpas. Mas a responsabilidade, essa é minha, como presidente do clube, e da instituição. Uma responsabilidade que assumo não apenas como dirigente, mas como um torcedor pontepretano, de família de muitas gerações de pontepretanos, que fez o seu máximo para evitar esta queda.

Nos últimos anos, a Ponte tem tido belas exibições no Campeonato Paulista, ficando sempre entre os oito primeiros, diversas vezes entre os quatro – além de ter sido finalista em 2008 e duas vezes campeã do Interior. Somos reconhecidamente, hoje, uma das principais forças do futebol paulista.  Disputamos, neste ano de 2013, pela primeira vez em nossa centenária história, uma competição internacional na qual estamos fazendo bonito e lutando já com todas as nossas forças em busca de um título inédito e sonhado por toda nação alvinegra. Estamos nas finais da Sul Americana 2013.

Fora dos gramados, temos grandes dívidas, mas grandes dividendos. Pagamos nossas contas em dia e temos uma administração respeitada, uma gestão moderna, correta, limpa e transparente. Hoje, a instituição Associação Atlética Ponte Preta goza de um respeito no mundo do futebol quase tão grande quanto sua tradição como primeiro time de futebol do Brasil em funcionamento ininterrupto desde sua criação e primeira democracia racial do futebol brasileiro. E é nesta instituição que devemos pensar, hoje e sempre.

Como responsável pela Ponte Preta neste momento difícil, peço primeiro desculpas à nossa amada torcida. Não, cair para a série B não é o fim do mundo. Mas é doloroso e nunca gostaríamos de passar por isso, ainda mais porque, em nossa avaliação, seriam necessários três anos na série A para que as finanças do clube se estabilizassem em definitivo, trazendo inúmeras benesses a nossa querida Macaca. Foram dois. Com a queda, não começaremos do zero, mas teremos que redobrar mais uma vez nossos esforços e criatividade para que o crescimento não se estagne.

 Em segundo lugar, pensamos no futuro e clamo a esta mesma torcida que continue apoiando a Ponte Preta, cada vez mais, com cada vez mais paixão. Este apoio será, como sempre, crucial para que conquistemos grandes resultados e para que possamos transformar esta queda em algo transitório, para que possamos comemorar juntos e o mais rápido possível um novo retorno à série A.

Antes disso, porém, temos um título a disputar e convoco todos os pontepretanos para que juntos enchamos o Pacaembu na próxima quarta e apoiemos nossa amada Macaca em busca do grito de campeão há tanto tempo entalado em nossas gargantas. Façamos do dia de hoje um dia de resignação e compromisso. Um dia no qual reiteramos o sentimento tão bem exposto por nosso hino quando as palavras de Renato Silva colocam  “Ponte Preta, sempre, sempre, na derrota ou na vitória”, mas mais ainda quando afirmam “orgulho de nossa terra”.  Caímos, sim, mas caímos em pé.

Márcio Della Volpe,
Presidente da Associação Atlética Ponte Preta

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