Categoria de Base da Ponte comemora bom ano e pode alcançar resultado ainda mais positivo neste fim de semana; Kiko, diretor da Base, faz balanço de como foi o ano de trabalho da garotada

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A Ponte Preta sempre foi vista como uma das agremiações mais importantes do país quando o assunto é categoria de base. Durante muitos anos grandes talentos surgiram entre o infanto-juvenil e os juniores alvinegros. Nas décadas de 80 e 90, os garotos da Macaca encantaram o Brasil e conquistaram títulos importantes – tais como o bicampeonato na Copa São Paulo de Juniores (1981/1982) e tri no Paulista de Juniores (1981,1982 e 1983); no Juvenil, o Paulista de 1991 e, naquele mesmo ano, a Copa São Paulo de Futebol Infantil. 

 

Em 2013 a Ponte Preta voltou a despontar no cenário nacional por ter conseguido resultados expressivos ao longo do ano, como ter chegado às semifinais da Copa do Brasil SUB17. Além disso, atletas foram convocados para a Seleção Brasileira e alguns jovens talentos são usados com frequência na equipe profissional da Ponte, como Alef, Ratão, Lika e Eduardo Silva.

 

Às vésperas de mais uma importante decisão no ano – o SUB 15 enfrenta o São Paulo neste sábado, às 9 horas, no Centro de Treinamento do rival, em partida válida pela semifinal do Campeonato Paulista da categoria – o diretor das categorias de base da Macaca, Francisco “Kiko” Marques, deu uma extensa entrevista ao site da Ponte. Kiko abordou diversos assuntos referentes aos trabalhos realizados pela de base e fez uma avaliação do quanto foi positivo o ano de 2013 aos jovens talentos do clube. Confira:

 

PontePress – 2013 está sendo definitivamente um ano de retomada para as categorias da Ponte. A que você atribui este fato?

 

Kiko Marques -Está sendo, sim, mas o ano ainda não acabou. Estamos em uma semana de uma decisão de semifinal contra o São Paulo e tenho certeza que neste sábado nosso SUB15 vai mostrar dentro de campo tudo aquilo que eles mostraram durante o ano todo e, se Deus quiser, vamos fechar com chave de ouro o ano de 2013. Está sendo excelente para a base num geral. Atribuo isso ao trabalho dos garotos, principalmente na mudança de se captar estes garotos também. Aos profissionais que conseguimos trazer e que estão no nível que planejamos. Com muita calma, muito planejamento, chegamos em um nível de profissionais hoje na base que não tinha como não dar certo. O resultado está vindo até um pouco antes do que esperávamos. Esperávamos até mais um ano de preparação e maturação dos garotos, mas estamos muito felizes e eu, particularmente, estou muito feliz com os garotos, com os profissionais. Não podemos deixar de falar também da ajuda que o Futebol Profissional tem nos dado, o suporte financeiro, mesmo sabendo das dificuldades que a Ponte Preta tem hoje. Mas o Márcio Della Volpe e o Vanderlei Pereira (diretor financeiro) em momento nenhum mediram esforços para ajudar a base naquilo que ela precisou e o resultado está aí. Fizemos uma excelente Copa do Brasil, um ótimo Paulista SUB17. A eliminação nas oitavas-de-final foi uma surpresa, mas, enfim, não fizemos um bom jogo lá em Presidente Prudente e acabou culminando com nossa precoce eliminação. Mas o SUB 15 está aí na semifinal, com chance de chegar à final e até mesmo conquistar o título, em uma categoria que há anos estamos buscando esse resultado. Há 22 anos não chegamos em uma semifinal e isso é fruto de um trabalho. No início do ano tivemos excelente resultados. Fomos campeões da Copa Tambaú, que é de um nível bem elevado, e fomos em um torneio SUB17 com a categoria SUB 15 e acabamos conquistando o título lá. Fomos terceiro colocados na Copa Ouro, tanto no SUB15, quanto no SUB 17, onde o treinador fez um laboratório visando ao Paulista e todos os jogadores foram avaliados. Buscamos ver os garotos, testá-los e ver as qualidades e mesmo assim ficamos em terceiro lugar nas duas categorias. Está sendo um excelente ano tanto em resultados, quanto em estar revelando, que para nós é o que mais buscamos. Este ano para nós foi muito bom e temos certeza que 2014 tem tudo para ser ainda melhor.

 

 

Tanto a parceria com a Contra-Ataque quanto o fim desta parceria tiveram questionamentos e benefícios. Qual é sua avaliação sobre isso?

 

A parceria com a Contra-Ataque foi em um momento que a Ponte Preta estava passando por uma reestruturação e nós achamos que o momento era de uma parceria. Durante o tempo que essa parceria durou foi bom para a Ponte. A Contra-Ataque nos deu um aporte financeiro necessário para aquele período, mas chegou em um momento que a Ponte teve condição de melhora no ponto de vista financeiro e achamos melhor finalizar. Foi o fim de uma parceria dentro do contrato que foi assinado. Podemos dizer que tanto para a Ponte quanto para a Contra-Ataque foi bom. Agradecemos a eles pelo período que nos deram de suporte e o importante é que hoje a Ponte tem condições de se manter, tocar projetos e de ano a ano melhorar no ponto de vista de estrutura, logística, captação. Hoje o clube está com algumas dificuldades, e todos os clubes na base passam por momentos difíceis, a Ponte não é diferente. Mas foi um período de parceira muito importante e nos ajudou muito. A Contra-Ataque também pode alavancar seu nome, no trabalho que fazem no futebol de base. Os dois lados saíram sem problema nenhum.

 

Quatro atletas da Base hoje estão no profissional. São nomes que você mesmo já havia citado como atletas de potencial. Na sua avaliação, há mais jogadores com os quais Jorginho poderá contar? E estes atletas já poderiam ter subido antes? Isso é algo que depende do treinador do profissional ou é um conjunto de decisões que leva em conta até a maturidade do atleta, para que o acesso seja “na hora certa”?

 

R: São garotos, a maioria deles com 17 anos, mas é uma safra que apostamos muito. Tenho certeza que mais essa competição que está para se iniciar, que é o Campeonato Brasileiro, em Porto Alegre, e mais a Taça São Paulo, estes jogadores vão adquirir mais experiência, maturidade e tenho certeza que para o Paulista de 2014 de quatro a seis jogadores podem ajudar muito o profissional, o Jorginho, e vão brigar de igual para igual com os atletas que aqui já estão e com os atletas que aqui chegarem. Apostamos muito. São garotos de muita personalidade, de muito potencial técnico e temos certeza que poderão fazer um ótimo trabalho e alegrar muito a torcida da Ponte.

 

O SUB17 deste ano teve excelente desempenho, inclusive na Copa do Brasil, onde chegou às semifinais desbancando times favoritos e de tradição. Como você viu isso? Em quem o torcedor pode ficar de olho para os próximos anos?

 

Vimos como excelente resultado. Estes garotos no SUB 17 durante a competição da Copa do Brasil…o time foi encorpando, adquirindo tranquilidade, maturando e chegamos até às semifinais sabendo que poderíamos ter conquistado até o título. Desse time apostamos muitos nos garotos, alguns que já integram o SUB20. Outros ainda falta um pouco de experiência e que precisam jogar um pouco mais competições importantes.Quanto a nomes, temos lá o Jeferson, nosso lateral que faz parte da seleção brasileira, que tem muita força; o Cita, volante; o Yan, meia, canhoto, habilidoso, muito bom. O Bruno Arcanjo, atacante, muito voluntarioso, não tem bola perdida, é um menino que vai se identificar muito com a torcida da Ponte; o Matheus Aiás, atacante que foi artilheiro da Copa do Brasil e vice-artilheiro do Paulista; e o Luizinho, também atacante que pode fazer os dois lados. São alguns nomes, mas sabemos que outros garotos, com muito potencial em breve vão fazer parte desse grupo, mas nesses vimos um perfil mais maduro, com mais tranquilidade para chegar e fazer parte do grupo principal para 2014.

 

 

Também neste ano a Macaca teve atletas juvenis convocados para a seleção. A CBF redescobriu a Ponte Preta?

 

Sem dúvida. Nos últimos anos, senão me engano nos últimos oito ou nove, o último atleta convocado havia sido o Rafael Santos. A Ponte Preta, devido à qualidade dos seus elencos, em todas as categorias, representou muito bem a Ponte nas competições. Sabíamos deste bom momento, que a CBF vinha monitorando e observando de longe alguns garotos e culminou na convocação este ano de dois deles: o Jeferson e o Lucão (que acabou sendo convocado pela Ponte Preta, mas foi cortado devido aos problemas após sua saída conturbada do clube). A CBF sabe da qualidade da base da Ponte e qualquer garoto hoje tem condição de ser convocado e representar muito bem a Ponte na seleção brasileira.

 

Hoje a Ponte é um time formador. Como isso ajuda a segurar talentos e quais outras medidas a Macaca toma para proteger seus jovens?

 

Depois de muita luta e investimento na base, temos a chancela de clube formador. Hoje, no Brasil todo, são 25 clubes que tem esse documento que dá um pouco de tranquilidade em relação a cercear um pouco mais as investidas sobre os garotos, principalmente os mais jovens, que ainda não têm um contrato profissional. Essa chancela dá credibilidade a todo trabalho que vem sendo feito. Isso mostra que a base está estruturada, muita coisa foi conquistada. Tem muita coisa que vamos conquistar nos próximos meses, mas isso confirma e fortalece o trabalho que vem sendo feito nos últimos anos. Para muitos pode parecer apenas um documento, um simples papel. Mas para nós, quem trabalha no dia-a-dia da base sabe da importância que tem. A chancela dá todo um respaldo de estrutura, de logística, jurídico e isso só vem a somar e para mostrar aquilo que hoje é a base. Estamos voltando a revelar, formar acreditamos que nos próximos anos estar bem próximos do que foi a Ponte Preta na década de 70, começo dos anos 80, quando revelava inúmeros atletas, com muita qualidade e que por muitos anos representaram, mostraram trabalho, conquistaram muito. Foi a melhor época, os anos áureos da base, estamos trabalhando para isso: para revelar e voltar àquele período e mostrar para a nossa torcida que a Ponte tem condição, qualidade na base e solidificar esse trabalho que estamos alguns meses estamos fazendo e não tenho dúvida que muita coisa boa estar para vir, muitos atletas e enfim, vamos ter muitas alegrias com a base da Ponte.

 

Fale um pouco sobre o caso Lucão, o sentimento do clube em relação ao ocorrido e que medidas foram ou serão tomadas.

 

O caso do Lucão nos entristeceu muito. A repercussão foi grande, até mesmo dentro da nossa base, entre os garotos, os próprios companheiros da categoria juvenil. A forma como foi a saída da Lucão chamou atenção. Apostávamos muito nele, os profissionais da Ponte que trabalharam com ele se dedicaram muito. Hoje ele é um atleta que despontou muito interesse de muitos clubes. Ele fez um grande trabalho e teve um ano muito bom no SUB 17. Mas a forma como ele saiu repercutiu muito. A Ponte Preta está lutando, o assunto não está encerrado. Passamos o caso para o nosso jurídico. Sabemos que foi uma conduta por parte do São Paulo, totalmente contrária a que as categorias de base, que até então insistia nessa forma totalmente antiética. Mas a Ponte sabe dos direitos que tem sobre o Lucão. Investiu no garoto, profissionais fizeram um trabalho forte para que o Lucão chegasse no nível que chegou e o nosso jurídico está trabalhando forte, com autorização do nosso presidente, temos certeza que em alguns meses teremos novidades sobre esse caso. Sabemos que a justiça é lenta, mas acreditamos nela. O São Paulo vinha tendo essa postura de tirar atletas da Ponte e ficava sempre no esquecimento, de um jogador a mais que saiu. Mas a Ponte, nesse momento de um trabalho profissional, entendeu que tinha que dar um basta e ir contra o São Paulo. Entendemos que era o momento. Buscamos os nossos direitos, tivemos o apoio de todos os clubes do Brasil e agradecemos muito esse apoio, porque foi muito importante. Esse caso Lucão foi um divisor de águas, em uma nova postura que os clubes tem adotado e quem sabe de agora para frente o São Paulo e outros que tiverem postura antiética entendam que não tem mais espaço para esse tipo de decisão e mecanismo de vir no clube, tirar o atleta, simplesmente como se fosse um atleta qualquer, sem nenhum respaldo. Mas temos certeza que isso vai ser solucionado, a Ponte não vai ficar no prejuízo e vamos até o fim.

 

O SUB15 da Ponte chegou novamente às semifinais de um paulista após 22 nos. A que você atribui isso?

 

Ao empenho dos garotos. Nossa comissão técnica vem fazendo um excelente trabalho. Também por conta da nossa captação. Muitos desses garotos chegaram recentemente e já vemos resultado. Melhorou na forma de se achar, de captar e de estar observando estes garotos há algum tempo. O bom contato que temos com alguns parceiros, profissionais que trabalham nessa área de captação e de observação e hoje voltamos a ser aquela vitrine em base. Hoje o pessoal sabe do trabalho sério que está sendo feito aqui. Muito professores agora procuram a Ponte, pois sabem do nível técnico alto que temos na base hoje, e o profissionalismo que trabalhamos é um diferencial para os captadores, parceiros e os próprios garotos que hoje procuram a Ponte, antes mesmo de ir atrás de clubes da capital e de outros estados. Isso já mostra uma evolução muito grande na forma de trazer esses garotos. É um grupo jovem, a Ponte aposta muito nesses garotos do SUB15. Eles vem ganhando espaço, se dedicando bastante e o resultado está aparecendo. Está sendo um ano muito bom para eles, para os profissionais que lá estão e acredito que podemos fechar esse ano com um título.

 

E a retomada do trabalho de captação? Nunca antes a ponte fez tantas peneiras em tantos municípios como neste ano. Qual a importância disso e qual o papel das escolinhas (franquias) para se revelar novos craques?

 

O trabalho da captação é muito importante para nós, que temos poucos recursos em termos de se pagar uma ajuda de custo, comparando a outros clubes do Brasil. Temos que buscar outras formas de trazer esses garotos. Uma dessas formas e que estamos tendo sucesso é na captação. Nossos captadores são funcionários da Ponte Preta, são pagos pelo clube, que saem por cidades da região e outras regiões dentro e fora do estado. E nesse novo projeto das escolinhas, das franquias, que em um espaço tão curto, por ser um projeto recém-inaugurado, já temos bons resultados e alguns garotos no SUB 14, 13 e 12, e com nível muito bom. É um projeto novo, mas muito bom. Eu acompanhei um pouco desse projeto, feito com muita cautela, estudo, pelas pessoas que estão inseridas, que são torcedores abnegados, como é o caso do Chico, que vem encabeçando, o Giovanni Dimarzio, o Fantinatti, o Ricardo Almeida, e sabemos que está apenas se iniciando. Temos menos de um ano, são por volta de 22 franquias e com planos de mais oito ou nove até o fim do ano.  E para o ano de 2014 a ideia é dobrar isso, o que vem a somar bastante. É uma porta de entrada de atletas, de garotos, pra que mostrem sua a qualidade, trabalho, na nossa base. É uma importante porta de entrada sim e que hoje temos essa fonte de trazer garotos, para fortalecer e trazer ainda mais às nossas categorias.

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