Reconhecimento nacional e internacional para a Ponte Preta e melhorias dentro e fora do campo: com sentimento de dever cumprido, ex-presidente Márcio Della Volpe faz um balanço de sua gestão frente à Macaca

 

Crédito obrigatório para reprodução da foto:
PontePress/FábioLeoni

Apontado por jornalistas e autoridades do futebol como um grande diplomata da Ponte Preta,  Márcio Della Volpe deixou o cargo de presidente na última quinta-feira (4), dando fim à sua gestão de três anos frente à instituição . A pedido do site oficial, o presidente faz um balanço do trabalho realizado pela Macaca e afirma: “Ter sido presidente da Ponte Preta foi uma grande honra e agradeço a todos os torcedores, diretores e funcionários que deram sua força e apoio não à mim, mas à instituição que todos amamos. Vamos continuar todos juntos apoiando a nossa Macaca, pois cada  vez mais depende apenas de nós mesmos fazer a Ponte gigante como diz nosso hino.”

Você se tornou presidente da Ponte Preta para a gestão 2012-2014, mas já integrava antes o quadro diretivo do time.

De fato, entrei na Ponte como coordenador do Torcedor Camisa 10, depois fui diretor de Marketing e em 2011 me tornei gestor não-remunerado do clube, junto com o conselheiro Miguel Di Ciurcio. Na ocasião, a Ponte vinha de uma péssima campanha no Brasileiro da série B 2010 e assumimos com o intuito de recuperar o nome da Ponte, colocando como objetivo principal no ano o acesso para a série A. Conseguimos chegar nas quartas do Paulista e depois disputamos o título do interior com o Oeste. Então, com o Gilson Kleina como técnico, tivemos o acesso para série A do Brasileiro após cinco anos de série B.

Como gestor, qual foi seu principal trabalho?

Fizemos uma reestruturação em todos departamentos da Ponte, para profissionizar ainda mais alguns deles e tentar reduzir o alto custo do clube, e com sucesso atingimos este objetivo. Também iniciamos um trabalho na recuperação da imagem e da força da Ponte Preta junto às instituições futebolísticas, em especial a Confederação Brasileira de Futebol e a Federação Paulista de Futebol.

 Então veio 2012, você foi candidato a vice-presidente, mas em virtude do afastamento do Sérgio Carnielli pela Justiça acabou se tornando presidente.

Não era algo que queria. O plano inicial era continuar como gestor, talvez de maneira mais profissionalizada. Mas a decisão, primeiro por liminar e depois por julgamento em primeira instância, acabou afastando o Sérgio, que para mim era o presidente de direito, foi vítima de uma injustiça, que esperamos que ainda seja revertida no julgamento marcado para esta semana. Sempre trabalhando na linha da nossa chapa, iniciamos então o mandato.

E como foi este primeiro ano?

No futebol fizemos um Campeonato Paulista razoável na primeira fase, onde nos classificamos em oitavo lugar e disputamos as quartas contra o primeiro Corinthians, vencemos o jogo e fomos para as semifinais. No Brasileiro fizemos um torneio de manutenção, onde nunca chegamos a correr qualquer risco eminente de rebaixamento, mesmo quando perdemos nosso treinador querido pela torcida após um período irregular. Nos recuperamos e seguimos tranquilos até o final, onde conseguimos o índice para classificar na sul americana. Fora de campo, a boa campanha da Ponte repercutiu no lado político com um reconhecimento maior das entidades, ampliando o trabalho iniciado no ano anterior como gestor. Também executamos um  controle de gastos que nos permitiu fechar o ano com superávit mesmo na série A.

E então veio 2013, um ano que, como você mesmo já definiu em oportunidades anteriores, foi um ano de sentimentos contraditórios.

Com certeza. Após maravilhosa campanha na primeira fase do Paulista, a melhor da história, fomos derrotados na quartas e mesmo assim conseguimos o titulo do Interior. Uma conquista mínima ,mas ainda assim uma conquista. Então caímos no Brasileiro, o que foi o grande ponto negativo, por conta de um péssimo primeiro turno – onde encerramos a fase inicial com apenas 15 pontos em 19 jogos. Mesmo com uma campanha melhor no segundo turno, acabamos em nono lugar só contando o mesmo acabamos indo para segunda divisão, o que teria um efeito péssimo nas finanças da Ponte. Em contrapartida, disputamos com grande desempenho o primeiro torneiro internacional na história do clube. Ele culminou com a chegada inédita à final, o que praticamente abafou a tristeza do rebaixamento, com momentos memoráveis como a invasão de Mogi, do Pacaembu e de Buenos Aires, as vitórias contra Vélez e São Paulo e ainda as quatro mil pessoas na final. Não só foram momentos inesquecíveis para a Ponte como nos projetaram internacionalmente. La Puente Negra ficou famosa em toda América Latina, a do Norte e na Europa também, pois os jogos eram transmitidos internacionalmente. Nosso desempenho gerou ainda mais admiração e respeito em todo o meio do futebol. Infelizmente, porém, a queda para segunda divisão transformaria o ano seguinte em dramático para o clube.

 Neste sentido, 2014 foi um ano no qual a Ponte usou muita criatividade para resolver seus problemas e pagar suas contas, não? 

Sem dúvida alguma. Tivemos mais um bom Paulista com uma primeira fase atingindo fácil o objetivo, mas caímos nas quartas novamente. Isso não nos preocupou tanto, porque nosso foco foi total na montagem de um bom elenco para disputa da série B, precisávamos subir a todo custo. E mais uma vez conquistamos a meta principal. Após um início irregular e troca de treinador, o elenco foi reforçado e muito graças a parceria com a empresa Elenko – que possibilitou as vindas de Rodinei, Renato Cajá  ,Rafael Costa , Alexandro entre outros. Conseguimos atingir o objetivo de acesso com quatro rodadas de antecedência e ficamos a dois pontos do tão sonhado titulo.

Fora todo este histórico de performance e gestão financeira, vale destacar também a melhora de infraestrutura durante a sua gestão?

Certamente vale: para citar apenas alguns fatos, tivemos a aquisição do Gorilão, as melhorias no estádio com novas cabines de imprensa, a manutenção sempre em dia, um novo placar eletrônico com mais definição, o acordo feito para a Copa que possibilitou a reforma do CT sem custo direto para Ponte com local de primeiro mundo para treinamento do profissional… Também tivemos a mudança das categorias de Base para o CT de Jaguariúna, o que possibilitou uma profissionalização maior deles, nos últimos anos isso tem se refletido em novos talentos no time profissional e inúmeras convocações de nossos meninos para as seleções brasileiras de Categorias de Base. Também ainda conquistamos projetos incentivados por lei, que possibilitaram o custeio da base no ano de 2013. Cabe ressaltar ainda a manutenção de patrocinadores por longo período – como Hitachi, Monroe e PBF – com a Ponte desde 2012. Tivemos participação constante nas reuniões de interesse da Ponte em todas as esferas do futebol e da política também, inclusive em Brasília. Por fim, fizemos acordos com várias empresas que permitiram melhorias estruturais no clube (como TVs, internet,  capacitação de profissionais, equipamentos e implementos) e tivemos grande avanço no acordo para construção da nova Arena. Ah, e é preciso lembrar também que retomamos o contato com times no exterior, trabalhando nossos atletas junto a eles. Entre outras negociações, tivemos a ida do César para o Benfica e, mais recentemente, o empréstimo do Alef ao Olympique de Marseille.

O diretor financeiro de sua gestão, Vanderlei Pereira, foi o mais novo eleito como presidente. Qual é a mensagem que você deixa para ele e para os torcedores?

Ter sido presidente da Ponte Preta foi uma grande honra e agradeço a todos os torcedores, a todos os diretores, os atletas, comissão técnica e funcionários pontepretanos que deram sua força e apoio não à mim, mas à instituição que todos amamos. Vamos continuar todos juntos apoiando a nossa Macaca, pois cada  vez mais depende apenas de nós mesmos fazer a Ponte gigante como diz nosso hino. Vanderlei é uma ótima pessoa, um profissional competente, e tenho certeza que fará o seu melhor pela Ponte Preta, assim como eu fiz o meu. Vamos todos caminhar juntos e desejo a ele e à nossa Ponte Preta toda a sorte e um grande futuro. 

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS