Gerente de futebol da Ponte Preta, Gustavo Bueno faz um balanço da campanha da equipe até o momento e fala sobre o planejamento para 2017

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Na tarde desta segunda-feira (31), o gerente de futebol da Macaca Gustavo Bueno deu uma longa entrevista para os jornalistas. Sem fugir de nenhum questionamento, o dirigente falou sobre a campanha da equipe no Brasileiro da Série A, sobre as dificuldades em montar um elenco para a disputa da divisão de elite com um limite financeiro para não comprometer as contas do clube. Ele também falou sobre as renovações e sobre as pontuais contratações que devem acontecer, e destacou: "Nós ainda acreditamos na Libertadores". Confira os principais trechos:

Campanha no Brasileiro até o momento

Se formos analisar pelos últimos quatro jogos, nós fizemos dois em casa e dois fora. Conquistamos duas vitórias em casa. É um campeonato muito competitivo, difícil e depende de situações do campeonato. Muito se fala que a Ponte não tem feito uma campanha fora e realmente longe de Campinas não tem sido regular. Mas hoje gostaria de estar no lugar do Atlético Paranaense, que é o sexto colocado com 51 pontos, sendo uma das piores campanhas fora de casa. Se não me engano a Ponte é o clube 13º colocado a nível de pontuação fora. Se valesse rebaixamento para jogos fora de casa a Ponte não correria risco também. Depende muito do ponto de vista. Eu procuro olhar pelo campeonato que está sendo feito. Hoje a Ponte tem um média de nona colocação ao longo do campeonato. Junto com a Chapecoense, dentro dos times com receita menor, são as únicas equipes dentro desse contexto, que não tiveram nenhum susto com rebaixamento. A Ponte Preta atingiu na 31ª rodada a sua manutenção, com 45 pontos, ainda faltando cinco jogos. Procuramos ver o lado positivo. Temos quatro atletas da base que participaram do Campeonato Brasileiro, que jogaram, dois que não atuaram, mas estiveram no elenco, caso do Émerson, lateral direito que ficou no banco e o próprio Ivan goleiro. Temos dois artilheiros brigando e que fazem parte do elenco. O Roger briga para ser o artilheiro do Brasil e o Pottker para ser artilheiro do Brasileiro. Eu procuro olhar pelo lado positivo. É claro que tivemos algumas coisas que algumas pessoas não gostaram, mas eu vejo muito mais coisas boas que negativas.

Vaga na Libertadores

“Nós ainda acreditamos na Libertadores. Claro que estamos trabalhando com o planejamento de 2017, mas estamos há seis pontos do G6 e cinco pontos do G7. Se formos analisar, dos cinco jogos que restam, temos três confrontos, sendo dois em casa. Temos o Santos, o Fluminense e só o Botafogo fora. Então acreditamos sim, vamos lutar até o final em busca desse objetivo, até mesmo porque sabemos da importância que é disputarmos uma Libertadores. Seria histórico para o clube, além da questão financeira. Enfim, vários fatores que são de suma importância para brigarmos por esse objetivo.

Montar um elenco para disputar a Série A com orçamento limitado:

Tudo é um trabalho que tem que ser conduzido a médio e longo prazo. É muito difícil dentro de uma realidade orçamentária que a Ponte Preta vive hoje, conseguir briga com as grandes equipes. Eu vou dar um exemplo aqui: o Campeonato Brasileiro de pontos corridos começou em 2002. Até 2016 teve um ano só que o Atlético Paranaense conseguiu estar entre os quatro, pela briga da Libertadores. Nenhuma outra equipe de orçamento médio conseguiu. As pessoas tem que entender que a manutenção na Série A Para a Ponte Preta, é que vai trazer uma receita maior, uma rentabilidade maior, para que consigamos atingir os objetivos. Fica muito vago queremos cobrar que a Ponte Preta busque, falando que poderia ter conquistado mais. Estamos falando do Palmeiras que tem uma folha de R$10 milhões, fora o que gastou em contratação. Saiu uma informação em um site das doze equipes que tem a maior receita na Série A. A  Ponte Preta não está nesse cenário. A Ponte está entre as quatro equipes com menor receita no campeonato e mais uma vez, será o segundo ano seguido, que vamos ter a melhor relação custo-benefício, no que diz respeito a pontos conquistados e folha orçamentária. Ou seja, valor gasto por ponto. O campeonato não acabou. Faltam cinco jogos. Se nós começarmos olhar só para o lado negativo nada vai acontecer. Temos cinco jogos, três em casa, há seis pontos do G6, há cinco pontos do G7. O Atlético Mineiro tem grandes chances de ser campeão da Copa do Brasil. Ninguém aqui na Ponte largou. Pelo contrário. Quem está vivendo o dia-a-dia vê que o ambiente é muito bom, que existe dedicação por patê dos atletas, que a diretoria está fazendo todo o esforço possível dentro de uma realidade da Ponte Preta.

Nós temos que valorizar o trabalho que foi feito. É muito difícil brigar por título com equipes que tem de 8 a 10 vezes a mais o valor da sua receita. Não é fácil. Em 2014 para 2015, quando a Ponte subiu, as quatro equipes que subiram (Ponte, Vasco, Joinville e Avaí), três no mesmo ano rebaixaram e só nós ficamos. E esse ano, das quatro equipes que subiram (Botafogo, Santa Cruz, América Mineiro e Vitória), a única que está mantida é o Botafogo, as outras brigam para não cair. É um campeonato difícil. O que faltou só poderemos saber no final do campeonato. Mas estamos satisfeitos até agora e esperamos e queremos mais.

Cobranças descabidas

Não podemos cobrar da Ponte como se cobra um clube com orçamento de R$90 milhões. Temos que olhar para a realidade da Ponte. É muito difícil com uma folha e com orçamento que temos, fazer uma média de nono colocado. Vamos olhar um pouco para trás e olhar um pouco para trás, para virmos as forças que estão tendo dificuldade. Agora, nós vamos brigar até o fim. Os jogadores estão se dedicando, a comissão técnica trabalhando, a diretoria tem feito todo o esforço possível para a conquista do objetivo e enquanto tivermos condições reais, palpáveis para brigar por uma vaga, é claro que iremos brigar. Quem aqui na Ponte Preta não gostaria de fazer parte da história do clube? Se você perguntar para qualquer um, todos vão falar que querem fazer parte disso. Quem não quer iniciar o ano disputando uma Libertadores? Só que nós temos que olhar todo um contexto. Não é fácil. Nosso pensamento é grande. Claro que nosso primeiro pensamento era manutenção. Eu na consigo entrar em uma Libertadores se eu não alcançar 45 pontos. Para eu pensar algo mais eu tenho que atingir o objetivo principal e nós atingimos na 31ª Rodada. E a parti daí, internamente, tem sido um discurso diário da comissão e estamos lutando. Se não acontecer é porque as coisas do futebol são assim. Às vezes não acontecem do jeito que esperamos, mas queremos que aconteçam.

Eduardo Baptista

Se analisarmos que o Eduardo assumiu a Ponte Preta em um momento em que vínhamos de dificuldade no Campeonato Paulista – deixar bem claro que essa dificuldade foi muito em detrimento de você montar uma equipe como foi a do ano passado e perder 70% da base (Lomba, Rodinei, Renato Chaves, Fernando Bob, Biro Biro). Tem time que conquistou título ano passado e que está até agora tendo dificuldade, porque também perdeu jogadores importantes. Não existe uma varinha mágica que trás oito ou nove jogadores e que se encaixa e dá liga. O Eduardo veio em um momento pontual e recuperou jogadores que estavam sendo questionados no Campeonato Paulista. Sendo colocados como disponíveis no mercado. O Eduardo teve uma grande parcela de melhora nesse campeonato de equilíbrio que a Ponte vem fazendo. Estamos muito contentes com o trabalho que vem fazendo. ´[E um profissional que tem um contrato de mais um ano conosco. Já estamos trabalhando o planejamento do ano que vem, diferente do que aconteceu no ano passado, mesmo tendo coisas que fogem da nossa mão, esperamos ter 60% desse elenco renovado. Tem sido o trabalho mais árduo nosso.  Para iniciarmos o ano com uma base e ver que tem sete jogadores do seu time que tem 60, 70, 80 jogos pelo clube. Isso faz diferença. É difícil quando um jogador entra com um atleta diferente. Não tem a liga. Estamos muito felizes e acreditamos que o planejamento acontecendo da forma que queremos, temos condições de fazer um ano melhor.

Quando se confia em uma comissão técnica tem que dar apoio e suporte. A palavra final é sempre do treinador. Até porque se não der certo é o primeiro a ser cobrado. É evidente que trocamos idéias em todos os sentidos. Mas a decisão final é do comandante. Isso é com o Eduardo na Ponte, com o Cuca no Palmeiras e sabemos que a decisão não vai agradar a todos. O que temos que analisar é se as decisões estão sendo feitas com critério, honestidade e isso aqui dento da Ponte nós vemos claramente. Temos que confiar no comando técnico da Ponte e essa ingerência não faz parte do trabalho e acho que não funciona assim. Batemos papo, mas não existe imposição. O Eduardo sempre vai escalar o melhor time e dar o suporte para ele fazer o melhor trabalho que puder.

Montagem do elenco atual

Essa dificuldade vem em detrimento das dificuldades financeiras de renovar com os jogadores que a gente queria. Se eu tivesse renovado com o Lomba, Bob, Biro Biro, Renato Chaves, eu não precisaria ter trazido vários jogadores e a situação teria sido mais tranquila. Como eu disse, é uma situação que não é só a Ponte que passa. A nossa média de contratações não foge a das outras equipes. O que eu acho é que a gente conseguiu ajustar a rota depois de um Campeonato Paulista que não foi aquilo que a gente imaginava. Depois Montamos uma equipe equilibrada e intensa.

Nosso principal objetivo hoje são as manutenções. Temos conversado com a comissão técnica sobre isso. Para que a gente possa começar o ano que vem com o mínimo de contratações possíveis porque assim a gente minimiza o erro. Porque a gente tem um limite financeiro. Quando você contrata um jogador com um limite financeiro, a probabilidade de dar certo, de dar errado é 50%. Eu tenho que adequar a minha contratação ao meu orçamento. É essa renovação que vai nos dar tranquilidade para começar o ano com uma equipe mais ajustada. A manutenção do treinador, da base da equipe e contratações mais pontuais.

Renovações

Nós renovamos com os volantes nossos, Abuda, Elton, Mateus Jesus, o João Vitor estamos trabalhando. O Nino e o Jeferson já tem contrato. Temos contrato com o Breno até o final do paulista. Os zagueiros estamos encaminhando. Dos volantes para trás estamos muito bem encaminhados. Estamos ajustando o Antônio Carlos. O Aranha tem opção de contrato de mais um ano. Estamos finalizando a renovação do Roger. O Pottker tem contrato. O Clayson tem contrato. O Galhardo depende do Coritiba, estamos aguardando uma posição. Assim teremos de 70 a 80% desse elenco para 2017, correndo tudo bem. O Azevedo existe uma proposta para fora que pode ocorrer, e o Rhayner temos que nos entender com o empresário dele também.

O Pottker tem contrato com a Ponte até 2020. Tem que ter uma valorização porque ele é vice artilheiro do Campeonato Brasileiro. Não existe jogador inegociável. A Ponte precisa dessa receita da venda de jogadores para manter o seu ano e um elenco qualificado. A princípio não recebemos nenhuma proposta pelo Pottker e nem pelo Clayson. O Reinaldo deve retornar para o São Paulo. O clube só tem interesse na venda e os valores para compra estão fora da nossa realidade.

Luís Fabiano

Fiquei sabendo do retorno do Luis Fabiano da China pela imprensa. A carreira dele dispensa comentários. Tem uma história dentro da Ponte. Precisa ver se existe o interesse e a questão financeira, se temos condição de arcar com isso. Ele vem de um contrato alto da China. Não podemos criar expectativa na torcida dentro de uma realidade que não é nossa.

Perfil das contratações para 2017

O perfil de contratação para o ano que vem são jogadores que se encaixam dentro do modelo de jogo que estamos jogando. O 4-1-4-1 com variação para o 4-2-3-1. São jogadores de velocidade e de lado. Do meio campo para trás tudo correndo bem vamos manter boa parte desses atletas. É claro que temos trabalhando alguns nomes internamente. Temos opções A e B. Porém guardamos em sigilo os nomes. Temos que trabalhar como temos feito até agora. Motivando todo dia. Mostrar o que vai representar para cada um o que significaria uma vaga na Libertadores. Temos condições sim de chegar. A diretoria tem feito um esforço para conseguir melhorar questão de premiação para valorizar os atletas. É um grupo que está focado e concentrado. Enquanto tiver chances vamos brigar até o fim.

João Guima

O João Guima tem grande potencial. Esse momento no Junior tem sido importante para melhorar a parte física. Tem muita qualidade e muito recurso. Veio para ser observado. Deve fazer parte do nosso planejamento. E ano que vem devemos contar com ele. O Erick Sales estamos observando ele no Bragantino. Como todo ano a Ponte faz, busca sempre duas, três apostas. Fez um Brasileiro interessante. É um jogador com as características que o Eduardo gosta. De velocidade, vem livre para a Ponte, jovem. Acreditamos que é uma boa aposta.  

O foco de Gustavo Bueno

Tive duas propostas esse ano. O Ceará e o Coritiba. E já tive uma sondagem para 2017. Minha cabeça está na Ponte. Tenho projeto de carreira na Ponte. Acredito que a Ponte está próxima desse tão sonhado título. Estou muito feliz aqui e quero continuar ano que vem para junto com essa equipe engrandecer o nome da Ponte Preta no cenário nacional.

No futebol não existe uma varinha mágica que você usa e coloca oito jogadores que nunca jogaram juntos e você dá liga. Conseguimos trazer o Eduardo e com a vinda dele, jogadores que eram questionados evoluíram muito. Não conseguimos manter muitos jogadores que a gente queria. Remontar elenco não é fácil. Não gosto de ficar usando como exemplos, mas veja a dificuldade que o Corinthians está tendo para remontar a equipe.
 

 

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