Audiência pública tira dúvidas dos vereadores e da população sobre a Arena; Sérgio Carnielli revela parte do projeto que inclui torre de escritórios e hotel, trará mais segurança e valorização ao bairro, e destaca: vamos chamar os torcedores para participar da construção

 

Crédito obrigatório para reprodução das fotos:
PontePress/DJotaCarvalho

Diante de um plenário com pelo menos 400 pessoas – cidadãos interessados, moradores do Jardim Eulina, imprensa e muitos pontepretanos (entre os quais diretores e diversos jogadores das categorias de Base e o técnico Zé Sérgio) – os vereadores de Campinas realizaram ontem Audiência Pública para o debate do projeto de lei pró-Arena Ponte Preta. A Audiência foi considerada um sucesso, trouxe diversas informações não só sobre o projeto de lei como o futuro complexo Arena, e agora o trâmite legal deve se seguir com o projeto sendo encaminhado para primeira votação na Casa de Leis nas próximas semanas.

Após  o vereador Luiz Henrique Cirilo (PSDB) – que presidiu a sessão – ter composto a mesa, o novo projeto de lei foi lido em voz alta pelo vereador Jorge Schneider, para que todos fossem informados sobre o conteúdo da mudança proposta pela prefeitura. Na sequência, o secretário municipal de negócios jurídicos Mário Orlando explicou didaticamente o que e por que propõe a lei complementar. “A Ponte Preta é o primeiro time de futebol do Brasil (fundado como tal e em funcionamento ininterrupto desde sua criação) e está caminhando para ser pioneira como um dos times brasileiros a ter uma Arena Multiuso. O que este projeto propõe é simples: um terreno foi doado à Ponte para uma função e agora o time encontra a necessidade de usá-lo de outras formas, assim há a necessidade de pedir ao doador que mude a condição”, explicou.

O secretário ressaltou  que quando ocorreu a doação foi estabelecido que a Ponte construísse no local campo, arquibancada e clube poliesportivo, condições cumpridas dentro dos prazos pela instituição com a construção do Centro de Treinamento e a Cidade Pontepretana. “Em 1975, o  prefeito estabeleceu obrigações e condições e mandou para a Câmara apreciar e decidir, porque a Câmara sintetiza o povo em uma democracia representativa. Ou seja, o povo decidiu doar a área para a Ponte Preta, o terreno é do clube. A vontade de doar é sagrada, o ânimo de doar já foi feito em 1975 quando o povo de Campinas assim decidiu. Agora o que se pede é que mudem as condições e o povo, a Câmara, tem que decidir se é aceitável mudar e da forma como é proposto.  Nós, da prefeitura, avaliamos que esta é a forma de mudar”, pontuou.

Ele ressaltou, então, que as condições de mudança decretam que a Ponte terá dez anos – prorrogáveis por outros dez – para executar todas as obras a que se propõe no local e que poderá ter parceiros para isso, no entanto o terreno será sempre da Ponte Preta. “Esta foi um condição inafastável que colocamos no projeto de lei: a propriedade é sempre da Ponte, inalienável e impenhorável, nunca poderá ser tomada por causa de dívidas de um parceiro, por exemplo, não pode ser vendida. Se isso não for cumprido, volta pra município”, pontuou.

Mário Orlando destacou ainda o fato de o projeto prever a destinação de 2% dos lucros da Arena para fundos municipais de apoio ao esporte e esporte amador. “Temos que destacar que isso é inédito em nosso país. Não há no Brasil nenhuma outra Arena que contribua de forma direta ao esporte e ao município como está se propondo aqui”, finalizou.

Carnielli fala sobre o Complexo Arena

Ao receber a palavra, o presidente de honra Sérgio Carnielli –um dos principais idealizadores da Arena Pontepretana – fez uma explanação sobre a necessidade de a Ponte ter seu complexo multiuso e contou um pouco mais sobre o projeto alvinegro.

“Em 1948 inauguramos o Majestoso e na época foi um marco da história da Ponte Preta e de Campinas, um estádio construído com mão de obra dos torcedores, doações e vontade dos pontepretanos. Não teve grande empresa ou grande doação: todos contribuíram. Com o passar dos anos, embora palco de grandes jogos(eu mesmo me lembro de vários que assisti com nosso ídolo Dicá, presente aqui nesta audiência), o estádio ficou desatualizado. Hoje os jogos começam muito tarde, 21, 22 horas, e se antigamente o torcedor ia tranquilo a pé pro estádio de noite, sem problemas, hoje sai do jogo mais de meia noite, sem segurança, sem transporte, sem conforto. Uma vez nós já produzimos história com o Majestoso e na Arena também queremos levar grandes torcedores para que ajudem a construir também, deixem marcados seus nomes, ajudem a assentar alguns tijolos para que o estádio feito com a ajuda da torcida continue a ser um símbolo nosso”, disse Carnielli em suas considerações iniciais.

O presidente reforçou, então, as razões para a Arena e revelou alguns detalhes do complexo, que será levantado sem nenhum custo para a Ponte Preta. “Nós não queremos simplesmente um estádio ou uma arena bonita, queremos independência financeira. Por isso estamos falando em um investimento sério, para duplicar, triplicar nossa presença de público em jogos e trazer outras fontes de receita também. Não se trata só do campo com arquibancadas cobertas, camarotes, espaços melhores para imprensa, restaurantes de qualidade, estacionamentos, lojas no entorno, mas também prevemos torres de escritórios, hotel, centro de convenções, tudo isso com grande sinergia, acesso direto entre os equipamentos e paisagismo para todo conjunto inserindo de forma harmoniosa ao tecido urbano, trazendo segurança e valorização para o bairro”, pontuou.

Carnielli também explicou que o compromisso que a Ponte pretende firmar com o grupo investidor que irá construir o complexo é de 30 anos e trará grandes verbas para a Ponte. “Teremos 100% do futebol e, a princípio, uma média de 10% (na verdade começa um pouco menor e termina um pouco maior) da arrecadação de todo o restante do complexo. Para nós é como se tivéssemos ganho na loteria: teremos uma Arena moderna totalmente de graça e que nos trará rendas para investir no futebol e ter nossa independência financeira”, afirmou.

O presidente do Conselho Deliberativo Mauro Zuppi, também presente, ressaltou a presença de alguns jogadores mais novos, da Base alvinegra, na plateia. “Dirijo-me a estes jovens,principalmenteSUB11 e SUB13, pois quem sabe entre eles estarão os talentos que jogarão na nova Arena Ponte Preta.”

Vereadores questionam e elogiam

Findas as apresentações, o vereador Cirilo abriu a palavra para os demais edis se manifestarem.  O vereador Vermelho, líder da bancada do PSDB, foi o primeiro a se manifestar. “Tenho acompanhado de perto a luta da Ponte para se modernizar, bem como a recente tristeza de a Ponte ter estado em finais de uma competição internacional e não poder disputar alguns jogos destas finais em casa. Os cinco vereadores da nossa bancada estarão unidos para aprovar este projeto, que acreditamos que será um divisor de águas na história do time para que ele possa desenvolver a prática esportiva com a qualidade que todos nós  queremos.”, afirmou.

O vereador Rossini, lembrou da participação ativa da Câmara na própria história pontepretana “O documento que comprovou a idade da Ponte foi o convite encaminhado em 11 de agosto de 1901 ao então vereador Thomas Alves, convidando-o para o primeiro aniversário, documento este que possibilitou ao historiador José Moraes Neto registrar de maneira incontestável no centenário do time. Eu mesmo, na época, tive a honra de entregar o documento confirmando o centenário à Ponte.”

Rossini então perguntou a Carnielli sobre quais intervenções urbanas e viárias estariam previstas para o bairro, até mesmo por questão de mobilidade.  O presidente de honra esclareceu que a prefeitura irá instituir uma comissão especial para tratar especificamente das contrapartidas do projeto. “Creio que haverá um viaduto por cima da Anhanguera, a avenida que liga o jardim Eulina até a região do Tapetão, passando pela zona militar, mas isso tudo vai depender do que a comissão estudar e entender ser necessário, que por sua vez será levado aos investidores para que possam agregar ao projeto.”

O presidente pontepretano Márcio Della Volpe, que também compôs a mesa, acrescentou:  “Queremos destacar que a Arena irá valorizar a cidade de Campinas. Na Copa do Mundo, vimos o quanto as arenas valorizaram as cidades, geraram outros espaços, trouxeram eventos culturais, melhoras  urbanísticas. A Arena Ponte Preta irá valorizar não só a região como Campinas como um todo. O esporte historicamente mostra a cara de Campinas, basta lembrar que a Ponte mostrou a cidade para o mundo inteiro na Sul Americana, e com esta Arena irá mostrar mais ainda. É um ganho fenomenal para toda a Região Metropolitana”, afirmou.

Rossini se declarou satisfeito com as respostas. “Queria que isso fosse falado aqui até para que todos possam compreender o que vai significar a Arena para Campinas. O projeto conta com o apoio do PV, pois neste projeto ao pensar na Ponte estamos pensando em toda a cidade, com inúmeros benefícios. Cumprimentamos a Ponte Preta por sua ousadia e visão empreendedora”, declarou.

O vereador Marcos Bernardelli (PSDB) ressaltou que o projeto de lei aperfeiçoa a lei original. “Temos que deixar claro que na doação original não havia cláusulas restritivas, ou seja, imaginem que a Ponte podia usar o terreno, por exemplo, para pagar uma dívida. Mas este patrimônio será eterno. E não custa lembrar que esta casa tratará da mesma forma, com o mesmo empenho, o projeto similar que nos for trazido pelo Guarani, pois os dois times são importantes para a cidade.”

O vereador Jorge Schneider (PTB) relembrou que é também conselheiro alvinegro desde 1976 e acredita na necessidade da Arena. “Em 2016 esta casa discutirá o Plano Diretor da cidade e a Arena Ponte Preta vai levar ainda mais progresso e benefícios ao Jardim Eulina. O PTB apoia o projeto e estará junto dele, avaliando e ajudando a resolver quaisquer problemas que surjam para que a Ponte cresça junto com a cidade e a cidade cresça com a Ponte.”

O vereador Paulo Bufalo (PSOL) relembrou que quando foi candidato a governador declarou torcer pela Ponte Preta. “Me perguntaram e quando disse que torcia pela Ponte Preta o repórter se espantou, disse que nenhum candidato declara o time do coração pra não perder votos, e eu disse que candidato que faz isso já começa mentindo pro eleitor. O fato é que torcer pela Ponte não impedirá, como disse o vereador Bernardelli, de tratarmos aqui os times de forma igual, mas fico muito feliz com essa ação tomada pelo time”, afirmou.

Bufalo salientou que a cidade terá de pensar na integração do futuro complexo Arena com o corredor metropolitano e que será uma razão a mais para que a cidade lute também para que o trem intermetropolitano venha para a cidade. “Essa Arena agrega valor as discussões desta casa e da porque inclusive nos obrigará a discutir e antecipar as questões do Plano Diretor, como bem lembrou o vereador Schneider . Ressalto que são poucos os projetos que unificam a base de sustentação e a oposição nesta casa e esse será um deles. É um desejo não só dos pontepretanos, mas de toda a cidade para fortalecer o futebol do Interior.”

Após mais algumas considerações, foi aberto o microfone à imprensa e público presentes, mas todos se declararam satisfeitos com o exposto. Ao final, o único a se manifestar no microfone foi o torcedor Mineirinho, que cumprimentou a todos pelos comentários e fez um último registro histórico: “Queria apenas deixar aqui um registro de agradecimento ao falecido Coronel Petenná, grande pontepretano que lutou pela doação do terreno do Jardim Eulina nos anos 70.” 

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS