Pontepretana que conquistou o topo do mundo, Aretha voltou para casa de Gorilão e ganhou uma camisa da Macaca com o número 1, ressaltando que ela foi a primeira negra latino-americana a alcançar o pico do Everest

Fotos:PontePress/DiegoAlmeida  e Divulgação

 

Foi a bordo do Gorilão que a alpinista de Campinas e torcedora da Ponte Preta, Aretha Duarte, teve o retorno da jornada mais incrível de sua vida: a chegada ao Monte Everest, se tornando a primeira latino-americana negra a alcançar o pico da montanha mais alta do mundo (por isso mesmo, recebeu uma camisa personalizada da Ponte com o número 1 nas costas, para ressaltar o fato de ser a primeira!).

Para a realização do feito, Aretha fez tudo o que estava ao seu alcance. Durante um ano e meio recolheu materiais recicláveis nas ruas da cidade e portas de empresas, criou vaquinha virtual, foi atrás de patrocinadores e até participou do Caldeirão do Huck, na TV Globo, sem contar as inúmeras entrevistas de sites, rádios e jornais.

Aretha fez tudo isso para escalar os 8.848m da montanha mais alta do mundo, pois sabe o simbolismo que a conquista tem. “Entendo que a gente está só começando. Foi o primeiro passo. O primeiro passo do meu sonho grande. Meu sonho grande nunca foi chegar ao topo do Everest. Se alguém ainda não entendeu, vou repetir: meu sonho grande nunca foi chegar ao topo do Everest. Meu sonho grande é garantir que questões socioambientais e oportunidades cheguem às periferias, para finalmente a gente ter o direito e a possibilidade de escolher os melhores caminhos para as nossas vidas e nossas famílias”, diz a alpinista.

 

Gorilão

Após 60 dias de expedição, a recepção à pontepretana teria que ser em grande estilo. Pensando nisso, a Ponte Preta cedeu o ônibus para que familiares e amigos próximos pudessem recepcionar Aretha na chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na quinta-feira (3).

 

 

“Que emoção andar no Gorilão. Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Eu só tenho a agradecer”, disse a mãe da alpinista, Euleide Duarte, ainda no embarque no Majestoso. Durante o trajeto até o aeroporto foi só festa e ensaio de como seria a recepção.

“Eu não vejo a hora de poder abraçar a minha neta. Meu coração está acelerado. Fiz até o arroz que ela ama e preparamos uma marmitinha”, revelou a avó, Josefá Duarte.

No aeroporto, após alguns minutos de espera, Aretha chega com os olhos lacrimejando. E não demorou para que o pequeno Enzo, sobrinho da alpinista, corresse ao encontro da tia para um lindo e emocionante abraço, que seguiu para a mãe e a avó. “Vocês são a razão da minha vida. Meus amores”, dizia Aretha, emocionada.

Já vestida com a camisa do clube do coração, ela revelou: “Eu levei a Ponte Preta ao topo do mundo comigo. Contei a história deste clube maravilhoso para todos. Presenteei um sherpa (nome dado aos guias locais de escalada) com uma bola da Macaca. E agora voltar para casa a bordo do Gorilão!”

Na estrada, Aretha já revelava um pouco da aventura. “O cume é muito pequeno, muito frio e a gente não consegue ficar muito tempo. Mas ele também é mágico, é lindo. É incrível e não tem como explicar”. E, continuou: “Durante o ataque ao cume passamos por cinco cadáveres de alpinistas que infelizmente não conseguiram completar a jornada. E quando se morre lá, dificilmente é feita a remoção do corpo, pois é extremamente difícil a chegada”, contou.

 

 

“Lá é perigoso. São inúmeros riscos. Tem que estar forte, treinado e bem preparado. Acima de tudo ter em mente que se não desse certo estaria tudo bem em voltar para a casa. Por muitos dias, eu sozinha, com minha cabeça no travesseiro pensando aqui na retomada dos projetos sociais para garantir às pessoas da periferia o acesso a robótica, informática e tecnologia”, completou enquanto saboreava a comida da avó.

 

Ao chegar no Majestoso, Aretha declarou: “Eu estou feliz demais. Acabo de retornar de Nepal, vindo do Everest e, com certeza, foi uma realização muito grande. É um privilégio ter estado nesta expedição que durou 60 dias. O desafio foi muito maior que eu imaginava. E conseguimos chegar ao objetivo, que foi determinado em março de 2020. Eu estou muito feliz! Apesar de todas as dificuldades e adversidades, que foram muitas – muito tempo na montanha –, a gente se superou e a conquista é coletiva. Estou para dizer que cada um pode alcançar o seu Everest, cada um pode ter a sua conquista. Não desista nunca dos seus sonhos. Eu sou a prova real. A primeira mulher latino-americana, negra, a chegar no topo do Everest. Com certeza, todo mundo pode conquistar o seu grande sonho. Estou de volta e quero estar no Majestoso para assistir a um jogo da Ponte. Estar com a torcida pontepretana será um orgulho”.

Ela terminou fazendo um agradecimento final à Ponte Preta: “Já viajei para muitos países e todas as vezes, após desembarcar, vinha de carro. E, desta vez foi muito especial, muito alegre, divertida, deliciosa, sensacional poder voltar no Gorilão. Eu, minha família e minhas amigas agradecemos a Ponte Preta por esta oportunidade.”

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