Presente e futuro: presidente Tiãozinho fala sobre compra de Moisés e novas contratações, chegada de Renatinho e muito mais

Foto:PontePress/ÁlvaroJr

O presidente pontepretano Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, falou nesta quarta-feira (14) em coletiva à imprensa, respondendo a diversas perguntas encaminhadas pela imprensa de Campinas.  O dirigente falou sobre diversos assuntos, inclusive confirmando que a Ponte Preta vai exercer o direito de compra sobre o atacante Moisés – o atleta tem contrato de empréstimo com a Macaca até o final de abril e consta no instrumento cláusula em que a equipe alvinegra pode exercer a compra de 50% dos seus direitos econômicos com o pagamento de R$ 500 mil à vista (passando ainda a teria o vínculo federativo definitivo com o jogador). Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Compra de Moisés

O Moisés foi um investimento correto que a Ponte fez, uma aposta que deu certo. Tanto que tem vários clubes tentando contratá-lo, acreditando que a gente não vai fazer a compra, mas  quero tranquilizar nossa torcida dizendo que vamos fazer: o Moisés é jogador da ponte. Até dia 31 tudo será resolvido. Pra nós ele é importante, fez diferença em várias partidas, tem características diferentes, facilidade no 1 contra 1, joga dos dois lados… claro que tem pontos a desenvolver, que são até fruto da chegada precoce dele em um time do porte da Ponte. Mas ainda vai dar muito retorno  pra Ponte, dentro de campo e fora dele, em negócios futuros.

Hernane Brocador e Rafael Moura

Brocador e Rafael são extraordinários, atletas que todos os times querem ter. Estão no nosso radar, aliás já estiveram em outras ocasiões, mas estamos analisando as questões de adequação financeira e necessidades que o clube tem para as competições. São bons nomes, boas referências que podem ajudar. No momento, porém, estamos no curto prazo vendo necessidades especificas e pontuais que a Ponte ainda tem no elenco. Primeiro vamos arrumar estas situações em relação a alguns posicionamentos, depois pensaremos em movimentos mais ousados. É pensar grande com os pés no chão.

Eliminação na Copa do Brasil

É claro que não estamos felizes, há um impacto grande financeiro, mas temos que levantar a cabeça. Olhando o desempenho de outros clubes, e não é justificativa, mas acho que a parada e o surto de Covid acabou impactando nosso desempenho. Saímos daqui com muita confiança na vitória, fomos eliminados nos pênaltis, e pra mim não tem essa história de pênalti ser loteria, tínhamos que ter ganho nos noventa minutos. Então, sim, ficamos muito decepcionados, mas temos que olhar para frente. Temos o Paulista, que depois do Brasileiro da série A é a maior importância do país, e estamos correndo contra o tempo para nos fortalecermos. É Importante que o torcedor saiba que temos uma limitação de inscrição. Não podemos contratar muito porque a lista A é de no máximo 29 atletas, se avançarmos na competição poderemos fazer algumas substituições. E temos a lista B, dos nossos garotos e Base, que estão entrando muito bem, nos enchem de orgulho e satisfação. Então estamos no mercado estamos em busca de atletas para posições que ainda temos carência e pras quais não temos ninguém da Base. Mas, como o número é limitado, temos que atentar para o nosso orçamento e estamos usando o máximo de critério possível. Tanto que fomos bastante assertivos nas decisões no último período, se olharmos a estréia do Niltinho e a chegada do Renativo, isso dá esperanças à torcida de que a Ponte vai fazer um bom Paulista e Série B.

Confiança no Elenco

Quando fizemos planejamento, tínhamos previsões do quanto iríamos avançar dentro da Copa do Brasil e a desclassificação frustrou nossa expectativa, e ao mesmo tempo joga para nosso elenco outras responsabilidades. A eliminação frustrou a diretoria,a comissão e expectativa dos nossos torcedores, mas não significa que está tudo errado e, sim, que é preciso revisitar as decisões para alcançar nossos objetivos, que ainda estão abertos no ano, em especial o compromisso de prioridade que é o acesso. Entendo que temos um elenco competitivo, faltou pouco pra alcançar à série A no ano passado, brigamos até as últimas rodadas. Então fizemos um esforço de manter espinha dorsal daquele time, para fazer apenas contratações pontuais necessárias. O histórico da Ponte tem sido desmontar time todo ano, termina competição e desmancha a time, como se ninguém mais prestasse.  Se isso desse certo, não estaríamos onde estamos tanto nas competições quanto no financeiro: esta fórmula de desmonte trouxe problemas financeiros,trabalhistas, na relação com atletas. As pessoas começam inclusive a precificar isso, de perder e mandar embora, o risco de fazer contrato com a Ponte. Então a história vai dizer se o que fizemos, de manter a espinha dorsal, é o melhor caminho, mas estou convencido de que é ao olhar pros procedimentos passados que não alcançaram os objetivos. Então fizemos isso com convicção, e nos mantendo abertos a criticas e a fazer ajustes se algo não der certo, não temos a pretensão de sermos os donos da verdade absoluta.

Paulista

Nossa prioridade é de continuar reforçando o elenco e buscando um bom sistema de jogo para avançar o máximo possível na competição. Até sexta próxima ainda podemos fazer alguns ajustes, algumas contratações, mas temos que buscar chegar o mais longe possível no Paulistão Não gosto de ficar olhando para o retrovisor, mas o fato é que ainda estamos numa posição desconfortável no Paulista e fomos eliminados na Copa do Brasil, essa é a verdade  e não tem como fugir disso. Porém estamos buscando a superação, se ficarmos passando  energia negativa pros atletas não vamos conseguir. Isso não significa passividade nem ausência de críticas, pelo contrario. Mas temos um elenco que já mostrou que tem capacidade de superação e não podemos achar que tudo está errado. Falhas aconteceram, isso nos afetou, contudo a cobrança tem de ser na medida certa e temos que exigir sempre a responsabilidade e compromisso com a camisa e história da Ponte.

Renatinho

Todos nós estamos ansiosos para vê-lo em campo, principalmente ele. Se depender dele, o Renatinho já entra no jogo contra o Santos. Mas estamos analisando toda situação clinica do atleta, não adianta apressar a entrada dele em campo para na sequência ele sofrer uma lesão, por exemplo.

A contratação do Renatinho é fruto de todo um processo que o Alarcon vem conduzindo nas negociações na Ponte. Reforçamos o departamento de futebol,a equipe e analistas, tudo isso pata diminuir a capacidade de o erro. Não existe contratação em nenhum lugar do planeta que vai ser 100% certa, mas podemos diminuir os riscos com boa estrutura e negoiação, e o Alarcon tem sido muito assertivo.

Nós estabelecemos uma expectativa de receitas e despesas do clube. E nas despesas, há um teto para investimento no futebol profissional e posso afirmar que a contratação do Renatinho não estourou nosso teto. Sei que alguns falaram números absurdos, seja porque acharam que uma contratação assim nunca ia acontecer ou acham que estamos fazendo farra com dinheiro. Nenhuma coisa nem outra. Trêsr fatores pesaram para a contratação: ele entendeu a realidade do clube, inclusive tinha propostas muito superiores e, com equilíbrio chegamos a acordo. Segundo ponto , mostramos que os atuais jogadores fizeram esforços, abriram mão de valores para se encaixar dentro da realidade do clube, e precisamos manter esse esforço tanto para fora quanto para dentro. E o terceiro ponto foi a torcida da Ponte, o que muda o jogo. Renatinho foi recebido com muito carinho pelos atletas que estão aqui com a gente, o elenco fez campanha nos treinamentos para ele ficar e jogar. E o apelo da arquibancada virtual, muita gente se manifestando, pedindo pra ele ficar…  torcida foi decisiva para virar o jogo e concretizar a contratação.

Série B mais difícil?

O fato de neste ano haver mais times fortes disputando o acesso não pode nos afetar. Independentemente das questões financeiras que os clubes no Brasil e no mundo estão enfrentando, isso tem que ficar segundo plano. Dentro do campo a camisa pesa, mas não podemos dar de barato que campeonato está decidido porque clubes da série A foram rebaixados. Temos que respeitar os adversários, mas dentro de campo vai ter que amassar barro, ralar muito para vencer a Ponte Preta. Queremos voltar para a série A é lá é rotina enfrentar esses clubes. Aliás, p futebol brasileiro é um dos poucos onde há competições onde 20% dos clubes participantes são rebaixados e o histórico nos mostra que todo ano vai cair um ou dois considerados mais fortes. Então vamos enfrentar de igual pra igual, até porque se eles tem história,tem camisa, nós também temos.

Possível venda de Ivan

Temos no balanço projeção de expectativa de venda de atletas. Não é segredo pra ninguém que a Ponte revela talentos, tem DNA neste campo. No caso do Ivan, há um esforço tanto dos  que cuidam da carreira do atleta quanto nosso para fazer o melhor negócio para a Ponte e expectativas de atleta. Isso não impede que, se o Ivan voltar a jogar e desempenhando papel de alto nível, atinja mais do que a previsão. O inverso, claro, também pode acontecer, mas ali é uma expectativa pé no chão. Importante esclarecer que o Ivan é da Ponte. As normas da FIFA impedem que qualquer clube faça sessões de direitos federativos ou atrelem direitos econômicos a situações que podem ocorrer no desenvolvimento da carreira do jogador. Nossa premissa máxima, porém, é fazer um esforço para entregar clube para as futuras gestões numa forma bem diferente do que recebemos, fazer um esforço para reduzir o máximo possível o endividamento da Ponte. Então quando se falamos de percentuais comprometidos, o que temos é que olhar a estrutura de divida da Ponte, o que é uma recomendação do Conselho, e utilizar parte dos recursos nos negócios envolvendo jogadores para mitigar dívidas, tentar quitar compromissos. Acabou o tempo do “devo, não nego, pago quando puder”. O mundo mudou, a realidade é outra, a justiça está sempre batendo as nossas portas. Preferimos até ter algum desgaste com setores que não têm essa leitura ou estão presos a um passado em que ninguém pagava nada. Não temos essa cultura aqui,  é preciso ter mais responsabilidade. Temos um conjunto de obrigações e legislações que precisamos seguir, mas sobretudo  temos a responsabilidade em trabalhar por uma sustentabilidade da Ponte Preta, olhando para o futuro. Nossa opção é por ter essa cultura mais responsável no sentido financeiro, sabendo que é preciso honrar compromisso porque uma hora a conta chega. E hoje ela está batendo todo dia à nossa porta.

Clube formador

Estamos temporariamente sem o certificado, mas não estamos correndo riscos como os que têm sido dito por alguns. A perda do certificado impõe risco com jogadores da Base que ainda não tem o primeiro contrato, a gente perde a preferência, mas é um processo de negociação. No mais, essa história que em uma eventual nova negociação de atletas como Emerson ou Camilo, a Ponte perderia mecanismo de solidariedade, não é verdade, a Ponte mantém seus direitos. De qualquer forma, estamos regularizando: o que ocorreu foi que a CBF mudou algumas exigências, foram incluídos temas que não estavam antes após aquele acidente terrível com a Base do Flamento, corretamente em minha opinião, que envolvem órgãos públicos para obter AVCB, alvará, novo CNPJ, burocracias que estão demorando um pouco mais para serem concluídas. Estamos fazendo um esforço para recuperar o certificado o mais rápido possível para não correr risco nenhum.

Venda de atletas x pagamentos de dívidas

Primeiro é preciso ressaltar que a Ponte tem 100% dos direitos federativos e que a FIFA não permite que se atrele direitos econômicos de atletas a dividas ou empréstimos, e cumprimos isso rigorosamente.  As vendas de atletas integram as receitas da Ponte e, quando eu recebo, tenho primeiro que olhar pras despesas  que a Ponte tem. Entrou dinheiro no caixa, tem que escolher o que paga. Aqui primeiro pagamos salários, depois fornecedores e depois quem contratou dívidas. As dívidas contratadas com investidores se manifestam através de um instrumento chamado mútuo, uma categoria prevista, que não é ilegal nem irregular, os nossos estão no balanço, que inclusive neste ano foi aprovado com mais de 93% dos votos dos conselheiros e está rigorosamente dentro da legislação. Então, de posse de receitas, temos que honrar compromissos, uma hora tem que pagar o cheque especial. Vamos sempre hierarquizar, priorizar, mas tem que pagar. Dividas não-pagas dificultam futuras negociações com atletas, inclusive.  Resumindo, quando tem recurso, temos que pagaras pessoas que socorreram em momento de dificuldade, mas nossos atletas não estão contratualmente compromissados com isso.

Contenção de despesas

Temos diversas medidas em curso. Desde 2020 adotamos medidas de contenção de despesas, ajustes internos, revisando contratos, fazendo negociações com credores para ter previsibilidade orçamentária no clube. Nosso lema é que de cada dois reais, um vai pro futebol e o outro para manter custeio. Então nossa previsão orçamentária está dentro de uma realidade e as limitações de recursos são administráveis, ainda que possam limitar investimentos em alguns projetos que a Ponte tinha pretensão de colocar em curso. A prioridade é lutar pelo acesso e deixar um cenário de melhor sustentabilidade para a Ponte Preta.

Convite a Washington Coração Valente

O convite surgiu no sentido das alterações que fizemos no Departamento de Futebol, num esforço de integração. Havia um distanciamento entre Base e profissional e estamos retomando sonho e desejo de ter esta integração, ao mesmo tempo em que nos propondo a construir o padrão Ponte Preta, que o Fábio Moreno já comentou, envolvendo a formação da Base e a conexão da Base com o futebol. Uma conexão pela técnica, não importando quem está à frente, a ideia é que o jogador da base quando subir já pratique o mesmo futebol, seja integrado em tempo mais curto, tenha mais  segurança. E para isso estamos trabalhano com profissionais qualificados  O nome do Washington surgiu nesse processo, assim como o de outros profissionais também. Infelizmente ele não pode vir, mas as portas da Ponte continuarão abertas a ele.

Futebol na pandemia

Primeiro me solidarizo com as famílias e amigos das milhares de vítimas da pandemia em todo o Brasil. Na pandemia temos que primar pela saúde. Os novos protocolos geraram, inclusive, custos adicionais para o clube , mas isso é importante. A volta do futebol está ocorrendo com revisitação do protocolo, ainda com portões fechados, sem a presença e o calor que empurra o time nas arquibancadas, com um compromisso estabelecido como o estado. É preciso responsabilidade dos clubes, dos atletas e também dos torcedores, para ficarem em casa torcendo. Se todos caminharmos juntos, conseguimos tocar o Paulista até o final e até servir de exemplo para outras competições. Neste momento também é importante que todos que possam ajudem a combater fome, há dezenas de entidades em Campinas nas quais é possível doar alimentos para ajudar quem precisa. De resto, a vacina é o caminho para o Brasil sair desta situação, então é vacine já para quem puder se vacinar, e se proteger e ficar em casa o máximo possível, sair só quando necessário.

 

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