Primeiro interino a comandar num dérbi desde 1974, filho de ex-meia alvinegro e pontepretano desde pequeno, Moreno faça da emoção de vencer o clássico; confira os melhores momentos

“Meu pai jogou na Ponte, minha mãe é torcedora fanática, isso torna essa vitória muito especial.  Quando acabou o jogo, com a nossa vitória, veio um filme na cabeça. Acompanhei vários dérbis ao lado do meu pai e quando cheguei no vestiário já tinha uma mensagem da minha mãe no celular, toda emocionada. É muito mais gratificante vencer um clássico quando você é da casa.” Com estas palavras, o coordenador técnico da Ponte Preta Fábio Moreno, que comandou interinamente a Macaca ontem na vitória por 2 a 0 no dérbi 197, tenta expressar um pouco do que sentiu após o apito final da partida.

Filho do meia Robertinho Moreno, revelado na Ponte Preta nos anos de 1970, Moreno foi o primeiro técnico interino a dirigir a equipe alvinegra em um dérbi nos últimos 46 anos. Antes dele, o último autor de tal feito foi Ilzo Neri, que em 8 de agosto de 1974 dirigiu a equipe no estádio oponente. Porém, o resultado então foi um empate sem gols, diferentemente do conquistado na noite desta terça (6).

“Antes de mais nada, quero agradecer à diretoria, que confiou no que eu gostaria de implantar, na minha capacidade e na contribuição que eu poderia dar. Agradeço ao staff, que  incluí muita gente que não aparece na mídia e à torcida, todos são fundamentais pro time alcançar objetivo. Bastante gente que esteve ao meu lado e sou grato a todos”, diz o treinador interino.

Moreno também agradeceu, claro, aos atletas – antes mesmo de deixarem o gramado. “Reuni todos ali no campo mesmo para agradecer porque acreditaram no que a gente falou. Eles Compraram a ideia e isso facilita. Vejo como uma injustiça quando criticam um ou outro jogador: o futebol é coletivo. Minha contribuição mesmo é pequena e se não houver outras pessoas não funciona, o mesmo vale para os jogadores, estamos todos juntos.”


(foto:PontePress/ÁlvaroJr)

Preparo e inteligência emocional

Fábio Moreno fala um pouco sobre como trabalhou com o time no pequeno intervalo entre o jogo contra o Juventude e o dérbi. “A preparação foi com muito estudo, dedicação, usando todas as armas que a gente tinha, apesar de pouco tempo. Quanto ao estilo de jogo pel qual optamos, veio da dificuldade específica do adversário. Soubemos reconhecer a qualidade deles para nos prepararmos, aí trabalhamos para neutralizar e usar as fraquezas deles. Estudamos o  adversário, passaram informações pra mim e, desde a palestra pré-treino, procuramos neutralizar o adversário.”

Por falar em palestra, a preleção de Fabinho no vestiário antes do time subir para o jogo teve grande peso no que se viu em campo. “Falei a eles que era preciso inteligência emocional para suportar a pressão, a provocação, o clima de dérbi. E, ao mesmo tempo, para ser leal. Ser leal conosco, com os companheiros, e com os adversários. Ser leal não é tirar o pé: é chegar firme, chegar na bola, e foi isso que aocnteceu. Eles se impuseram, o segundo tempo mostrou muito isso.”

Confiança e Marcelo Oliveira

Mais do que instaurar confiança no elenco, Fábio Moreno  compartilhou com os atletas a confiança que ele mesmo já tinha. “Como disse na coletiva do jogo anterior, um time que toma dez gols em quatro jogos precisa rever algo, mas minha confiança neles é muito grande, até por saber que quando se toma gols não é culpa de um setor e nem é mérito de um só quando não toma. Ontem não foi só a zaga que marcou, todos marcaram, tivemos um time bem compacto e consciente do que precisava fazer. Quando na coletiva passada eu prometi uma postura diferente não foi um rompante e, sim, o sentimento de alguém que conhece o vestiário e sabia o que ia acontecer. Não foi bravata, eu sabia o que tinha acontecido depois da vitória e o que podíamos entregar. E entregamos a vitória que a torcida queria.”

Moreno finaliza falando sobre a chegada de Marcelo Oliveira – o técnico, que na tarde de hoje comanda o primeiro treinamento dele com o elenco, chegou por volta das 13 horas de ontem, se encontrou com a delegação no hotel e acompanhou o jogo de perto, no Majestoso. “O Marcelo não participou da preparação, mas como é muito vencedor já trouxe a sorte dele pra gente”, brinca, complementando: “O que eu mais falei pra ele é era uma vontade minha deixar um ambiente saudável pra ele ter tranquilidade pra trabalhar. Voltamos ao G4, que é onde temos que nos manter o tempo todo, isso vai dar tranqüilidade pra ele fazer as coisas que pensa. No fim do jogo fiz questão de chamar todos ali no campo para ressaltar a importância desta vitória, mas é preciso ter em mente que é mais uma num caminho longo que temos que percorrer.”

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