De Campinas ao Nordeste, a Curitiba e de volta ao Majestoso: jornada da Macaca percorreu mais de 9 mil quilômetros em 11 dias

Arte: PontePress/FelipeGiani

Viajar normalmente é sinônimo de descansar, de curtir um pouco a vida, conhecer outros lugares. Mas quando se trata do calendário da série B, não há tempo para nada disso. Nesta última jornada fora de casa, em 11 dias a Macaca  percorreu 9.247 quilômetros – em trechos de avião e de ônibus – e o pouco tempo de permanência em cada cidade foi exclusivamente focado em treinar e jogar.

A rotina rígida e a necessidade de seguir o cronograma à risca, por sinal, exige muito mais planejamento do que a maioria das pessoas pode imaginar. Por exemplo: comida. Diferentemente de um turista, o jogador de futebol não pode simplesmente mudar a dieta de um lugar para outro por gosto. As iguarias locais podem, sim, ser consumidas, mas apenas se fizerem parte do cardápio minuciosamente elaborado pelo departamento de Nutrição.

Doce de espécie, bolo de rolo e macaxeira

Foto:PontePress/KaikeMiotto

Justamente  para garantir o cardápio adequado, a viagem do nutricionista  Kaike Miotto começou “mais cedo”, pela Internet. “A organização da alimentação durante a maratona de viagens para o nordeste e o sul do país foi um grande desafio. Para a montagem dos cardápios, decidi manter uma base de alimentos do qual os atletas já estão familiarizados e inseri alguns itens de culinária regional, após consultas na internet sobre a cultura local das cidades de destino”, conta.

As novidades inseridas por Miotto foram o “doce de espécie” maranhense e o “bolo de rolo” pernambucano, aprovados pela maioria da delegação. “Além deles, fizeram parte com mais frequência do menu o cuscuz, a macaxeira/mandioca, a tapioca, o açaí, o queijo coalho e a carne de sol, alimentos típicos do nordeste”, relata.

Foto:PontePress/KaikeMiotto

A maior preocupação, segundo Miotto, foi para o jogo da Copa do Brasil na cidade de Afogados da Ingazeira – no interior de Pernambuco e a cinco horas de Recife. “A cidade tem infraestrutra limitada, é muito quente e com alta incidência de moscas e pernilongos. Viajei um dia antes da equipe para conhecer o hotel e sua cozinha, para garantir a segurança e qualidade alimentar, além do cumprimento dos horários programados para as refeições”, conta.

Na sequência, o time seguiu até o renomado Centro de Treinamento do Retrô FC, em Camaragibe (próximo a Recife, de onde sairia o vôo para São Luís no Maranhão). “Na ida de Recife a São Luís precisei organizar um lanche emergencial para a viagem com suco natural, sanduíche de queijo, marmita contendo ovo, cuscuz e escondidinho de carne seca, frutas como sobremesa e barrinhas de proteína.  Muitas vezes a programação inicial realizada pela comissão técnica pode mudar de acordo com as respostas fisiológicas dos atletas, se estão mais ou menos cansados, por exemplo, e a nutrição deve ser flexível para atender todas as exigências e imprevistos.”

Foto:PontePress

 

Curitiba

De São Luís, depois da vitória contra o Sampaio Corrêa , o elenco seguiu para Curitiba, no Paraná, com um clima totalmente oposto ao do nordeste, quente e úmido. “A alta umidade, de 83%, aliás, foi sentida por alguns jogadores na jogo contra o Sampaio Corrêa no estádio do Castelão. Antes da partida, tive o cuidado de explicar aos jogadores os possíveis efeitos da umidade em excesso e as medidas que deveriam ser adotadas.”

Na viagem de São Luís para Curitiba, um atraso no vôo impossibilitou a delegação de realizar o jantar programado na escala no Rio de Janeiro. “Essa atraso gerou uma lacuna na logística, muita fome e estresse operacional”, brinca Miotto, complementando: “Mesmo com o melhor planejamento, às vezes imprevistos acontecem, por isso nós temos que fazer nosso melhor.”

Foto:RuiSantos

 

Trabalho em equipe

O analista de desempenho Caio Pires também fala sobre a odisséia alvinegra de mais de 9 mil quilômetros. “Uma viagem assim é desafiadora, jogamos em três cidades diferentes e ainda ficamos hospedados em outra entre dois jogos. O trabalho foi feito com toda comissão técnica e o staff da Ponte, que é muito preparado.  As análises dosadversários e dos nossos jogos foram feitas durante a viagem com todo o staff nos ajudando a colher informações para que os jogadores estivessem o mais preparado possível. E um trabalho que trouxe bons frutos, conquistamos a classificação na Copa do Brasil e estamos próximos ao G4. Temos ainda uma longa caminhada pela frente”, pontua.

Pires ressalta a importância da união e o dom multitarefa do staff em uma viagem como esta. “Todos trabalham em conjunto independentemente da função, ainda que obviamente cada um desenvolva mais sua área. Todos dão apoio e suporte um ao outro em busca do objetivo maior, que é o acesso.  Os jogadores estavam muito preparados e focados sempre, foi um trabalho muito bem feito por todos, então foi uma experiência muito boa individualmente falando,mas coletivamente, com certeza, foi um importante passo dentro dos muitos que daremos ao fim destas 38 rodadas do Brasileiro”, conclui.

Foto:PontePress/KaikeMiotto

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