CBF divulga guia para volta segura ao futebol; diretor médico pontepretano Roberto Nishimura, que é o redator do guia, conta que Macaca já está pronta para testar atletas

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou neste domingo (7) o “Guia Médico de Sugestões Protetivas para o Retorno às Atividades do Futebol Brasileiro”, documento que orienta as ações a serem tomadas pelo futebol nacional para que as competições paralisadas em virtude da pandemia de Coronavírus possam ser retomadas de maneira segura. O guia foi elaborado pela Comissão Médica Especial da CBF e tem como redator o diretor médico da Ponte Preta, Roberto Nishimura, que integra a comissão. O documento foi feito  em conformidade com as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde do Brasil (MS), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).

“Trata-se de um guia amplo que determina uma série de normas a serem seguidas por todos os times. A partir delas, cada time fará também os próprios protocolos contendo as especificidades do que cada um fará. O foco principal é oferecer a maior segurança possível para atletas, comissão técnica e todos os envolvidos nas atividades de treinamento e nos jogos, observando-se o maior rigor possível”, diz Nishimura.

Exemplo

Roberto Nishimura explica que, além da proteção própria, a ideia é que o futebol também sirva de modelo para a população que assiste os jogos. “O Futebol é uma modalidade esportiva que extrapola a sua atividade fim, é considerada a paixão nacional e está arraigada na cultura e no cotidiano da população brasileira, com capilaridade em todas as regiões e classes sociais. Por isso é importante dar o exemplo”, pontua.

O guia traz orientações que vão desde o dia a dia de treinamento até as partidas em si – todas , a princípio, serão realizadas com portões fechados ao público. Há regras bastante específicas como, por exemplo, a proibição de beijar a bola, comemorar com abraços ou cuspir no chão.

“É claro que há ações do próprio jogo que têm contato e não há como mudar isso, como ficar lado a lado em uma barreira, por exemplo. Mas tudo o que puder ser feito para minimizar a possibilidade de contágio será. Quem estiver jogando, por exemplo, não usará máscara, até porque a máscara durante a atividade física intensa pode gerar problemas de retenção de CO2. Mas no banco todos os jogadores e comissão estarão de máscara, mesmo porque boa parte dos estádios do país não tem bancos que possibilitem distanciamento”, explica.

Testes

Vale lembrar que todos os atletas – bem como técnico, juízes etc- serão testados continuamente antes de entrar no gramado. Nishimura conta, inclusive, que a Ponte Preta já está pronta para fazer a primeira testagem de todo o grupo, que faz parte dos estágios previstos pelo Guia da Federação. A data deverá ser determinada assim que houver uma definição sobre as datas de (re)início das competições.

“Também divulgaremos em breve os protocolos pontuais da Ponte Preta, que foram elaborados inclusive levando-se em consideração todas as normas técnicas e com embasamento jurídico para as ações”, explica. A expectativa é que o protocolo pontepretano seja divulgado nesta semana que se inicia, na qual está prevista uma reunião com a Secretaria de Saúde e a Prefeitura de Campinas para apresentação do documento alvinegro.

Etapas

O Guia da CBF estabelece uma série de estágios nos quais as ações devem ser executadas. O primeiro, o  chamado preliminar, já está em andamento. Nele, os departamentos médicos de cada clube coordenam as ações de medidas protetivas prévias ao inicio efetivo das atividades de treinamento, de acordo com as normas estabelecidas pelas autoridades de saúde locais. Ainda neste estágio ocorrem as definições de higienização, regras de segurança e, finalmente, a primeira testagem.

“O prazo de cada estágio depende da situação de cada região, por isso é definido em conjunto com as autoridades de saúde locais. E, importante destacar, como as coisas em relação à pandemia mudam no decorrer do temo,  o processo é dinâmico e necessitar de atualizações contínuas, na medida em que novas normativas do Ministério da Saúde e da literatura especializada com evidências científicas comprovadas vão sendo publicadas”, diz.

Treinamentos individuais ou em pequenos grupos

A segunda etapa se a semelha ao que foi visto no futebol europeu: treinos serão realizados de forma individual e depois em pequenos grupos. Entre outras normas, os profissionais devem chegar uniformizados em seus transportes particulares, não irão dividir vestiários e devem sair do trabalho diretamente para casa. Ao chegarem no treino, todos passarão por teste de temperatura.

Treinos coletivos

O terceiro estágio é o de treinos coletivos. Assim como na anterior, será proibida a circulação de pessoas estranhas ao grupo de trabalho e obrigatória uma a avaliação clínica diária – com  uso do inquérito epidemiológico e da aferição da temperatura, uso de máscaras e protetores faciais individuais, higienização periódica das mãos e todas as medidas de segurança e distanciamento social já adotadas na fase anterior.

Além disso, entre outras obrigações, a cada intervalo do treino todos deverão higienizar as mãos com álcool em gel a 70%. Todos deverão utilizar garrafas individuais para hidratação ou consumir copos de água mineral envazados, previamente higienizados antes do uso.

 Ao final do treinamento coletivo, todos os materiais de treino deverão ser separados para higienização e cada equipe de limpeza deverá utilizar equipamentos de proteção individual. Não haverá, por exemplo, sessões de relaxamento ou crioterapia em banheiras ou piscinas coletivas.

Já os vestiários do clube devem ser utilizados, mas os banhos devem respeitar o intervalo e o escalonamento de uso e o distanciamento entre os atletas, evitando a concentração de pessoas em caso de impossibilidade de utilização de mais de um vestiário.

Competições

A quarta fase é a do retorno dos jogos, com todas as partidas agendadas sem a presença de público e com acesso restrito – ao campo de jogo e vestiários –  limitado aos funcionários essenciais à administração do estádio, atletas das duas equipes e respectivas comissões técnicas, além de equipe de arbitragem, delegados da partida e controle de doping.

 A participação da imprensa no evento deverá ser regulamentada em reunião por videoconferência em documento próprio elaborado com a participação do Departamentos de Competições, Comissão Médica, Departamento de Marketing e Departamento de Divulgação da CBF. O controle de acesso às áreas sensíveis (Competição, chegada das equipes e Campo de Jogo) será incumbência exclusiva da Diretoria da CBF.

Também nesta etapa estão todas as regras previstas para campo, que incluem desde a proibição dos cumprimentos físicos em campo até o fato de gandulas terem obrigação de  usar máscaras e protetores faciais  durante a duração da partida, bem como higienizar as bolas com álcool a 70% a cada reposição de bola.

Agradecimentos

Roberto Nishimura faz questão de registrar um agradecimento à CBF, na pessoa do presidente Rogério Caboclo, pelo o convite para fazer parte da Comissão Médica. “Agradeço pelo convite e, especialmente, por ter sido nomeado redator pelo Presidente da Comissão Médica e de Combate a Dopagem da CBF, doutor Jorge Pagura. Parabenizo ainda os demais membros da Comissão, pois em conjunto construímos o guia que, temos certeza, será de grande importância neste momento que enfrentamos”, diz.

Ele faz ainda um acréscimo importante: “Tenho um imenso orgulho de representar a Ponte Preta nesse momento difícil e histórico, podendo auxiliar as pessoas e o esporte. Neste sentido, agradeço sobremaneira o presidente Tiaozinho pela confiança e pela honra de ocupar o cargo de Direitor Médico da Macaca.”

 

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS