Manifesto da Ponte Preta contra a discriminação e o racismo: não há mais espaço para o silêncio

A Ponte Preta sempre se orgulhou em ser a primeira democracia racial no futebol brasileiro, em dizer que nas dependências da Macaca não há discriminação por etnia, religião, orientação sexual ou qualquer outra, em acreditar que “raça” é a humana, e é também a palavra usada como sinônimo de gana, aquela que os jogadores têm de mostrar em campo. Mas isso não é suficiente. O mundo não está dentro do Majestoso, e não podemos fechar os olhos ao que está acontecendo nele.

Os assassinatos trágicos do menino João Pedro no Rio de Janeiro e do segurança George Floyd nos Estados Unidos chocaram o planeta e as manifestações contra o racismo estão brotando intensamente em todo lugar.  Mas quantos Joãos e Georges já morreram no mundo por causa da cor de suas peles antes da justa comoção que agora toma conta das redes sociais e das ruas? Quantos mais precisarão morrer antes que as pessoas enfrentem de frente o fato de que,  mais do que uma imbecilidade e um crime, o racismo e o preconceito são um mal que precisa ser extirpado pela raiz?

Uma das frases mais versionadas e traduzidas do líder Marthin Luther King Jr. – um defensor negro dos direitos civis dos Estados Unidos que morreu assassinado em virtude de sua luta por uma sociedade mais humana, diga-se de passagem – diz que “a tragédia final não é a opressão e a crueldade praticada pelos maus, mas, sim, o silêncio dos bons.”  

Entre 2012 e 2017 foram registradas 255 mil mortes de negros por assassinato no Brasil, segundo o IBGE. Em proporção, afrodescendentes têm 2,7 mais chances de ser vítima do que brancos. O percentual de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) intitulado Vidas Perdidas e Racismo no Brasil – 80% destas mortes está relacionada a racismo.

Não podemos permanecer em silêncio.

Os 120 anos de história da Ponte Preta foram construídos em cima da diversidade, da aceitação da verdade mais pura de que, mesmo sendo diferentes, somos todos iguais. Hoje e sempre, aqui e em qualquer lugar, bradaremos contra a violência absurda contra quem quer que seja, independentemente da cor da pele, da crença, do fato de amar outra pessoa, das posses.  Conclamamos você a levantar conosco esta bandeira.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”, Nelson Mandela
 

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