Pela 3ª fase da Copa São Paulo, Ponte enfrenta Londrina às18 horas desta segunda (13) e goleiro Caio relembra sensação de defender pênaltis: “Se foi um sentimento único no primeiro, imagine quando peguei o terceiro”

Foto:GutoCarvalho

A Ponte Preta entra em campo às 18 horas desta segunda (13), em Jau, em busca de uma nova vitória para seguirem frente na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Para transformar a classificação à quarta fase da Copinha em realidade, a equipe do técnico Sandro Forner – cujo jogo será transmitido pela TV FPF e pelo facebook da Federação – precisa vencer um adversário conhecido: o Londrina, contra quem a Ponte já jogou na primeira fase.

“Já sabemos que é um adversário perigoso e precisamos ter concentração o tempo todo. Vamos fazer o nosso melhor para que desta vez o resultado seja diferente do ocorrido no embate anterior contra o time paranaense”, diz o treinador. No conflito na primeira fase, o Londrina venceu por 1 a 0 em um controverso, com carrinho no goleiro no lance inicial e a bola saindo fora do campo, pela linha de fundo, sem que o árbitro marcasse (o que possibilitou que o atleta adversário passasse a bola, que havia saído, de volta para dentro do campo para um colega marcar – a arbitragem foi tão confusa que errou até o nome do autor do gol irregular na súmula).

Hoje, porém, a Macaca quer uma história diferente. Após eliminar o favorito Santos na fase anterior,   os Juniores precisam vencer no tempo normal para seguir em frente. Caso o jogo termine empatado na etapa regulamentar, a vaga será definida nos pênaltis. Claro que todos preferem resolver a parada antes disso, mas se chegar a tanto, a Ponte tem razão para estar otimista, afinal, o goleiro Caio defendeu três no último embate, garantindo a presença alvinegra no jogo de hoje.

“Se pegar o primeiro foi uma sensação única, imagine quando peguei o terceiro”, diz Caio, sem encontrar palavras para descrever exatamente a alegria eletrizante que sentiu ao certificar a Macaquinha na fase atual.  O arqueiro de 18 anos e 1m89 (e meio), porém, atribui o bom desempenho a muito treino e enfatiza que a conquista foi do time inteiro.

“Sabia que era uma grande equipe e que tinha bons batedores, só que eu treinei muito pênalti. O nosso treinador de goleiros, Marcelo, sempre nos orienta sobre esperar e não sair antes de olhar o pé de apoio. Me concentrei nisso, foquei na bola e fui feliz defendendo o terceiro pênalti e classificando nosso time e honrando esse manto gigante da Ponte Preta. Lutamos do começo ao fim e mostramos eliminando o Santos que somos time pra brigar pelo título”, afirma.

Um fato curioso é que Caio, que chegou à Ponte em 2017, só se tornou goleiro por “exigência” da mãe. “Comecei em um projeto chamado Bola do Futuro em Barueri, na cidade do lado da minha, Jandira. Era em um terrão na época e tinha que pagar 60 reais por mês, só que meus pais tinham se mudado para um lugar um pouco mais longe de lá e minha mãe chegou em mim e disse que só pagaria  se eu fosse no gol. Eu não gostava de ir no gol porque sempre ficava tomando bolada, não era legal “, diz, rindo.

Contudo, o garoto aceitou porque queria continuar a jogar futebol, que amava. “Foi aí que comecei a treinar no gol, a se interessar mais pela posição e acabar se apaixonando pela posição de goleiro e em ser goleiro. Eu saia da escola quase de noite, já que estudava da tarde na época, e como as condições não era tão boas para ir de ônibus eu pegava minha coisas e ia andando todos os dias. Quando o treino acabava por volta das 22 horas eu me trocava e subia de volta para casa com 13 para 14 anos. Tinha vez que eu conseguia uma carona ou outra com os meninos, mas na maioria das vezes eu ia a pé”, relembra.

Os pais de Caio tinham um depósito de materiais usados, que enfrentava um mercado difícil. “Além de treinar, eu trabalhava com meu pai no depósito instalando portões, fazendo telhados metálicos, carregando sucata. Vou te dizer que foi uma das melhores experiências que eu tive com meu velho: ele me ensinou a ser forte com o trabalho. Me mostrou como é sofrido também sair às 22 horas por conta do caminhão não poder andar antes em rodovia. Nós carregávamos sucata em todo canto e eu voltava pra casa três, quatro horas da manhã. Ele me ensinou junto com a minha mãe a ser humilde e ser guerreiro, e independente do que for ter fé garra e não desistir”, relembra.

E foi justamente no depósito dos pais que um cliente, chamado Levy, descobriu a história de Caio e ajudou a mudá-la. “É um irmão de coração pra mim. Ele foi comprar uns ferros no depósito do meu pai e os dois seguiram juntos pra Osasco, onde era a entrega. Passaram em frente de onde eu treinava e ele perguntou em qual posição eu jogava, quanto anos tinha. Meu pai disse que eu era goleiro, tinha 13 anos e era maior que ele. O Levy não acreditou e foi assistir um treino meu e viu eu pulando sem medo, dando a vida num terrão. Foi então que ele chegou em mim e disse que ia me ajudar”, conta.

Levy levou Caio para treinar com um preparador de goleiros no centro de São Paulo. “Ele saía comigo todos os dias de trem e metrô para ir treinar lá. Eu via que esse cara acreditava muito em mim, então eu peguei e fui também, acreditei que era a hora e com a ajuda dele e dos meus pai, que se sacrificaram muito mesmo não tendo muitas condições, cheguei a onde estou hoje”, diz.

O camisa 1 conta ainda que tem como ídolos Ederson (Manchester City), Dida e Ivan. “O Ivan por ser um goleiro que convivo quando subo para treinar no profissional, pelo alto nível que ele mostra, por saber que ele veio da base também, humildade e pelos milagres que ele faz dentro de campo. Mas meu ídolo principal é meu pai, tenho orgulho demais daquele guerreiro”, conclui.

Agradecimentos

A Ponte Preta e o Departamento de Base fazem questão de agradecer à WKM Solutions LLC, empresa americana que está patrocinando a equipe na Copinha desde o princípio e acredita no potencial dos meninos alvinegros. A Macaca também agradece a cidade de Osvaldo Cruz, pela maneira como acolheu os meninos e a Comissão Técnica na primeirae segunda fase da Copa SP.

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