Presidente Tiãozinho fala ao elenco sobre a importância de vencer o dérbi e na sequência é sabatinado pela imprensa: confira os principais pontos da entrevista

Fotos:PontePress

O dérbi vem aí e o recém empossado presidente pontepretano Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, fez questão de ir nesta quinta (7) ao hotel onde a equipe se concentra, para conversar com a Comissão Técnica alvinegra e incentivar os atletas. Quinquagésimo terceiro presidente alvinegro – e o primeiro negro, apesar de a Macaca ser a primeira democracia racial no futebol, tendo afrodescendentes entre os dirigentes e elenco desde a fundação em 1900 – Tiãozinho contou aos jogadores sobre a própria origem humilde e a luta diária para chegar onde está (eletricitário, ele já foi vereador, secretário municipal e deputado estadual, e hoje trabalha na iniciativa privada; na Ponte, já foi diretor de futebol, diretor social, vice-presidente e presidente-interino).

Ele enfatizou a paixão que tem pela Ponte Preta, o compromisso da diretoria com os atletas e, em especial, a importância de se entregar no clássico de sábado para buscar a vitória. “Temos que suar a camisa, , dérbi ganha quem sua mais, quem se entrega mais. Não se trata de transformar o dérbi no jogo da redenção e sim de  jogar para defender as cores da Ponte Preta”, diz Tiãozinho, que de tarde também acompanhou pessoalmente o treinamento do time no CT. Entre a conversa do início da tarde e a atividade, porém, o presidente foi sabatinado  pela imprensa, em entrevista coletiva. Confira as principais respostas dadas por ele aos jornalistas.

A “convocação” feita por Roger

O que me fez aceitar essa convocação para ser presidente foi a entrevista do Roger ao fim do jogo contra o América-MG, quando ele disse que a Ponte precisava encerrar o capítulo da briga política e voltar a ter tranqüilidade, que a instituição era maior do que todos. Eu conheço o Roger, a família do Roger, frequento o bairro dele, escola de samba… domingo, inclusive, fui ver o time da família dele na Taça das Favelas e aí já aproveitei dois meninos que estavam jogando para caramba e levei para treinar em Jaguariúna (rs). O Roger, naquela entrevista, expressou o sentimento da torcida e dos jogadores da Ponte, o sentimento que todos nós devemos ter, de a Ponte estar acima de tudo.

Ser presidente

É uma grande emoção estar à frente desse desafio. Não se trata de um objetivo pessoal e, sim, de tentar colaborar com um clube tradicional, fundado por operários e negros. A vida me deu de presente a oportunidade de ser o primeiro presidente negro da Ponte, e começando esta etapa no mês da Consciência Negra, em tempos em que a sociedade vive um momentos de ódio. Não fazia parte dos meus planos, mas a vida nos reserva surpresas. Quero tentar conectar a Ponte às mudanças que ocorrem no mundo do futebol, no plano tático e de gestão também, olhando para os resultados no campo e também para o futuro. Nosso passado nos orgulha, mas precisamos pensar no futuro, em qual salto de qualidade a Ponte quer dar.

195º dérbi

A Ponte preta nunca pode jogar a toalha: se não é para jogar pelo título, vamos jogar pela Ponte Preta, pela camisa, pela história da Macaca. Não se trata de transformar o dérbi no jogo da redenção: tanto o dérbi e as próximas partidas que tem pela frente temos que jogar com muita garra e entrega, jogar para defender as cores da Ponte Preta. Todos sabem que o dérbi é um jogo a parte, é um campeonato a parte, e tem muita gente falando que pode ganhar o dérbi e perder o campeonato, mas eu quero ganhar o dérbi e o campeonato.

Incentivo no clássico

Primeiro tem que ter muita entrega dentro de campo. Ninguém gostou do que viu contra o São Bento, o pessoal falou que o time estava cansado da viagem, mas quem tinha que descansar descansou. Essa é a primeira coisa, entrega. Em relação a algum estímulo adicional  nós vamos fazer conta aqui, mas acho que vamos conseguir dar um estímulo adicional para o nosso time e eu espero comemorar a vitória da Ponte. Tenho certeza que esse time pode entregar mais do que entregou, em especial contra o São Bento. Se a gente correr igual ou mais do que no jogo contra o América-MG, estou certo que temos condição de sair com a vitória.

 

 

Paz

É uma pena que os dérbis sejam de torcida única, era muito gostoso quando tinha as duas torcidas, de maneira saudável. A mensagem que eu quero passar é ganhar o dérbi em campo, derrotar os rivais em campo, sem violência, sen agressão. É triste andar na cidade de Campinas, às vésperas do dérbi, e ver que as pessoas têm medo de andar com a camisa do time, isso precisa acabar. Vamos ganhar dentro de campo, lá o coro vai comer e o melhor vai vencer, mas na rua é sem guerra, sem briga, sem manchetes tristes da violência.

Guerra… mas só em campo

Se tem algum dirigente que faz questão de estar em todos jogos, esse dirigente sou eu. Aqui comigo não tem problema se tem rojão lá fora ou não. Conheço o ambiente e o vestiário da Ponte e sei que posso colaborar. Não vim para colocar os problemas embaixo do tapete, mas primeiro temos de pensar na instituição. É o momento de declarar trégua política e pensar no patrimônio. Meu apelo de pronto é para descansar os gatilhos, guardar as armas, se vestir com o nosso manto, tomar as ruas e ganhar o dérbi de sábado. Não vou fazer nenhum ataque pessoal a quem estava aqui colaborado. A torcida não quer guerra interna, quer ver o time guerreando em campo.

Kleina 2020

 O Kleina é o nosso treinador. Falei com ele antes do jogo contra o América-MG, avisei inclusive o ex-presidente Abdalla que ia ligar para ele, porque a gente estava encaminhando o tema da presidência e era necessário passar uma mensagem. Estamos vendo, inclusive com o Bragantino, que o caminho para boas campanhas é um treinador que tenha mais tempo e estabilidade para trabalhar. E outra, precisamos dar a ele as condições que ele necessita para então cobrar, então o Kleina é o treinador e vai continuar, independentemente do resultado do dérbi. E em um primeiro momento, a estrutura do futebol profissional não muda. Além do Kleina, o Gustavo Bueno, o Felipe Moreira, eles estão muito bem integrados. Claro que a gente vai fazer fazer um balanço desse período e, obviamente se tiver que fazer alguns ajustes, vamos fazer.

Categorias de Base

A primeira iniciativa que tomei como presidente da Ponte foi mudar as categorias de base. Sou uma pessoa que anda pela cidade, que ouve e observa, e na minha gestão a base da Ponte não vai ser filial de outros interesses. A Base é o nosso principal ativo, nos dá orgulho ver na Seleção Olímpica, por exemplo, três atletas que saíram de lá, ligara TV e ver Ivan, Abner e Emerson com a camisa do Brasil. Tem de parar com esse negócio de queima de estoque. A base da Ponte vai voltar a ser da Ponte, sem interferências poucos republicanas, vamos dizer assim.

 

Futuro e Arena

Precisamos conectar a Ponte com as mudanças. Se fala muito em mudanças táticas, com mudança de nomenclaturas. Mas falo de mudanças na gestão do futebol, de gestão, existem inclusive alguns projetos de lei que vão brigar a Ponte a discutir alguns temas, não adianta só mudar a administração.  O futuro exige gestões modernas, com ética, com gestão de risco. E estou convencido que uma Arena nos projeta para o futuro, para um salto de qualidade> não é a solução para todos os problemas da Ponte, mas é com certeza uma grande parte desta solução. Vamos resolver democraticamente, discutir no Conselho Deliberativo, não sou um ditador. Mas estou convencido que, se depender de mim, a arena da Ponte vai sair do papel, vamos buscar os melhores investidores: a Arena significa colocar a Ponte nesse patamar de se conectar com o mundo. A história da Ponte e o passado dela nos orgulha, mas agora precisamos olhar para o futuro.

Trocas na diretoria

 A postura dos diretores nomeados pelo ex-presidente Abdalla em colocar o cargo à disposição foi uma postura correta. Com muitos ali eu possuo um nível de relação, não tenho nenhum conflito de ordem profissional com eles. Entendo que a escolha de diretores agora é diferente de quando tivemos o processo eleitoral e montamos a diretoria: agora estamos diante de um processo diferenciado, um momento de tensão, pouco diálogo, ruptura e algumas delas feitas por vontade, não por necessidade. Na vida fazemos escolhas, e agora precisamos escolher as pessoas que estão dispostas a fazer essa travessia e apresentar esses desafios da modernização e gestão do futebol, acabar com isso de transformar a Base da Ponte em uma sucursal, precisamos integrar base e profissional, projetar a Ponte Preta para o futuro. A Ponte vai escolher se ser um clube de gestão moderna e para isso precisa tomar decisões amargas, que outros clubes tomaram e chegaram onde chegaram. Eu conheço alguns da gestão do Flamengo, do Palmeiras, perguntem como é no Athletico Parananese. Aqueles que ficam presos ao passado, as tabelas dos campeonatos mostram como é. Temos que evoluir com eficiência, transparência e muita ética, e respeito a nossa torcida.

Diretor de futebol

 Eu tenho sonhado e conversado com algumas pessoas, estamos sondando nomes. Pessoalmente, acho que esse é o desafio principal, ter um bom diretor de futebol. Essa questão de ter remuneração teremos de tratar na reforma do estatuto, que é um tema conduzido pelo Conselho, ver  a possibilidade de remunerar algumas atividades. De qualquer forma ainda não temos um nome, mas estamos na busca, fazendo conversas nesse sentido.

Departamento de Marketing e novo diretor

A nossa equipe de Marketing é boa, não podemos jogar a água suja com a criança dentro. Se alguém errou vai pagar pelo seu erro, um crime que está sendo apurado, investigado. Quanto a um novo diretor, vamos ter que encontrar pessoas, temos pessoas qualificadas. Estou falando com ex-diretpres que fizeram grandes trabalhos, como Uéselis, Rubinho e Eduardo Lacerda. O problema deles é muito parecido com o meu, eles estão em atividades profissionais muito intensas, então estão ajudando, identificando nomes que possamos ter. Repito que se alguém se perdeu nos seus erros, vai pagar, não vamos colocar nada debaixo do tapete. Vamos tratar desse tema e conseguir pessoas que possam vir a somar para a Ponte Preta.

Carnielli

Todos vocês sabem da minha relação de confiança com o Sérgio Carnielli. Tenho orgulho disso. Um a pessoa que começou lá embaixo e chegou onde chegou, e que fez tanto pela Ponte, tem de ser valorizada. Se me disserem que há clubes que podem prescindir de pessoas como o Sérgio, me apontem, se muito deve caber na palma da mão. A Ponte não pode ser dar ao direito, sobre o pretexto de dizer que pode andar com as próprias pernas, de não honrar seus compromissos e relegar sua história: nós temos uma dívida com Sérgio e ainda bem que é com ele, se fosse outro já poderia estar cobrando na Justiça.  Quem me conhece sabe que eu não cuspo no prato que eu como. Na minha gestão ele vai entrar no Majestoso pela porta da frente, que é o lugar que merece estar. Respeitando a autonomia da diretoria e do Conselho, o Sérgio e todos aqueles que quiserem ajudar a Ponte Preta são bem vindos.

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