Jorginho clama pelo apoio da torcida: “Saímos do caminho temporariamente e temos capacidade para voltar, mas juntos somos mais fortes e precisamos de todos se quisermos algo maior”

Foto:PontePress/ÁlvaroJr

Além da tristeza pela derrota para o América-MG, o técnico Jorginho viveu momentos de angústia pessoal na noite da última terça. A esposa do treinador passou mal e ele não pensou duas vezes para ir ao socorro dela, deixando o estádio antes mesmo da coletiva. O episódio, motivado por ações com as quais com certeza o torcedor apaixonado da Macaca discorda, chegou a fazer com que o treinador pensasse em deixar o cargo, mas a própria esposa o fez relembrar as razões pelas quais ele decidiu permanecer no comando e lutar ainda mais pelo acesso e por um título da Macaca.

“Minha esposa e eu temos 37 anos de união, sendo 31 de casad se seis de namoro e noivado. Quando fiquei sabendo que ela ficou mal, teve fortes dores na nuca e quase desmaiou, pensei em sair queria sair , Como esposo, companheiro e amigo durante 37 anos não posso imaginar uma situação dessas. Já perdi três irmãs, não posso  conceber  perder minha mulher. Tomei uma decisão após o jogo, mas o Gustavo Bueno, o Felipe e a maioria dos jogadores vieram falar comigo para me dissuadir. Não consegui dormir direito, mas pude refletir bastante e minha própria esposaao fim me falou: você não pode fazer isso, você é sempre o motivado, o que motiva os outros, teve nove jogos de invencibilidade e vai desistir  por causa de três derrotas?”

Diante da motivação da companheira, Jorginho – que a proibiu de assistir a novos jogos no estádio por enquanto – decidiu permanecer e renovar os compromissos de levar a Macaca ainda mais longe.”Sou apaixonado pelo que faço, me entrego de corpo e alma, e vim para cá pra criar história. Minha motivação aumenta cada vez mais, porque nesses momentos recebo incentivos como o dela e quando penso no que temos construído tenho certeza que saímos do caminho temporariamente, mas temos toda condição de retomá-lo Só aumentou a minha paixão, o meu respeito pela Ponte, meu respeito pelo verdadeiro torcedor.”

O treinador faz, porém, um apelo importante à toda torcida. “Respeito o torcedor, mas as decisões em campo são minhas e por isso mesmo não tem nenhum problema me xingar e me vaiar, depois que o jogo acabar. Mas o que não pode ocorrer é o meu torcedor me apoiar só dois minutos em 90, como ocorreu na última partida quando já estávamos com nove em campo. A torcida precisa entender que precisamos de todos apoiando, o tempo todo em que a bola estiver rolando. Se a Ponte quer subir, chegar a um patamar diferenciado e conquistar algo que nunca conquistou em 119 anos precisamos unir nossas forças ou não alcançaremos esse objetivo. Porque se a torcida não estiver junto conosco, é difícil realmente”, alerta.

O treinador complementa: “Se nos separarmos agora, com certeza as coisas não vão acontecer como a gente deseja e, ainda que estejamos tristes pelas derrotas, não é terra arrasada. Saímos do caminho, mas podemos voltar, estamos a três pontos do G4 e a competição é longa. Nós vamos errar durante o campeonato, com certeza isso vai acontecer, mas  nosso time é bom, tem qualidade, joga um futebol bonito de se ver, organizado. Todos são unânimes em falar isso.”

Jorginho destaca que teve uma conversa com os atletas para detectar o que ocorreu com a equipe nas últimas partidas. “Temos começado muito bem, iniciamos até ganhando jogos e toma viradas, entãonestes momentos você tem que questionar o que está acontecendo. Não é falta foco, grupo é muito concentrado.Mas não podemos nos deixar levar pela emoção quando somos prejudicados pela arbitragem ou as coisas não estão saindo como queríamos. Além disso, há aquele momento que você acha que porque a gente vem num nível muito bom, então pode superar o adversário a qualquer momento e série B não se joga assim,. Tem que ter raça, sangue os olhos o tempo todo. E sim, a gente gosta de jogar bonito, fazer triangulações, mas a momentos em que o importante é vencer mesmo com futebol feio: temos que ser eficientes e não excelentes ”, enfatiza.

O treinador conclui respondendo a questionamento da imprensa em relação a poupar Roger e Edson, que têm dois cartões amarelos, no jogo de sábado contra o São Bento, para não correr riscos de desfalques para o dérbi. “Sabemos que o clássico é especial e queremos ganhar, mas estamos vivendo dia a dia e nosso foco agora é vencer o São Bento, precisamos fazer um bom jogo para nos recuperarmos. Então vamos com toda força que tivermos em Sorocaba.”

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS