Caio Gilli, preparador físico da Macaca, explica importância de tempo maior para trabalhar com atletas e o que espera deste período para evolução da equipe

 

Foto: PontePress

Após enfrentar  o CSA, no dia 19 de junho, a Ponte volta a campo no sábado (30), em Florianópolis. Tempo raro, em que se pode haver uma dedicação maior aos treinamentos e que Caio Gilli, preparador físico do futebol profissional, pode conduzir de uma forma melhor o conjunto de atletas que tem disponível.
 
"O grande problema do futebol é heterogeneidade do grupo. É difícil conseguir deixar todos os atletas na mesma condição. Quem não joga, se consegue melhorar a força potência dele, mas quando entra no campo, o atleta diz que não tem ritmo. E ritmo é resistência especial de jogo. Já quem joga, fica deficitário na força e na potência, porque não tem tempo para treinar. Digo só na parte física, já que a parte técnica e tática também influencia. Essas semanas diluídas poderemos tentar equalizar", explica Caio, que reforça.
 
"Tivemos em 17 semanas de trabalho, apenas duas semana abertas. De resto foram jogos de meio e fim de semana, sendo que houve semana com jogo segunda, quinta e domingo. Mas isso não pode ser usado como desculpa, porque era sabido que iria acontecer. Dentro do processo tentamos equalizar isso", comenta o preparador.
 
Caio aponta também outro fator, que é um complicador para a estruturação de um grupo coeso fisicamente. "No futebol brasileiro, entra e sai jogadores e dificulta o grupo ficar homogêneo. Nessas semanas em que temos menos jogos, a ideia é melhorar essas cargas de trabalhos. Semana passada inclusive, fizemos jogo-treino para que não vem atuando, justamente para equalizar a questão do ritmo", analisa o profissional, que acrescenta.
 
"A percepção de quem corre ou não é complicada. Está muito associada a resultado. Nós costumamos falar que quando perde não correu e quando ganha é que foi raça. E não é por aí. Buscamos melhorar o desempenho do atleta. Lí um artigo que falava sobre isso: no desporto coletivo falam sobre a manutenção da capacidade física durante a etapa competitiva, que é muito longa no futebol, no basquete…e nesse estudo diz que o que é preciso é melhorar a força potência durante essa etapa. Eu penso que posso em semanas abertas, que eu tenho tempo para desenvolver algo, sem sobrecarregar o atleta a ponto de expô-lo a algum tipo de lesão, que é possível melhorar o jogador", revela Caio.
 
O preparador complementa, ao falar sobre como a questão disciplinar, também é importante."Contra o CRB tivemos um jogador expulso com quatro minutos do segundo tempo. Isso pesa sim. Ano passado tivemos quatro jogos com essa experiência, de ter atletas expulsos em quatro jogos, e no primeiro tempo. É complicado. Até entendo às vezes o nervosismo, faz parte da profissão, mas tem que ter a cabeça no lugar. Um sistema de controle que se tem de percepção subjetiva do esforço, que eu uso aqui, tem total associação em relação a carga emocional do trabalho. É uma percepção neuro-psico-física. A questão emocional influencia. Tanto é que em momentos de pressão o atleta sai mais esgotado do campo, do que quando está em um clima normal. Isso é notório".

Notícias Recentes

REDES SOCIAIS