Torcida única: Paulo Castilho diz que liminar antecipará decisão alinhada com a Ponte e a FPF e ressalta que organizadas continuarão vetadas

O promotor Paulo Castilho, do Ministério Público Estadual, tomou conhecimento ontem de liminar parcialmente concedida pela Justiça em resposta a uma ação de 18 torcedores pontepretanos questionando a torcida única em todos os jogos da Ponte. De acordo com a liminar, que após ser recebida pela Federação Paulista de Futebol terá um prazo de 72 horas para entrar em vigor, a torcida pontepretana poderá voltar a frequentar jogos do time fora de casa, bem como a torcida visitante voltar ao Majestoso, MENOS em partidas contra os ditos quatro grandes de São Paulo e nos dérbis. Para estes jogos, a torcida única está mantida.

“Esta liminar antecipou em alguns dias a definição que eu estava alinhando com o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo, e o presidente da Ponte Preta, José Armando Abdalla Júnior. Na semana passada já conversávamos sobre isso e essa medida, liberando os jogos com exceção de dérbis e com os quatro paulistanos, seria tomada por nós nos próximos dias. Porém cabe ressaltar que foi conseguida esta liminar pelo torcedor comum e isso não se estende às torcidas organizadas”, pontua.

Ele esclarece que, de acordo com Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no Ministério Público em São Paulo as torcidas organizadas serão futuramente direcionadas pela Polícia Militar de Campinas e o Corpo de Bombeiros para um determinado local do estádio. “Antes, porém, as torcidas terão que ser identificadas e cadastradas”, diz, acrescentando que a determinação de torcida única para todos os jogos da Ponte Preta em 2018, solicitada pelo MP e determinada por resolução da FPF, foi tomada inicialmente como “uma medida de choque”.

“E surtiu efeito, pois nos dois clássicos em Campinas, contra Santos e Palmeiras, não tivemos nenhuma intercorrência, bem como na partidas aqui em São Paulo contra o Corinthians não ocorreu nada porque não houve deslocamento da organizada de Campinas para a capital criando problemas aqui. O que vale pra nós é garantir a segurança e o conforto do torcedor e a decisão judicial, quero deixar bem claro, vai ao encontro do que era a decisão e a intenção do MP e da FPF, bem como um pedido pelo qual trabalhou o presidente Abdalla”, diz.

Castilho informa que não conversou com a Federação Paulista sobre a liminar (até esta manhã, o órgão não havia sido oficiado sobre a decisão da Justiça), porém crê que não haverá nenhuma contestação, uma vez que a decisão não contraria no momento os interesses da segurança pública.  Contudo, Castilho esclarece que para que a torcida da Ponte possa voltar a ir a jogos fora e a torcida visitante possa voltar ao Majestoso é preciso que ocorra a notificação da FPF e haja tempo hábil para veicular a venda de ingressos para as torcidas visitantes nestas partidas. Provavelmente isso só ocorrerá a partir do jogo contra o Mirassol, desdfe que haja o tempo hábil.

Vale lembrar que a punição de a Ponte realizar os primeiros seis jogos do Brasileiro da série B  em casa com portões fechados, em decorrência da invasão de campo no ano passado no jogo contra o Vitória, foi imposta pelo STJD e permanece em vigor.

Organizadas que não seguirem “caminho do bem” serão extintas

Paulo Castilho teve uma reunião ontem (20) com o presidente do Tribunal de Justiça e o coordenador do juizado do torcedor e juntos eles levarão ao Secretario de Segurança Pública a proposta de replicar em Campinas a experiência do juizado do torcedor feita em São Paulo. “O promotor local, o juiz local, as polícias civil e militar da cidade podem identificar os torcedores mais violentos, fazer diligências, busca e apreensão e se for o caso até fechar a sede das organizadas que não tiverem alvará, que não estão legalizadas, para que a gente possa coibir a violência”, diz.

Castilho vai além: “Se for necessário temos que identificar e prender os mais violentos que comandam eventual organização criminosa, porque a torcida organizada que não está ali para apoiar e incentivar o time e sim para bater, matar e praticar tráfico é uma organização criminosa e tem que ser tratada como tal.”

O promotor ressalta que em São Paulo já são inclusive identificados os torcedores se organizadas que geram mais problema e estes são obrigados a comparecer ao Corpo de Bombeiros uma hora antes do jogo e saem uma hora depois. “Os que não cumprirem são denunciados e afastados cautelarmente do estádio. E estamos agora querendo aprimorar a fiscalização obrigando essas pessoas a se apresentarem no fórum sob controle do juiz que as afastaram, pois se não se apresentarem isso já irá gerar uma resposta imediata do juiz”, afirma;

Ele informa ainda que na Capital a ação já protestou, afastou de campo e prendeu mais de 800 torcedores violentos nos últimos dois anos. “Minha atuação criminal é restrita à  capital, por isso estamos sugerindo que isso seja levado para Campinas. Desde que  estas medidas passaram a ocorrer aqui o confronto entre as organizadas é praticamente zero, sendo que  reduzimos o efetivo de polícia nos jogos, o público aumentou e temos 11% a mais de mulheres e crianças do que antes. Nos últimos dois clássicos entre os grandes, por exemplo, um com mais de 30 mil pessoas e outro com mais de 40 mil, não tivemos nenhum incidente”, conta.

Ele finaliza dizendo que sabe que há nas torcidas organizadas pessoas que têm o legítimo interesse de torcer para o time, porém este é o que precisa se sobrepor aos demais. “Infelizmente o torcedor do mal, embora em minoria, dita a filosofia da organizada, por isso a importância de asfixiar financeiramente e combater os líderes, para que eles saibam que se insistirem no erro as organizadas irão diminuindo e irão se extinguir. Organizada só tem um caminho para sobreviver: seguir no caminho correto, no caminho do bem”, sentencia.

 

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