1ª democracia racial do futebol, Ponte celebra Consciência Negra e jogará com frase antirracismo

Foto: CarlosBassan/PMC

 

Primeira democracia racial do futebol brasileiro, com negros no elenco e na diretoria desde a fundação, a Ponte Preta entrará em campo na noite de hoje – 20 de novembro, Dia da Consciência Negra – reforçando na camisa do time a luta pela igualdade. Todos os atletas jogarão contra o Confiança nesta tarde de sábado com a frase “Racismo Não” estampada nas costas do uniforme.

“O racismo acontece não só dentro do futebol como fora também. É sempre muito chocante a gente se deparar com esse tipo de atitude que, inclusive, é crime. Acho que a saída para isso é a educação, tanto de nossas crianças como, principalmente, de nossos adultos”, diz o volante pontepretano Marcos Jr.

O presidente pontepretano Sebastião Arcanjo, que por sinal foi o autor da lei que criou o feriado de Dia da Consciência Negra em Campinas quando foi vereador na cidade, destaca a importância da Ponte  nesta luta. “Como já disse antes e faço questão de reiterar a cada instante, a história da Ponte Preta foi construída em cima da diversidade e da aceitação de que, mesmo sendo diferentes, somos todos iguais. Essa verdade, essa igualdade e harmonia entre pessoas de diferentes etnias, religiões, orientações sexuais, classes sociais, é algo que defenderemos hoje e sempre. E, infelizmente, essa defesa precisa mesmo ser contínua, afinal continuamos vendo casos de racismo no esporte o tempo todo. Basta lembrar o que ocorreu neste ano com o jogador Celsinho”, pontua.

O meia do Londrina foi vítima de uma injúria racial desferida por um dirigente do Brusque, em partida entre as equipes realizada em 24 de setembro. A equipe chegou a ser punida com perda de três pontos, mas, infelizmente, justamente nesta semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o STJD reverteu a pena. “ O STJD tinha uma grande oportunidade de fazer algo bem positivo e infelizmente ao invés de evoluir, eles retrocederam. Muito vergonhoso. Que grande decepção”, lamentou o jogador em declarações à mídia.

Primeiro presidente negro da história da Ponte e único afro-brasileiro entre todos os presidentes da série A e B do Brasileirão, Tiãozinho também participou do lançamento do Mês da Consciência Negra em Campinas, em cerimônia na Prefeitura Municipal. Na ocasião, o mandatário alvinegro inclusive presenteou com camisas da Macaca o prefeito Dário Saadi e a vereadora campineira Paolla Miguel, que recentemente foi vítima de crime de injúria racial, proferida por uma cidadã que assistia a uma sessão na Câmara Municipal.

Pioneira

Criada em 11 de agosto de 1900, a Ponte Preta tinha negros tanto dentro de campo quanto em seu quadro diretivo desde a data da fundação. Comprovadamente, Migué do Carmo, um dos fundadores e meio-campista da equipe, foi o primeiro negro a jogar em um time de futebol na história do Brasil.

Em virtude deste fato, a Ponte, que exibe na camisa um selo permanente destacando ser a primeira democracia racial do esporte, também se tornou – em novembro de 2020 –  o primeiro time do país a receber o selo de combate ao racismo concedido pelo Movimento AR.

Reconhecido nacional e internacionalmente, o movimento é uma mobilização voluntária com propósito de realizar mudanças e transformações sociais através de ações efetivas de combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação racial. O AR  é liderado pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela ONG Afrobras.

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